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Bem-aventurada Catarina Tekakwitha



Mártir, †1680
Alexandre Martins, cm.


Era uma índia, nascida em 1656 em Ossemon, perto de Port Orange, atual Albany, Canadá. Filha de índios de tribos diferentes; o pai era iroquês pagão e sua mãe algonquina cristã. Era da nação indígena Mohawks–Iroquês.

A mãe de Catarina foi evangelizada juntamente com a tribo Algonquin e fora batizada pelos jesuítas, mas raptada na guerra e levada pelos ferozes iroqueses, uniu-se ao chefe, e desta forma nasceu Catarina.

Como católica, sua mãe desejava que sua filha também fosse batizada e recebesse o nome de Catarina, em homenagem a Santa Catarina de Alexandria. Mas o costume iroquês determinava que o chefe da tribo escolhesse o nome de todas as crianças da nação, e para a criança escolheram Tekakwitha (“a que coloca as coisas em ordem”). Sua mãe, em segredo, a chamava de “Catarina” e desde o colo ensinava orações e cânticos cristãos.

A pequena Takakwitha, aos 4 anos, experimenta uma tragédia em sua tribo: uma epidemia de varíola mata um grande numero de índios e entre eles seus pais. Tekakwitha conseguiu sobreviver com grave diminuição da visão e com o rosto desfigurado.

Catarina foi levada pelos tios e por eles educada e criada nos costumes pagãos da tribo. Foi maltratada, humilhada, e era discriminada pelos familiares, que a tinham de pouca serventia.Apesar de toda a idade, nutria em seu coração, sentimentos cristãos.. Repetia em silencio as orações que aprendera da mãe e meditava os princípios básicos da fé católica, também ouvidos de sua mãe. A jovem Tekakwitha acompanhava a tribo, na busca do alimento diário pelas florestas e lá contemplava o amor de Jesus olhando para a tosca cruz que ela mesma confeccionara com galhos secos de arvores.

Com o passar do tempo, Catarina repetia para as crianças da tribo as historias que sua mãe contava sobre Jesus. Enquanto tecia, evangelizava os pequenos iroqueses.Sempre que era abordada pelos familiares sobre seu casamento, ela respondia com calma e serenidade que tinha Jesus como seu único esposo. Isso causou indiferença e posterior exclusão da tribo.

Ser expulso da tribo é algo muito grave para qualquer indígena, pois representava praticamente uma sentença de morte. A pessoa era deixada à própria sorte no meio da floresta, tendo de sobreviver por suas próprias forças.

Catarina, sabendo da existência das missões jesuítas, consegue chegar a Missão de S. Francisco Xavier, em Sault, perto de Montreal, em 1675, quase esgotada. Recebeu o batismo em 18 de abril de 1676, dia de Páscoa, das mãos do Pe. Jacques de Lamberville, que lhe impôs o nome de Katerine (Catarina). Tinha 20 anos. Assim realizava o sonho de sua mãe, passando a chamar-se Catarina Tekakwitha.

Desde aquele momento, Catarina consagrou-se totalmente a Cristo, na virgindade consagrada ao Esposo Divino, e finalmente pode alimentar-se de Jesus na Eucaristia. Os padres missionários ficaram pasmados em reconhecer naquela alma eleita, ensinada unicamente pelo Espírito Santo em tantos anos de isolamento, e com virtudes cristãs de elevada perfeição. Quando veio a encontrar pela primeira vez os missionários, já estava preparada para o batismo. Amou, viveu e conservou o seu cristianismo só com a ajuda da graça, longe de qualquer outro companheiro de fé por muitos anos.

Foi nesta Missão jesuíta que participou ativamente da Congregação Mariana.

Sempre ocupada nos serviços da Missão e da Congregação Mariana, a sua dedicação impressionava a todos. Sua disponibilidade, carinho e afeição pelos irmãos doentes e idosos era realmente maternal. Jamais descuidava da vida de oração, da penitência e dos sacrifícios oferecidos por amor.

No ano de 1680, quando completara 24 anos, foi acometida por uma grave doença, que alem de causar dores horríveis, consumia suas forças a cada dia. Sempre no silencio resignado, sem queixas nem murmúrios, Catarina sofria e amava e tudo oferecia à Jesus pela conversão de sua tribo.

Já sem forças físicas mas cheia de fé, a jovem Catarina, entrega sua alma ao Senhor. Era dia 17 de abril de 1680. Momentos antes de morrer seu rosto, antes desfigurado pela varíola, torna-se belo e sem manchas e de uma beleza celestial. Seus olhos, antes quase cegos, tornaram-se brilhantes e iluminados. Suas ultimas palavras foram: “Meu Jesus, Eu Te Amo!”.

