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No presépio com Maria e José...

 Alexandre Martins, cm. *



A piedade e a curiosidade andam juntas quando se medita às vésperas do Natal, quando nos dispomos a pensar no que seria a singular aventura de uma criatura ser a mãe de seu Criador. Jamais em alguma religião pensada pelos homens pode algo servir deste inefável mistério.
Mas não seremos nós os primeiros, pois outros mais pensaram antes e nos deixaram o fruto de suas meditações e algumas delas nos dão certeza que não foram apenas fruto de uma mente racional mas também uma iluminação divina em seus corações.
A tradição nos deixou uma “Oração ao Verbo Encarnado”, composta pelo Padre da Igreja João Crisóstomo:

Ó Filho Único e Verbo de Deus,
sendo imortal, vós vos dignastes, visando à nossa salvação, encarnar-vos na Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria,
vós que, sem qualquer transformação, vos tornastes homem e fostes crucificado,
ó Cristo Deus, por vossa morte esmagastes a morte
Vós que sois Um na Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!"1

O grande Bernardo, abade do mosteiro de Claraval, grande também em sua devoção à Mãe de Deus, nos mostra a relação da profecia vetero-testamentária com a vida de Maria:
"O anjo de Iavweh lhe apareceu numa chama de fogo, do meio da sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e não se consumia" (Ex3,2). Que presságio seria este, testemunhado por Moisés - a sarça a lançar chamas -, senão Maria, que conceberia, sem dor?
"... Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, estava a florescer; porque produzira flores, brotara renovos e dera amêndoas." - "A vara de Aarão que florescia sem ter sido regada" (Nm 17, 8) não representa a figura da Virgem concebendo sem ter conhecido homem? Deste grande milagre, Isaías desvenda o mistério maior ainda: "Um ramo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará de suas raízes" (Is11,1). O ramo, em seu pensamento, é a Virgem, e a flor, o rebento, o Filho da Virgem.
E este célebre tosão que, tirado da ovelha pela tosquia, sem machucar-lhe a pele, é depositado na eira, e cuja lã ora impregnada de orvalho, ora mantida seca, sobre o solo desfeito, o que significa, senão a carne de Cristo tomada da carne de Maria, sem danificar a sua virgindade? Nela, infalivelmente, com o orvalho dos céus, irrompeu a plenitude da divindade, a ponto de fazer com que sejamos, todos nós, partícipes desta plenitude e que sem ela, somos apenas uma pobre terra árida.2

O mesmo abade relaciona a vida da Virgem com mais profecias do Antigo Testamento:
Ouçamos o que diz Jeremias, acrescentando novas profecias às antigas, ele assinala a vinda daquele que ainda não poderia anunciar, mas sugeria, movido por um ardente e vivo desejo, e prometendo-o com segurança, e absoluta certeza.
Até quando irás de cá para lá, filha rebelde? Porque Iaweh cria algo de novo sobre a Terra: a Mulher rodeia seu Marido (Jr 31, 22). Quem é esta mulher? Quem é este homem? E se, de fato, trata-se de um homem, como poderia uma mulher envolvê-lo, rodeá-lo, protegê-lo? E se uma mulher pode envolvê-lo, de que forma entenderíamos tratar-se de um homem? Falando mais claro, de forma inequívoca, como pode este homem ser ao mesmo tempo um homem feito e ainda estar ligado ao seio materno? (pois aí está o sentido da expressão "uma mulher envolverá um homem").
Homens, para nós, são aqueles que ultrapassaram a tenra idade, a infância, a adolescência, a idade madura e chegaram à idade próxima à velhice; ora, aquele que já passou por estas etapas pode continuar a ser acalentado, envolvido por uma mulher? Se o profeta dissesse: "Uma mulher envolverá e protegerá uma criança, um bebezinho", não veríamos nenhuma novidade, nenhum prodígio no citado. Porém, ele não se referiu a um bebezinho e sim a um homem; então, nós nos perguntamos: que novidade seria essa que Deus realizou para esta Terra, que uma mulher pudesse envolver um homem e que um homem pudesse estar recolhido no interior de um frágil corpo feminino? Que milagre é este? Um homem pode, como inquiria Nicodemos, retornar ao ventre materno? "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?" (Jo 3, 4)

Há os que ensinam que as dores do parto mostravam a Maria que ela estava perto de conceber. Mas não encontramos nada sobre isso na Escritura. Ao invés, sabemos que as dores do parto são o sinal da Culpa Original nas mulheres (Ex 3,16). Ora, sendo a Virgem não somente virgem mas Imaculada, nada de Pecado existia nela e, portanto, as dores do parto seriam também inexistentes. Quanto a este pensamento são Francisco de Sales nos esclarece:
Vocês conhecem, sem dúvida, a revelação que Santa Brígida recebeu e que ilustravam o nascimento do divino Salvador (Révélations, livro VII, c.21). A Santa diz que Nossa Senhora, estando numa grande abstração, viu, de repente, o Menino Jesus deitado no chão, nu, e que o tomou em seus braços, envolvendo-o em panos e faixas.3

Tal atitude, totalmente sobrenatural, somente poderia ocorrer em uma pessoa singular, desprovida da Mancha de nossos pais. Um poema de autor desconhecido nos ilustra este momento:
Hoje, a Virgem traz ao mundo o Eterno
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Anjos e pastores o louvam
e os magos avançam, com a estrela que os guia,
pois Tu nasceste para nós,
Pequena Criança, eterno Deus!

O que faziam no presépio a Santíssima Virgem e São José? Qual sua ocupação naquele santo momento e mesmo após ele? O cinema nunca se preocupou em nos mostrar este momento tão singelo, tão sublime. Mas o Patrono dos Sacerdotes, são João Maria Batista Vianney já meditava sobre isso e nos instrui:
Qual era a atitude da Santíssima Virgem e de São José, no presépio? Eles olhavam, contemplavam, admiravam o Menino Jesus. Esta era a sua ocupação. Estavam eles, em oração, diante do Santo Sacramento, exposto no altar do presépio. Bendiziam e agradeciam o bom Deus que, por amor a todos nós, acabava de nos oferecer seu próprio Filho. Jamais alguém poderá compreender, nem dizer tudo o que se passava, então, no coração de Maria.

E que delicada preocupação de um outro Padre da Igreja, são Basílio de Selêucia, ao pensar na postura de Maria perante o seu filho, que também era o seu Deus.
Como deverei chamar-vos? Dizia-lhe Maria.
Homem? Mas vossa concepção é divina...
Deus? Mas vós estais revestido com a nossa carne...
O que deverei fazer por vós?
Nutrir-vos com o meu materno leite, ou glorificar-vos?
Envolver-vos de cuidados como o faria qualquer mãe ou adorar-vos como uma serva?
Beijar-vos como Filho meu ou rezar a vós, como sois, o Senhor e meu Deus?
Devo dar-vos o leite materno ou incenso?
Que mistério indizível!
O céu vos serve de trono e vós repousais em meus braços!
Vós pertenceis inteiramente aos habitantes da Terra e não privastes o céu da vossa presença.