Rapidamente se difundiu a fama das suas virtudes. Catarina foi importante para a conversão de muitos irmãos da mesma etnia. É chamada de “A Rosa dos Iroqueses”.

O pedido de beatificação partiu dos membros da tribo, e muitos estavam presentes na praça de São Pedro em junho de 1980, quando o Papa declarava bem-aventurada Catarina Tekakwitha.

No ano de 2002, o Papa João Paulo II a elegeu padroeira da 17º Jornada Mundial da Juventude, realizada no Canadá. Ao lado de São Francisco de Assis, a beata Catarina Tekakwitha foi declarada Padroeira do Meio-Ambiente e da Ecologia. Sua memória se comemora em 17 de abril.

Que o exemplo da Congregada mariana Catarina Takakwitha, nos inspire na perseverança e na fidelidade ao nosso batismo.

Espiritualidade das Congregações Marianas, A


A Espiritualidade das Congregações Marianas

– sucessos e fracassos -


Dr. Alejo Soto Lara, cm.*

tradução e versão de Alexandre Martins, cm.



Do livro de H. Rahner, SJ. sobre Inacio de Loyola transcrevo esta parte: “Fabro é mestre em colóquio e na direção espiritual, e na arte de dar exercícios somente Inácio o superou. Com eles conseguiu enormes triunfos em toda a Europa. A visão de Inácio sobre a eficácia de seus exercícios não tinha sido desmentida. Seus inimigos não puderam evitar que seguisse seu caminho inalterável. Os exercícios não são letra morta; são de atualidade ainda ou mais que antes. Rebaixar seu mérito, desdenha-los, é insultar uma límpida execução de quatro séculos de espiritualidade renovada.”

A espiritualidade das Congregações Marianas é a dos exercícios inacianos que inspiram, iluminam e proporcionam recursos para viver comprometidamente as promessas do Batismo. Essa espiritualidade é, como dizia S. Inácio, do “sempre mais”.

Sempre mais santidade, a maior possível, no congregado mariano para que seu influxo saudável beneficie as almas, fomentando uma vida piedosa com a prática das obras de caridade em favor dos mais necessitados. A doutrina cristã nos ensina ao mesmo tempo nos pede que visitemos em enfermos e encarcerados. Cada vez mais perfeito o ajuste entre a fé e a moral para um testemunho cristão coerente e convincente. Cada vez mais em atitude apostólica; cada congregado mariano convertido, pela graça de Deus, em autêntico apóstolo da Glória de Deus e de sua Santíssima Mãe, procurará atrair às Congregações Marianas todos aqueles que ver aptos a agregar-se a elas. O zelo apostólico se manifestara através das obras de misericórdia corporais e espirituais.

O congregado mariano com infatigável perseverança há de ser cada vez mais generoso, mais valente, mais piedoso e também mais humilde, e com estes motivos, sob o patronato protetor da Santíssima Virgem Maria, ganhar para Cristo os homens de hoje, lutando pela verdade com as armas da verdade.

Cada vez mais necessitamos de gente jovem com espírito generoso, para promover, neste tempo como em outros, os interesses de Cristo e de sua Igreja.

Sempre mais intensa a devoção mariana porque Maria, nossa Mãe, é a Padroeira principal e nosso afeto com ela há de ser especial. O congregado mariano procura imitar suas altíssimas virtudes, se confia a ela e com filial piedade a ama e a serve.

Uma vez o Venerável Paulo VI saudou as Congregações Marianas de todo Mundo com as seguintes palavras: “Quanta matéria de admiração e reflexão para nós... ao saber que a vossa se polariza em torno da Bem-aventurada Virgem Maria, que nos tem dado a Cristo, e que nasce da devoção aos mistérios e as virtudes de Jesus e de Maria, fundamento magnífico de vossa espiritualidade... os exercícios inacianos são eminentemente cristológicos.

A Consagração à Mãe de Deus nas Congregações Marianas é um dom completo de si mesmo, dom que não é de boca ou de emoção, senão afeto, realizado na intensidade da vida cristã e mariana, na vida apostólica que faz do congregado mariano o ministro de Maria e suas mãos visíveis sobre a Terra.

Por sua consagração, o congregado mariano aceita livre e resolutamente seu tríplice mandato: santificação, apostolado e defesa da Igreja de Cristo.