O Cardeal Journet se mostra conhecedor de uma realidade como se houvesse estado naquele momento há milênios:
Sinto-me absolutamente persuadido de que, quando os pastores chegaram ao presépio, não se aproximaram logo do Menino Jesus. Em primeiro lugar, eles teriam olhado para a Virgem Maria, teriam observado seus olhos, e a Virgem lhes teria mostrado, então, o seu Filho. Foi só então que eles teriam avistado Jesus com os seus olhos.
Tentai contemplar os mistérios do Evangelho com os olhos da Virgem. Vós pensais na morte de Jesus Cristo na Cruz; acreditais que este sacrifício já se tenha esgotado, mergulhando no mais profundo de sua dor e de seu mistério. Em seguida, dizeis: com que olhar a Virgem contemplou seu Filho, pregado na Cruz? Deveis rezar, então, a ela, desta forma: "Fazei que eu compreenda um pouco, assim como vós compreendeis."
A Virgem não está mais diante de vós, como a realização da santidade que venerais; ela vos toma sob o seu manto e vos envolve, para vos ajudar a contemplar todos os mistérios com o seu olhar.4

Romano, o “melode”, famoso por suas pregações, em especial sobre a Bem-aventurada Virgem, também se equipara a Basílio de Selêucia em se colocar no lugar maternal de Maria:
Maria se aproximava, levando-o nos braços:
Ela se questionava, de que forma, sendo mãe, mantinha-se virgem,
Sabedora daquele parto que transcendia a natureza,
assustada, tremia,
e, dentro do seu coração, dizia a si mesma:
Que nome deverei te dar, meu Filho!
Homem? Mas tu estás acima dos homens,
Tu que conservas a minha virgindade.
Eu deveria chamar-te homem perfeito? Mas sei que é divina a tua concepção.
Se te chamo de Deus, fico assustada,
vendo-te, em tudo, semelhante a mim.
Tens tudo o que qualquer homem tem.
Devo amamentar-te ou cantar-te um hino?

Depois de tantas citações, concluamos com uma criação moderna, mas cheia de amor e delicadeza com a Mãe de Deus, imaginando o que teria pensado quando colocou pela primeira vez o Verbo Encarnado para dormir em seus braços:
Meu Deus, que estás a dormir, frágil entre os meus braços,
minha criança, quentinha e aconchegada ao meu coração que pulsa, que bate forte...
Eu adoro, em minhas mãos, e embalo, admirada,
ó Deus, a Maravilha, que me destes.

Filho, ó meu Deus, eu não tinha (...)
Mas vós, Todo-poderoso, um Filho me destes.
Lábios, ó meu Deus, Vós não tínheis, lábios
para falar aos que, aqui embaixo, perdidos estavam. (...)
Ó meu Filho, fui eu quem te deu estes lábios.

Vós não tínheis mãos, ó meu Deus,
para curar, com o toque de vossos dedos, seus pobres corpos fatigados. (...)
Ó meu Filho, fui eu a dar-te estas mãos.

A humana Carne, ó meu Deus, vós não a tínheis,
para com eles partir o pão da refeição. (...)
Ó meu Filho, fui eu quem te deu esta humana carne.5


* * *


(*) - palestra proferida na reunião da Congregação Mariana Sede da Sabedoria em 18 de dezembro de 2010.
_________________________
1- Liturgicon - Missal Bizantino; Tropário O Monoghenis - Canto composto por São João Crisóstomo para a liturgia bizantina.
2- Trecho da segunda Homilia Super missus
3- Sermão para as vésperas da Epifania, 5 de janeiro de 1618.
4- Cardeal Charles Journet, in “Entretiens sur Marie” (Entrevistas sobre Maria), Ed. Parole et Silence, 2001
5- Poema de Marie Nöel, trecho de Patapon, revista católica mensal para crianças entre cinco e onze anos, Edições Téqui

Mementum dos Mortos

Alexandre Martins, cm.



O termo “mementum dos mortos” (momento dos mortos) é o nome da parte da Liturgia Eucarística onde são lembrados os que já faleceram. Situa-se após a Consagração, antes do Rito da Comunhão.
Desde o século I os cristãos rezam pelos falecidos. Costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas e para rezar pelos que morreram sem martírio. Os primeiros vestígios de uma comemoração coletiva de todos os fiéis defuntos são encontrados em Sevilha (Espanha), no séc. VII, e em Fulda (Alemanha) no séc. IX. No século IV encontramos a Memória dos Mortos na Celebração Eucarística. Mas desde o século V a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos que ninguém rezava e dos que ninguém se lembrava. Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) decretam que se dedique um dia por ano a estas orações. Desde o século XIII, esse dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro é a festa de "Todos os Santos". O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. O Dia de Todos os Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.1 O dia 2 celebra todos os que morreram não estando em estado de Graça total, mais precisamente os que se encontram em estado de purificação de suas faltas e, assim, necessitam de nossas orações.
O fundador da festa é Santo Odilon, abade do antigo Mosteiro de Cluny (França), que a introduziu em todos os mosteiros sob sua jurisdição entre 1000 e 1009. Na Itália, a celebração já era encontrada no fim do século XII e, em Roma, no início do ano de 1300.
Neste dia a Igreja especialmente autoriza cada sacerdote a celebrar três Missas (trinar) especiais pelos fiéis defuntos. Essa prática remonta a 1915, pelo Papa Bento XV que julgou oportuno estender a toda Igreja esse privilégio que já tinham Espanha, Portugal e a América Latina desde o séc. XVIII.
É digna de nota a exclamação de s. Pedro Claver quando de um funeral: “Uma tal morte é mais digna de nossa inveja do que de nossas lágrimas. Essa alma foi condenada a apenas vinte e quatro horas de Purgatório; procuremos abreviar sua pena pelo ardor de nossas preces”.2

A Tradição Apostólica


A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias aniversários de sua morte.3 Durante a morte e o sepultamento de um fiel, este fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja.4
Tertuliano (†220) – Bispo de Cartago, África

São Cipriano (†258), Bispo de Cartago, refere-se à oferta do Sacrifício Eucarístico em sufrágio dos defuntos como costume recebido da herança dos seus antecessores bispos (cf. epist. 1,2). Nas suas epístolas é comum encontrar a expressão: “oferecer o sacrifício por alguém ou por ocasião dos funerais de alguém”. Falando da vida de Cartago, no século III, afirma Vacandart, sobre a vida religiosa: “Aí vemos o clero e os fiéis a cercar o altar [...] ouvimos os nomes dos defuntos lidos pelo diácono e o pedido de que o bispo ore por esses fiéis falecidos; vemos os cristãos [...] voltar para casa reconfortados pela mensagem de que o irmão falecido repousa na unidade da Igreja e na paz do Cristo”.5

No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (cf. Mt 12,31). Dessa afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro6
São Gregório Magno (540-604), Papa e Doutor da Igreja

Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles” (Hom. 1Cor 41,15). E “Os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade”.7
São João Crisóstomo (349-407), Bispo e Doutor da Igreja

Enfim, também rezamos pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas, por quem se reza, enquanto jaz diante de nós a santa e tremenda vítima. (…) Da mesma forma, rezando nós a Deus pelos defuntos, ainda que pecadores, não lhe tecemos uma coroa, mas apresentamos Cristo morto pelos nossos pecados, procurando merecer e alcançar propiação junto a Deus clemente, tanto por eles como por nós mesmos.(...) Em seguida [na oração Eucarística], mencionamos os que já dormiram: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, para que Deus em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração. Depois, rezamos pelos nossos santos pais e bispos falecidos, e em geral por todos os que já dormiram antes de nós. Acreditamos que esta oração aproveitará sumamente às almas pelas quais é feita, enquanto repousa sobre o altar a santa e temível vítima. (…) Quero, neste ponto, convencer-vos por um exemplo. Sei que muitos dizem: “Que aproveita à alma que passou deste mundo, em pecado ou sem ele, se a recordo na oferenda?” Se um rei, porventura, banir cidadãos subversivos, mas depois os súditos fiéis tecem uma coroa e a oferecem ao rei pelos que estão cumprindo pena, não é certo que lhes concederá o perdão do castigo? Da mesma forma, nós, oferecendo a Deus preces pelos mortos, sejam ou não pecadores, oferecemos, não coroa tecida por nossas mãos, mas Cristo crucificado por nossos pecados; assim, tornamos propício o Deus amigo dos homens aos pecados nossos e deles”.8
São Cirilo, Bispo de Jerusalém (†386)

Sobre o rito de ler os nomes dos defuntos (no sacrifício) perguntamos: que há de mais nisso? Que há de mais conveniente, de mais proveitoso e mais admirável que todos os presentes creiam viverem ainda os defuntos, não deixarem de existir, e sim existirem ao lado do Senhor? Com isso se professa uma doutrina piedosa: os que oram por seus irmãos defuntos abrigam a esperança (de que vivem), como se apenas casualmente estivessem longe. E sua oração ajuda aos defuntos, mesmo se por elas não fiquem apagadas todas as dívidas [...]. A Igreja deve guardar este costume, recebido como tradição dos Pais [...] a nossa Mãe, a Igreja, nos legou preceitos, os quais são indissolúveis e definitivos. 9
Santo Epifânio (†403), Bispo da ilha de Chipre, Grécia

Os “Cânones de Santo Hipólito (160-235)”, que se referem à Liturgia do século III, contêm uma rubrica sobre os mortos [...] “[...] Caso se faça memória em favor daqueles que faleceram [...]”10
Serapião de Thmuis (século IV), Bispo, no Egito, compôs uma coletânea litúrgica, na qual se pode ver a intercessão pelos irmãos falecidos: “Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: “Santifica essas almas, pois Tu as conheces todas; santifica todas aquelas que dormem no Senhor; coloca-as em meio às santas Potestades (anjos); dá-lhes lugar e permanência em teu reino. Nós te suplicamos pelo repouso da alma de teu servo (ou de tua serva); dá paz a seu espírito em lugar verdejante e aprazível, e ressuscita o seu corpo no dia que determinaste”.”11
As Constituições Apostólicas, do fim do século IV, redigidas com base em documentos bem mais antigos, no livro VIII da coleção, relata: “Oremos pelo repouso de (...), a fim de que o Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as faltas voluntárias e, por sua misericórdia, lhe dê o consórcio das almas santas”.

Uma nomenclatura confusa




Contudo, o feriado de Finados, embora originado do cristianismo, foi nomeado de forma diversa à real celebração cristã. Na realidade, o Cristianismo celebra a lembrança dos fiéis defuntos e não o dia de finados. Podemos notar que há uma diferença relevante. A palavra finado significa, em sua origem, aquele que se finou, ou seja, que teve seu fim, que se acabou, que foi extinto. A palavra defunto, no latim, é o particípio passado do verbo defungor, que significa satisfazer completamente, desempenhar a contento, cumprir inteiramente uma missão. Mais tarde, foi utilizada e difundida pelo Cristianismo, para dizer que uma pessoa morta era aquela que já havia cumprido toda a sua missão de viver.
O Dia dos Fiéis Defuntos, portanto, é o dia em que a Igreja celebra o cumprimento da missão das pessoas queridas que já faleceram, através da elevação de preces a Deus por seu descanso junto a Ele. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca, mesmo que esteja distante; amar é saber que o outro necessita de nossos cuidados e de nossas preces mesmo quando já não o podemos ver. Pois a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus e com os irmãos, agora e para sempre.

Indulgências

Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária só aplicável aos defuntos: diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial.12
Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar... o Pai-nosso e Credo..., confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai-nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).13
Para uma alma:
1 – Confessar-se bem, rejeitando todo pecado;
2 – Participar da Santa Missa e comungar com esta intenção;
3 – Rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória e
4 – Visitar o cemitério e rezar pelo falecido.

Uma tradição nas Congregações Marianas


Indica Antonio Maia14 que uma das obras de apostolado das primeiras Congregações Marianas era visitar o túmulo dos mártires de Roma. Era feito após as reuniões, onde os Congregados saíam em grupos, uns para visitar doentes e enfermos e outros para rezar no túmulo dos falecidos.
“Rezar pelos mortos” é uma Obra de Misericórdia espiritual, acrescida de Indulgências, plenárias e parciais, bem como enterrá-los.
Há Congregações Marianas que fizeram até mesmo rituais especiais para seus Congregados, com a deposição da bandeira sobre o caixão, e mesmo do corpo do falecido levar a fita azul .
Tradicionalmente, é costume no dia de Finados os membros das Congregações Marianas visitarem um cemitério, individual ou coletivamente, e aí participarem da Santa Missa celebrada, comungando e rezando pelos fiéis falecidos. Quando há orações em conjunto no Cemitério, os Congregados são os primeiros a organizá-las e participarem ativamente delas.

Algumas práticas costumeiras da Cultura brasileira


Evite festas, música alta, bebidas. Dedique o dia à oração e ao recolhimento.
Não incorra no costume judaico de lavar-se ao voltar do Cemitério ou lavar as roupas que usar na ocasião.
Não entre pela porta de trás da casa. É superstição.
O uso de velas para orações é tradicional e não somente neste dia. Podem ser acesas velas mesmo no Cemitério.
Quando de uma Procissão Fúnebre, esteja em posição de respeito e reze pela alma do que passar.

O Testemunho de alguns dos Santos Congregados


Nunca tivemos medo da morte.” (bem-aventurado Edmundo Campeão)

A pedido dos amigos viajou a Lourdes para pedir sua cura. Lá, ofereceu sua vida pela sua família e por seus amigos.( bem-aventurado Enrique Shaw)

Na hora da morte o maior consolo vosso e meu será o pensamento de haver cumprido a santíssima vontade de Deus...” (bem-aventurado José Maria Rúbio, SJ)


Que a meditação no dia dos Fiéis Falecidos nos mostre a brevidade da vida e a certeza de estarmos junto de nossa Rainha, a mesma que nos abrirá as Portas do Céu para a esperada visão beatífica do Criador.



* * *



1 - Mons. Arnaldo Beltrami – vigário episcopal de comunicação - http://www.arquidiocese-sp.org.br
2- Martins, A. in “Marianos Santos”. São Pedro Claver, o “Apóstolo dos Negros”, era Congregado mariano.
3- De monogamia, 10
4- De anima, 51
5- Revista Pergunte e Responderemos, nº 264, ed. Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1982, pag. 50 e 51
6- dial. 4, 39
7- “In Philipp”. III 4, PG 62, 204.
8- Catequeses. Mistagógicas. 5, 9, 10, Ed. Vozes, Petrópolis,, 1977, pg. 38.
9- “Haer”. 75, c. 8: pág. 42, 514s.
10- “Canones Hippoliti, em Monumenta Ecclesiae Liturgica; PR”, 264, 1982.
11- “Journal of Theological Studies” t. 1, p. 106; PR , 264, 1982.
12- Enchiridion Indulgentiarum, nº 13).
13- Diretório Litúrgico da CNBB, pág. 462
14- in “Breve História das CCMM”, col. Estrela do Mar, Rio de Janeiro, 1958.

Curso de Liturgia na Congregação Mariana.


Curso de Liturgia

palestrante:
Alexandre Martins
membro da Congregação Mariana Sede da Sabedoria - bacharel especialista em Arte Sacra - escritor católico
membro da Academia Marial de Aparecida (SP) - Catequista formado pelo Instituto Estrela da Evangelização (Niterói, RJ)

gratuito - vagas limitadas

período
16 de novembro a  15 de dezembro de 2010
horário
Segundas e Quartas - 19h as 21h

ementa
Conscientização dos fiéis leigos sobre assuntos relevantes de sua participação na vida litúrgica
da Igreja, visando um aprofundamento de certos temas para sua condizente atuação.

roteiro resumido
Significado da Liturgia Católica - História da Liturgia Católica - Participação da Santa Missa - Simbolismo católico
Sacramentos e Sacramentais - Ritos Católicos

inscrições:
contato@sededasabedoria.org
ou
(21) 26055250

local:
Congregação Mariana Sede da Sabedoria
r. Dr. Pio Borges, 1949, sala 101
Pita - São Gonçalo
(Prédio do Salão Styllus Festas)

realização:
Congregação Mariana Sede da Sabedoria

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A Jesus por Maria
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Terrorismo no Blogger.

Comunicado

Recentemente no Blog de nossa Congregação Mariana, fomos alvo de ataque hacker  que forçou a publicação por alguém estranho à administração do blog.

A matéria tem o título  "Em debate da CNBB, Dilma e Marina dizem ser contra o aborto" com data de postagem de 9/27/2010 07:23:00 AM, sendo que o relatório de postagens do blog acusa como 11h23 a data do envio.

Na postagem, reproduz-se uma reportagem da Band News em seu canal na Internet, assinada por Rodolfo Albiero, afirmando que no debate entre os quatro presidenciáveis - promovido pela CNBB no último dia 23 de setembro, e exibido em rede nacional católica, como também nos canais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal - a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Roussef, seria contra o aborto.

O blog Sede da Sabedoria é um órgão de divulgação da Congregação Mariana Sede da Sabedoria e vem ultimamente publicando a posição oficial da Igreja Católica em relação a temas como o aborto, denunciando a postura do PT sobre o assunto, refletindo em suas postagens os artigos dos senhores Bispos do Brasil e as colocações do Clero e de leigos sobre o processo eleitoral no Brasil.

Acredita-se que este ato de terrorismo tenha sido feito por pessoas que se sentiram atingidas em seu ideologismo por ser divulgada a verdade sobre o plano de censura entitulado PNDH-3.

Várias tentativas foram feitas pelo administrador para ser retirada a citada postagem do blog, mas sem sucesso. O próprio perfil do proprietário está com "acesso negado". Outras tentativas serão feitas e, a quem visitar o blog, seja desconsiderada a postagem acima e outras de mesmo teor.

É de estranhar que mesmo este pequeno blog tenha sido alvo de perseguição ideológica ou, ao menos, um ato de vandalismo por apenas ser coerente com a filosofia que professa e ser irredutível na sua postura de apoio à Igreja Católica no Brasil em favor dos sem voz.

Nos sentimos honrados por sermos perseguidos por defendermos a verdade, assim como os apóstolos que sofreram por Jesus Cristo.

Que este comunicado sirva para que se tomem as providências necessárias a uma possível onda de censura à liberdade de expressão em nosso país.


A Administração do blog Sede da Sabedoria.
http://sededasabedoria.blogspot.com

contato@sededasabedoria.com



Nova bem-aventurada Congregada mariana: Madre María da Puríssima da Cruz


Alexandre Martins, cm.


Bento XVI, antes de rezar a oração mariana do Ângelus, ao concluir a Celebração Eucarística de beatificação do cardeal John Henry Newman (1801-1890), em Birminghan, Inglaterra, disse:
"Desejo enviar minha saudação ao povo de Sevilha, onde ontem foi beatificada a Madre Maria da Puríssima da Cruz. Que a beata Maria inspire os jovens a seguir seu exemplo de amor incondicional a Deus e ao próximo."




(no século: María Isabel Salvat Romero) nasceu em Madrid aos 20 de Fevereiro de 1926 na rua Claudio Coello nº 25, no seio de uma distinta família de alto nivel social. Foi batizada na Paróquia da Conceição, na rua Goya de Madrid.

Em 10 de dezembro de 1943, faz sua consagração à Santíssima Virgem e recebe a medalha de Congregada mariana no Colégio de la Bemaventurada Virgem Maria das Madres Irlandesas, (atual "Instituto de la Bienaventurada Virgen María") em Madrid.

No dia 8 de dezembro de  1944, aos 18 anos, ingressou  na Companhia da Cruz (Irmãs da Companhia da Cruz, congregação fundada em Sevilha no ano de 1875 por Santa Angela da Cruz). Tomou hábitos em 1945, professou temporariamente em 1947 e fez votos perpétuos em 1952. Culta e distinta, falava três idiomas (francês, inglês e italiano). Devido a sua piedade, não foi estranho a sua família a decisão religiosa.
Fiel seguidora de Santa Angela e observadora tenaz das regras do Instituto, manteve intacto o carisma fundacional. Foi eleita Madre geral das Irmãs da Companhia da Cruz em 11 de Fevereiro de 1977, sendo antes Superiora das casas de Estepa e Villanueva del Río y Minas, Mestra de noviças e Conselheira geral.
Austera e pobre para consigo mesma - "Do pouco, pouco", dizia - fazia viver as irmãs no espírito do Instituto e na fidelidade às coisas pequenas e se entregou a todos os que dela necessitavam, especialmente as meninas dos internos. Também os pobres e enfermos ocupavam lugar privilegiado em seu coração. Assim atendia com verdadeiro carinho às anciãs enfermas das "cuevas" de Villanueva del Río y Minas, quando esteve ali  como Superiora. Diariamente pela manhã ia até as "cuevas" para atende-las: as lavava, fazia sua comida, e lavava suas roupas. Sempre separava para si mesma os mais duros trabalhos. Governou a Companhia com incansável zelo e grande espírito de Irmã da Cruz. Seu ideal foi fazer viver o carisma da Santa Madre Fundadora e com sua vida simples, humilde e cheia de fé, dar exemplo. Foi fiel seguidora de sua obra, e deixou no coração de todas suas filhas desejos ardentes de imitar seu amor a Deus e a seu Santo Instituto.

Faleceu em 31 de outubro de 1998.
Foi beatificada em 18 de setembro de 2010, em Sevilha, Espanha.




Oração
Te damos graças Senhor e nosso Pai
por haver glorificado em sua Igreja a Madre Maria da Puríssima da Cruz,
que renunciou a tudo para seguir-te pelo caminho de humildade e pobreza,
imitando assim a seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor.

Faz que o exemplo de sua vida suscite em muitas almas o desejo de seguir-te mais de perto,
servindo-lhe  na pessoa dos pobres e enfermos necessitados.

Digna-te conceder-nos por tua intercessão, a graça que te pedimos. Amém.
P-N, A-M e G-P



santa Teresinha do Menino Jesus: uma congregada mariana colegial



Alexandre Martins, cm

Maio de 2010


É sabido que dezenas de santos e bem aventurados participaram das Congregações Marianas e muitos ainda as fizeram florescer e as divulgaram o mais que puderam. Dos Pontífices, outras dezenas foram Congregados marianos e talvez o maior deles seja o Venerável Pio XII, por sua defesa intransigente das Congregações de Maria.

Porém, uma dificuldade em saber qual foi realmente um membro de uma Congregação Mariana - e, por conseguinte, um Congregado mariano, pois antigamente somente permanecia na associação quem se consagrava à Virgem Maria – é a falta de uma documentação adequada. Os hagiógrafos coletam muita informação e tendem a deixar de lado vários pormenores para focar numa atitude ou obra que seria o mais interessante para os leitores na sua opinião. De santa Rita de Cássia, por exemplo, falam muito da chaga da Paixão na sua testa, mas quase nada do ramo seco que ela regava como se vivo por obediência. Se escreve muito sobre a bilocação de são Pio de Pietrelcina, mas nada sobre sua conversa real e presencial com o seu Anjo da Guarda desde criança. Que diremos então da quase inexistência das citações sobre a participação de um santo nas Congregações Marianas?. No caso específico de santa Teresinha, mesmo as ditas “cronologias completas” de sua vida nada dizem de seu ingresso na Congregação Mariana no mesmo dia de sua Primeira Comunhão, ou seja, aos 8 de maio de 1884, aos 11 anos.

A bem da justiça nem sempre é culpa do escritor, pois somente alguém que conhece a fundo a história das Congregações Marianas pode distinguir aquela citada “associação mariana” de uma autêntica Congregação de Maria. Isto porque os nomes diferiam á época: Congregação de Maria, Pia União de Maria, Sodalício Mariano, etc. Mas uma leitura atenta de um especialista sabe diferenciar que agremiação é aquela.

Em santa Teresinha do Menino Jesus temos uma grande documentação de sua vida. E toda confeccionada pela própria por obediência a suas superioras. Na carta que reproduzimos aqui a própria Teresa nos dá a informação de sua Consagração marial em uma Congregação Mariana.

Santa Teresinha cita o termo “filhas de Maria”, o nome das participantes das Pias Uniões das Filhas de Maria1. À época eram associações que agrupavam moças solteiras e que se dedicavam primeiramente à Catequese paroquial, cultivando hábitos piedosos e morais que as distinguiam das demais jovens católicas.

Mas como sabemos que a “pia-união” de que fala a Flor de Alençon é realmente uma Congregação Mariana e não outra associação? Simples.Na Abadia beneditina a associação era dirigida somente às alunas. Isso é uma característica peculiar das Congregações Marianas. À época era comum em vários colégios as Congregações de Maria para alunos.

Sanada a dúvida, vejamos a carta autógrafa da santa francesa a Madre São Plácido2


Jesus

Carmelo, Dezembro de 18883


Minha Querida Mestra


Muito me sensibiliza a vossa amável atenção. Foi com prazer que recebi a carta circular das Filhas de Maria4 . De certo não deixarei de assistir em espírito a esta linda festa. Pois, não foi nesta capela bendita que a Santíssima Virgem se dignou adotar-me por a filha, no belo dia da minha primeira Comunhão e da minha recepção na Congregação das Filhas de Maria.

Não poderia esquecer, minha querida Mestra, que bondosa fostes comigo, nessas grandes épocas da minha vida, e não posso duvidar que a graça insigne da minha vocação religiosa germinou nesse feliz dia, em que rodeada das minhas boas Mestras, fiz a Maria consagração de mim mesma, ao pé do seu altar, escolhendo-A de um modo especial por Mãe, no dia em que pela manhã tinha recebido a Jesus pela primeira vez. Gosto de pensar que Ela não olhou então para a minha indignidade, e que na sua grande bondade se dignou tomar em consideração a virtude das caras Mestras, que com tanto cuidado me prepararam o coração para nele receber seu Divino Filho. Gosto de pensar que foi ainda por esta razão que Ela me quis tornar ainda mais perfeitamente Sua filha, concedendo-me a. graça de me conduzir ao Carmelo.

Creio, minha cara Mestra, que vos puseram ao corrente da doença de meu Pai muito querido. Temi durante, alguns, dias, que Nosso Senhor o arrebatasse à minha ternura; mas Jesus dignou-se fazer a graça de o restabelecer para o momento de minha vestição.

Todos os dias contava escrever-vos, para vos dar parte da minha recepção no Capítulo5, mas não sabendo o momento que o Senhor Bispo se dignaria fixar 6, esperava sempre.

Espero, minha querida Mestra, que não tomastes atraso por indiferença. Oh! não, o meu coração é sempre o mesmo; creio que depois da minha entrada no Carmelo se tornou ainda mais terno e amante. Assim, penso muito em todas as minhas boas Mestras e gosto de as nomear em particular a Jesus, durante as horas benditas que passo a seus pés. Ouso pedir-vos, minha querida Mestra, a fineza de serdes minha intérprete junto delas para me recordarem em sua religiosa lembrança em particular à Sra. Priora à qual conservo a mais filial e reconhecida afeição. Dignai-vos também não me esquecer junto de minhas companheiras das quais sou sempre a irmãzinha em Maria.

Adeus, minha querida Mestra. Espero que não olvidareis em vossas santas orações a que é e será sempre vossa reconhecida filha.


Sor. Teresa do Menino Jesus

post. carm. ind.7



__________________________________

1- Embora há registros das Pias Uniões desde princípios do século XII, patrocinadas pela Ordem dos Cônegos regulares. O início mais aceito das Pias Uniões é da paróquia de Santa Inês Extra-muros em Roma, Itália. Em 1864, sobre o túmulo da própria virgenzinha, foi a Pia União, por cuidado do Pe Passéri, canonicamente ereta com regras e manual aprovado pela autoridade eclesiástica. O novo título foi de “Pia União das Filhas de Maria sob o patrocínio da Virgem Imaculada e de santa Inês, virgem e mártir”. Esta Pia União foi enriquecida com muitas indulgências e privilégios pelo papa Pio IX em Breve de 16/1/1866. O mesmo, em Breve de 16/2/1866, a elevou à dignidade de Primária, concedendo ao pároco de Santa Inez e, depois por Breve de 4/2/1870, ao Abade geral dos Cônegos regulares de Latrão, a faculdade de agregar todas as outras eretas ou a erigir em qualquer parte do mund, e de lhes comunicar as indulgências e os privilégios de que goza a mesma primária. Atualmente, há poucas Pias Uniões no Mundo em comparação à época, mas ainda tem o mesm o ideal de antes.

2 - Diretora do Pensionato na Abadia das Beneditinas de Lisieux, falecida a 10 de Dezembro de 1900.

3 - Carta dos começos de Dezembro de 1888. - in “Cartas de S. Teresa do Menino Jesus”, tradução do pe. Mariano Pinho , SJ., Obra das Vocações Sacerdotais, Salvador, BA, 1952, pp. 112-113

4 - A Abadia das Beneditinas de Lisieux preparava-se para celebrar a 13 de dezembro de 1888 o vigésimo aniversário de fundação das Congregação Mariana feminina para alunas do Pensionato. Teresa, como todas as antigas alunas que tinham feito parte desta associação, recebeu o bilhete de convite para a festa.

5 - trata-se da admissão à tomada de hábito que se dependia do Capítulo conventual.

6 - Para a cerimônia de Vestição de hábito a que monsenhor Hugonin devia presidir.

7 - esta carta e as outras lembranças de s. Teresa, conservadas pelas Beneditinas de Lisieux, desapareceram com os bombardeios que destruíram a Abadia em junho de 1944.

Bem-aventurada Catarina Tekakwitha



Mártir, †1680
Alexandre Martins, cm.


Era uma índia, nascida em 1656 em Ossemon, perto de Port Orange, atual Albany, Canadá. Filha de índios de tribos diferentes; o pai era iroquês pagão e sua mãe algonquina cristã. Era da nação indígena Mohawks–Iroquês.

A mãe de Catarina foi evangelizada juntamente com a tribo Algonquin e fora batizada pelos jesuítas, mas raptada na guerra e levada pelos ferozes iroqueses, uniu-se ao chefe, e desta forma nasceu Catarina.

Como católica, sua mãe desejava que sua filha também fosse batizada e recebesse o nome de Catarina, em homenagem a Santa Catarina de Alexandria. Mas o costume iroquês determinava que o chefe da tribo escolhesse o nome de todas as crianças da nação, e para a criança escolheram Tekakwitha (“a que coloca as coisas em ordem”). Sua mãe, em segredo, a chamava de “Catarina” e desde o colo ensinava orações e cânticos cristãos.

A pequena Takakwitha, aos 4 anos, experimenta uma tragédia em sua tribo: uma epidemia de varíola mata um grande numero de índios e entre eles seus pais. Tekakwitha conseguiu sobreviver com grave diminuição da visão e com o rosto desfigurado.

Catarina foi levada pelos tios e por eles educada e criada nos costumes pagãos da tribo. Foi maltratada, humilhada, e era discriminada pelos familiares, que a tinham de pouca serventia.Apesar de toda a idade, nutria em seu coração, sentimentos cristãos.. Repetia em silencio as orações que aprendera da mãe e meditava os princípios básicos da fé católica, também ouvidos de sua mãe. A jovem Tekakwitha acompanhava a tribo, na busca do alimento diário pelas florestas e lá contemplava o amor de Jesus olhando para a tosca cruz que ela mesma confeccionara com galhos secos de arvores.

Com o passar do tempo, Catarina repetia para as crianças da tribo as historias que sua mãe contava sobre Jesus. Enquanto tecia, evangelizava os pequenos iroqueses.Sempre que era abordada pelos familiares sobre seu casamento, ela respondia com calma e serenidade que tinha Jesus como seu único esposo. Isso causou indiferença e posterior exclusão da tribo.

Ser expulso da tribo é algo muito grave para qualquer indígena, pois representava praticamente uma sentença de morte. A pessoa era deixada à própria sorte no meio da floresta, tendo de sobreviver por suas próprias forças.

Catarina, sabendo da existência das missões jesuítas, consegue chegar a Missão de S. Francisco Xavier, em Sault, perto de Montreal, em 1675, quase esgotada. Recebeu o batismo em 18 de abril de 1676, dia de Páscoa, das mãos do Pe. Jacques de Lamberville, que lhe impôs o nome de Katerine (Catarina). Tinha 20 anos. Assim realizava o sonho de sua mãe, passando a chamar-se Catarina Tekakwitha.

Desde aquele momento, Catarina consagrou-se totalmente a Cristo, na virgindade consagrada ao Esposo Divino, e finalmente pode alimentar-se de Jesus na Eucaristia. Os padres missionários ficaram pasmados em reconhecer naquela alma eleita, ensinada unicamente pelo Espírito Santo em tantos anos de isolamento, e com virtudes cristãs de elevada perfeição. Quando veio a encontrar pela primeira vez os missionários, já estava preparada para o batismo. Amou, viveu e conservou o seu cristianismo só com a ajuda da graça, longe de qualquer outro companheiro de fé por muitos anos.

Foi nesta Missão jesuíta que participou ativamente da Congregação Mariana.

Sempre ocupada nos serviços da Missão e da Congregação Mariana, a sua dedicação impressionava a todos. Sua disponibilidade, carinho e afeição pelos irmãos doentes e idosos era realmente maternal. Jamais descuidava da vida de oração, da penitência e dos sacrifícios oferecidos por amor.

No ano de 1680, quando completara 24 anos, foi acometida por uma grave doença, que alem de causar dores horríveis, consumia suas forças a cada dia. Sempre no silencio resignado, sem queixas nem murmúrios, Catarina sofria e amava e tudo oferecia à Jesus pela conversão de sua tribo.

Já sem forças físicas mas cheia de fé, a jovem Catarina, entrega sua alma ao Senhor. Era dia 17 de abril de 1680. Momentos antes de morrer seu rosto, antes desfigurado pela varíola, torna-se belo e sem manchas e de uma beleza celestial. Seus olhos, antes quase cegos, tornaram-se brilhantes e iluminados. Suas ultimas palavras foram: “Meu Jesus, Eu Te Amo!”.

Rapidamente se difundiu a fama das suas virtudes. Catarina foi importante para a conversão de muitos irmãos da mesma etnia. É chamada de “A Rosa dos Iroqueses”.

O pedido de beatificação partiu dos membros da tribo, e muitos estavam presentes na praça de São Pedro em junho de 1980, quando o Papa declarava bem-aventurada Catarina Tekakwitha.

No ano de 2002, o Papa João Paulo II a elegeu padroeira da 17º Jornada Mundial da Juventude, realizada no Canadá. Ao lado de São Francisco de Assis, a beata Catarina Tekakwitha foi declarada Padroeira do Meio-Ambiente e da Ecologia. Sua memória se comemora em 17 de abril.

Que o exemplo da Congregada mariana Catarina Takakwitha, nos inspire na perseverança e na fidelidade ao nosso batismo.

Espiritualidade das Congregações Marianas, A


A Espiritualidade das Congregações Marianas

– sucessos e fracassos -


Dr. Alejo Soto Lara, cm.*

tradução e versão de Alexandre Martins, cm.



Do livro de H. Rahner, SJ. sobre Inacio de Loyola transcrevo esta parte: “Fabro é mestre em colóquio e na direção espiritual, e na arte de dar exercícios somente Inácio o superou. Com eles conseguiu enormes triunfos em toda a Europa. A visão de Inácio sobre a eficácia de seus exercícios não tinha sido desmentida. Seus inimigos não puderam evitar que seguisse seu caminho inalterável. Os exercícios não são letra morta; são de atualidade ainda ou mais que antes. Rebaixar seu mérito, desdenha-los, é insultar uma límpida execução de quatro séculos de espiritualidade renovada.”

A espiritualidade das Congregações Marianas é a dos exercícios inacianos que inspiram, iluminam e proporcionam recursos para viver comprometidamente as promessas do Batismo. Essa espiritualidade é, como dizia S. Inácio, do “sempre mais”.

Sempre mais santidade, a maior possível, no congregado mariano para que seu influxo saudável beneficie as almas, fomentando uma vida piedosa com a prática das obras de caridade em favor dos mais necessitados. A doutrina cristã nos ensina ao mesmo tempo nos pede que visitemos em enfermos e encarcerados. Cada vez mais perfeito o ajuste entre a fé e a moral para um testemunho cristão coerente e convincente. Cada vez mais em atitude apostólica; cada congregado mariano convertido, pela graça de Deus, em autêntico apóstolo da Glória de Deus e de sua Santíssima Mãe, procurará atrair às Congregações Marianas todos aqueles que ver aptos a agregar-se a elas. O zelo apostólico se manifestara através das obras de misericórdia corporais e espirituais.

O congregado mariano com infatigável perseverança há de ser cada vez mais generoso, mais valente, mais piedoso e também mais humilde, e com estes motivos, sob o patronato protetor da Santíssima Virgem Maria, ganhar para Cristo os homens de hoje, lutando pela verdade com as armas da verdade.

Cada vez mais necessitamos de gente jovem com espírito generoso, para promover, neste tempo como em outros, os interesses de Cristo e de sua Igreja.

Sempre mais intensa a devoção mariana porque Maria, nossa Mãe, é a Padroeira principal e nosso afeto com ela há de ser especial. O congregado mariano procura imitar suas altíssimas virtudes, se confia a ela e com filial piedade a ama e a serve.

Uma vez o Venerável Paulo VI saudou as Congregações Marianas de todo Mundo com as seguintes palavras: “Quanta matéria de admiração e reflexão para nós... ao saber que a vossa se polariza em torno da Bem-aventurada Virgem Maria, que nos tem dado a Cristo, e que nasce da devoção aos mistérios e as virtudes de Jesus e de Maria, fundamento magnífico de vossa espiritualidade... os exercícios inacianos são eminentemente cristológicos.

A Consagração à Mãe de Deus nas Congregações Marianas é um dom completo de si mesmo, dom que não é de boca ou de emoção, senão afeto, realizado na intensidade da vida cristã e mariana, na vida apostólica que faz do congregado mariano o ministro de Maria e suas mãos visíveis sobre a Terra.

Por sua consagração, o congregado mariano aceita livre e resolutamente seu tríplice mandato: santificação, apostolado e defesa da Igreja de Cristo.

A Consagração à Santíssima Virgem Maria nos compromete a servir a Igreja e procurar a salvação eterna das almas, pela oração, a ação e o exemplo das virtudes, também a viver uma vida cristã fervorosa, mais apostólica e mais militante, cumprindo com as regras da Congregação, imitando as virtudes de Maria Santíssima, rendendo-lhe culto e serviço e a ser seus devotos arautos procurando em nada causar-lhe desagrado.

Os congregados sempre estão sob a amorosa observação de Maria Virgem e tem dela uma atenção particularíssima, são guiados por ela para alcançar a perfeição cristã, contam com sua proteção e auxílio e chegam a ser perfeitos seguidores de Cristo; a Consagração é um refúgio contra as tentações, um motivo de confiança na oração, um estímulo na luta de todos os dias ao serviço de Deus, nos faz sua propriedade e por isto afasta de nós os maus pensamentos, nos dá valor para empreender grandes coisas, para vencer o respeito humano, para afastar o egoísmo, para servir e obedecer pacientemente, nos inclina à pureza e à humildade e à caridade, ao ódio do pecado para resistir e combatê-lo.

O congregado mariano, orgulhoso de pertencer a Jesus e a Maria, sabe que ela o incita a fazer tudo aquilo que Jesus manda ou deseja e assim se faz possível o lema mariano que diz: “a Jesus por Maria.”

A Igreja tem encomendado às Congregações Marianas o apostolado onímodo, sendo a lista de atividades muito variada: apostolado dos Exercícios Espirituais, da oração, da dor, da Palavra, da pena, da imprensa, do debate, na política, na apologética, no fomento da Eucaristia, na catequese e evangelização, na visita aos enfermos em suas casas e hospitais, aos reclusos nas prisões, aos pobres, às crianças abandonadas, aos lares abandonados, perseguindo a imoralidade pública e na justiça pelejando pelos direitos humanos, entre operários e entre empresários, nas Universidade e escolas, entre profissionais e políticos e nas altas esferas do poder.

As Congregações Marianas dependem inteiramente da Hierarquia Eclesiástica no que se refere a empreender e realizar suas obras. O trabalho das Congregações Marianas pela salvação das almas se empreende som a direção dos Sagrados Pastores e por isso se devem chamar, com toda a razão, cooperadores do apostolado hierárquico.

O apostolado dos leigos consiste em que estes assumam tarefas que derivam da missão confiada por Cristo a sua Igreja; todos os membros dela estão chamados a colaborar na edificação e aperfeiçoamento do Corpo Místico de Cristo; o apostolado leigo se deve colocar entre os principais deveres da vida cristã.

Como membros da Igreja, nela e com ela, louvar o Criador, reprovar o que ela não aprova, sentir com ela como ela, sem nos envergonharmos nunca de nossa pertença, nem particularmente nem em público, fiéis e obedientes porque é nossa Mãe e Mestra.

Digamos algo sobre o que são as Congregações Marianas:

São como um pacífico exército mariano que procura, diligentemente, uma sólida formação espiritual na qual apoia sua atividade apostólica. Não são simples associações de piedade, mas escolas de perfeição e de apostolado para aqueles que desejam responder com generosidade aos impulsos da Graça, e buscar e praticar em tudo a Vontade Divina.

As Congregações Marianas são associações cheias de espírito apostólico que estimulando a seus membros o caminho de santidade, os induzem a trabalhar pela salvação eterna e perfeição cristã pessoal e do próximo fazendo deles apóstolos verdadeiros da Virgem Mãe Maria e de Deus e proclamadores excelentes do Reino de Cristo. As Congregações Marianas podem chamar-se com justiça “Ação Católica sob a autoridade da Hierarquia Eclesiástica.

As regras das Congregações Marianas caminham para esta excelência espiritual, fazendo acessíveis os cumes da santidade graças aos meios que tão proveitosamente fazem de seus consagrados, prefeitos e absolutos seguidores de Cristo. Tais meios são:

Os Exercícios Espirituais, a meditação pessoal e o exame de consciência, a vida da Graça através dos Sacramentos, o trato submisso e filial com um diretor espiritual fixo.

A Consagração total e perpétua de si mesmo ao serviço da Virgem e a firme promessa de trabalhar na perfeição cristã e dos irmãos.

Finalmente, algo sobre o congregado mariano.

A vida do congregado mariano é nutrida pelas fontes da piedade cristã e procura o impulso da caridade para a ação. Os congregados marianos abraçam com gosto uma vida consagrada e dedicada à santidade e ao apostolado porque se comprometeram a seguir fielmente este gênero de vida até sua morte.

Cresce, assim, o afã de avançar mais e mais naquela admirável atitude da alma, de não buscar em todas as coisas senão a aprovação de Deus, servindo à Igreja na procura constante de salvar almas pela oração e pelo exemplo na prática das virtudes.


Portanto, as fontes de seu espírito apostólico são: a oração, a piedade, a Eucaristia, a superabundante vida interior. Uma vida com fervor, um crescimento incessante no amor de Deus como fundamento do zelo pelas almas, sem a qual não há verdadeiras Congregações Marianas.

O transbordamento de uma vida interior intensa se traduz em uma caridade sobrenatural, doadora e paciente, que toque e chegue a alma do próximo.

Os Sucessos são que, se, por graça de Deus, as Congregações Marianas nasceram da Companhia de Jesus no século XVI, por sua vez delas nasceram inumeráveis vocações sacerdotais, não somente nessa Companhia mas também para outras Ordens.

Apenas das Congregações Marianas da Paróquia do Verbo Encarnado e Sagrada Família surgiram dois jesuítas, dois dominicanos, um franciscano, dois padres seculares e um Legionário de Cristo, dois diáconos, duas vocações femininas à vida consagrada, bem como dez matrimônios cristãos entre congregados marianos. Das Congregações Marianas na Europa, cerca de vinte Papas foram congregados marianos.

Os Fracassos são nenhum, porque “a figueira não dará fruto e não haverá frutos nas vinhas. Decepcionará o produto da oliveira e os campos não darão de comer. Eu, porém, me alegrarei em Javé, exultarei no Deus de minha salvação!” (Hab 3,17-18)

Porque o Senhor é o Senhor da História e o triunfo é do amor!

A Jesus por Maria!


* * *


(*) - congregado mariano na Congregação Mariana da Paróquia do Verbo Encarnado e Sagrada Família, Colonia Roma, México. Transcrição da palestra proferida na Congregação em 2006.

Revistas alemãs oferecem 1 milhão para caluniar o Papa

Revistas alemãs oferecem até 1 milhão de euros para quem caluniar o Santo Padre.

Mídia laicista  alemã começa a incentivar calúnias contra o Santo Padre Bento XVI.

Segundo o Site alemão Kreuz.net a revista alemã
“Der Spiegel” está oferecendo 1 milhão de Euros para quem caluniar o Santo Padre de abusos sexuais. O objetivo é levantar uma onda de difamações contra o Sucessor de Pedro.

A revista Schmiermagazine está oferecendo os mesmos valores a ex-seminaristas que foram alunos do Santo Padre nas décadas de 60 e 70 que caluniarem o Romano Pontífice por abusos.

O intuito destas revistas é a calúnia e a difamação, eles querem que alguém acuse o Papa para levantar rumores e suspeitas, não lhes interessa a verdade, apenas atacar a moral do Pontífice.

Veja você mesmo.
Kreuz.Net
Glóra.Tv

O passeio público

- a partir do texto "Passeio Socrático", de Frei Betto
Alexandre Martins


Até hoje não viajei pelo Oriente. Não fui patrocinado por nenhuma ONG ou partido político. Já vi monge budista em minha própria cidade natal, São Gonçalo. Era professor de kung fu e se ressentia por ser um professor de artes marciais orientais que não era oriental. Os que o viam não acreditavam na qualidade de suas aulas justamente por não ter olhos puxados, por mais que se vestisse de açafrão e por mais que fosse mestre nos variados estilos marciais.

Não preciso ir em nenhum aeroporto para ver a neurastenia dos executivos. Basta cruzar a ensolarada Baía da Guanabara nas barcas pelas manhãs e vê-los trajando roupas caras e modernas, com mochilas mais caras ainda e celulares milionários. Aliás, nunca entendi esta mania estadunidense de trajar um costume bem cortado com uma mochila de grife. Essas visões me incomodam: é preciso isso para ser um profissional de sucesso? Um grande consultor de empresas disse certa vez que "costumes são para os empregados; os donos de empresa usam mocassins". Acredito nele.

Vejo os jovens do meu bairro meditando em frente a um monitor de computador. Não estão pesquisando na Rede para a aula do dia seguinte. Nem ao menos conversando com um amigo do Japão. Estão procurando passar a fase de God of War ou escalar a Seleção Brasileira Virtual. Quando era criança, os garotos saíam correndo da aula pra jogar bola num terreno baldio e as garotas jogavam queimado na rua asfaltada (dava pra riscar com giz). Vejo os jovens de hoje com a mesma preocupação que os adultos de ontem viam os jovens de hoje. Antes diziam: "esses garotos não largam a televisão". Hoje não se diz nada, mas não se percebe que os garotos são como que dopados, como bêbados andando pelas ruas e nem desviam das pessoas nas calçadas? Escalar uma seleção virtual não dá a mesma experiência de escalar um time entre vizinhos do bairro. Como vou conviver com outros no meu trabalho futuro se apenas vi personagens animados?

Vi uma curiosa idéia de como ser asseado numa igreja: a "vela virtual". Bastam algumas moedas e liga-se um botão para acender uma lâmpada de diodo tremulante. O efeito é o de uma vela laranja. Acabou-se o "cheiro de igreja" - um misto de madeira encerada, incenso e cera de velas queimadas... Fica muito asséptico. Não desperta nada de psicossomático. Parece como olhar para os azulejos brancos de um banheiro de clube, ao invés do muro de uma casa antiga, com seus sinais do tempo, infiltrações, mofos, musgos, demonstrando em cada um deles anos ou décadas. Sou virtual no contato com as pessoas e também o sou com meu Deus?

Não sei quantos ainda ficam plantados em frente à televisão num Domingo à tarde. Antigamente os habitantes de Fortaleza saíam da praia às quinze horas somente para prestigiar um apresentador domingueiro. Todos os mais pobres hoje tem televisão aberta. Os mais ricos hoje tem televisão a cabo. E os pobres sem escrúpulos roubam o sinal de televisão dos ricos. Ambos, ricos e pobres, compram produtos chineses. Apenas os ricos os compram sem saber nos shoppings e os pobres compram conscientemente no comércio ambulante ou "informal" no jargão politicamente correto. Não interessa o "bom produto", mas apenas o "ter o produto".

Nunca vi ninguém ir a um shopping com "roupa de Domingo" - será que hoje em dia se sabe o que é isso? - pois mesmo nas igrejas em locais de veraneio os fiéis são incentivados a irem de bermuda florida e chinelo à Missa.

Não basta ter amizade e não ter estresse para ter uma boa saúde mental. Estudos recentes descobriram algo que todas as culturas sabiam e que somente nestas últimas décadas a sociedade achou supérfluo: a religião. Ter uma religião e praticá-la "religiosamente" é saudável para o ser humano. Mais do que apenas "meditar", mais do que apenas cultivar autoestima...

Mas há "pessoas diferentes" em certos shoppings: são os garotos que vestem uma bermuda diferente para passarem desapercebidos e vão na primeira loja de grife comprar um tênis que será pago em dezenas de prestações. Mas mesmo assim são vigiados por seguranças como se fossem "big-brothers". Aliás, todos os shoppings são monitorados exaustivamente por câmeras, assim como em muitas áreas das cidades modernas.

Desde que surgiu a Revolução Industrial e o Pensamento Marxista houve alguém discursando contra o consumismo e o mercado. Parecem aqueles barbudos como o Profeta Gentileza pregando no meio dos engarrafamentos. Se não fosse o desejo de comer pimenta, a Europa não teria conhecido outros países, e não teria comido macarrão. O Mercado pode ser útil, como tudo no mundo, desde que não sejamos escravizados por ele, como tudo no mundo pode nos escravizar.

Não perderia meu tempo explicando ao jovem comerciário que estou fazendo apenas um passeio público. Apenas falar com ele e não deixá-lo vender alguma coisa para mim fará nele algo terrível: perderá a sua vez na porta, irá para o fim da fila dos vendedores daquela loja e não cumprirá sua meta de vendas para o dia, o que talvez contará mais para sua demissão.

Ainda mais, ele não quer saber de nada de mim. Apenas é uma peça na engrenagem de venda desta criação estadunidense. É apenas mais um tijolo no muro.

Prefiro fazer um passeio público. É o nome do primeiro parque da cidade do Rio de Janeiro, ainda no século XIX e ainda existente. Nada mais do que caminhar sob frondosas árvores, com amigos ou com a pessoa amada. Se havia este passeio nos tempos antigos, hoje se faz o mesmo passeio, não sob árvores, mas em um ar refrigerado. Ainda com amigos, não entre grades de ferro, mas entre paredes grossas. Não comprando, mas apenas vendo coisas bonitas criadas pelo Homem, que é uma bonita coisa criada por Deus.

Rezemos antes do sanduíche, demos graças a Deus pelo suco de pitanga...