A Consagração à Santíssima Virgem Maria nos compromete a servir a Igreja e procurar a salvação eterna das almas, pela oração, a ação e o exemplo das virtudes, também a viver uma vida cristã fervorosa, mais apostólica e mais militante, cumprindo com as regras da Congregação, imitando as virtudes de Maria Santíssima, rendendo-lhe culto e serviço e a ser seus devotos arautos procurando em nada causar-lhe desagrado.

Os congregados sempre estão sob a amorosa observação de Maria Virgem e tem dela uma atenção particularíssima, são guiados por ela para alcançar a perfeição cristã, contam com sua proteção e auxílio e chegam a ser perfeitos seguidores de Cristo; a Consagração é um refúgio contra as tentações, um motivo de confiança na oração, um estímulo na luta de todos os dias ao serviço de Deus, nos faz sua propriedade e por isto afasta de nós os maus pensamentos, nos dá valor para empreender grandes coisas, para vencer o respeito humano, para afastar o egoísmo, para servir e obedecer pacientemente, nos inclina à pureza e à humildade e à caridade, ao ódio do pecado para resistir e combatê-lo.

O congregado mariano, orgulhoso de pertencer a Jesus e a Maria, sabe que ela o incita a fazer tudo aquilo que Jesus manda ou deseja e assim se faz possível o lema mariano que diz: “a Jesus por Maria.”

A Igreja tem encomendado às Congregações Marianas o apostolado onímodo, sendo a lista de atividades muito variada: apostolado dos Exercícios Espirituais, da oração, da dor, da Palavra, da pena, da imprensa, do debate, na política, na apologética, no fomento da Eucaristia, na catequese e evangelização, na visita aos enfermos em suas casas e hospitais, aos reclusos nas prisões, aos pobres, às crianças abandonadas, aos lares abandonados, perseguindo a imoralidade pública e na justiça pelejando pelos direitos humanos, entre operários e entre empresários, nas Universidade e escolas, entre profissionais e políticos e nas altas esferas do poder.

As Congregações Marianas dependem inteiramente da Hierarquia Eclesiástica no que se refere a empreender e realizar suas obras. O trabalho das Congregações Marianas pela salvação das almas se empreende som a direção dos Sagrados Pastores e por isso se devem chamar, com toda a razão, cooperadores do apostolado hierárquico.

O apostolado dos leigos consiste em que estes assumam tarefas que derivam da missão confiada por Cristo a sua Igreja; todos os membros dela estão chamados a colaborar na edificação e aperfeiçoamento do Corpo Místico de Cristo; o apostolado leigo se deve colocar entre os principais deveres da vida cristã.

Como membros da Igreja, nela e com ela, louvar o Criador, reprovar o que ela não aprova, sentir com ela como ela, sem nos envergonharmos nunca de nossa pertença, nem particularmente nem em público, fiéis e obedientes porque é nossa Mãe e Mestra.

Digamos algo sobre o que são as Congregações Marianas:

São como um pacífico exército mariano que procura, diligentemente, uma sólida formação espiritual na qual apoia sua atividade apostólica. Não são simples associações de piedade, mas escolas de perfeição e de apostolado para aqueles que desejam responder com generosidade aos impulsos da Graça, e buscar e praticar em tudo a Vontade Divina.

As Congregações Marianas são associações cheias de espírito apostólico que estimulando a seus membros o caminho de santidade, os induzem a trabalhar pela salvação eterna e perfeição cristã pessoal e do próximo fazendo deles apóstolos verdadeiros da Virgem Mãe Maria e de Deus e proclamadores excelentes do Reino de Cristo. As Congregações Marianas podem chamar-se com justiça “Ação Católica sob a autoridade da Hierarquia Eclesiástica.

As regras das Congregações Marianas caminham para esta excelência espiritual, fazendo acessíveis os cumes da santidade graças aos meios que tão proveitosamente fazem de seus consagrados, prefeitos e absolutos seguidores de Cristo. Tais meios são:

Os Exercícios Espirituais, a meditação pessoal e o exame de consciência, a vida da Graça através dos Sacramentos, o trato submisso e filial com um diretor espiritual fixo.

A Consagração total e perpétua de si mesmo ao serviço da Virgem e a firme promessa de trabalhar na perfeição cristã e dos irmãos.

Finalmente, algo sobre o congregado mariano.

A vida do congregado mariano é nutrida pelas fontes da piedade cristã e procura o impulso da caridade para a ação. Os congregados marianos abraçam com gosto uma vida consagrada e dedicada à santidade e ao apostolado porque se comprometeram a seguir fielmente este gênero de vida até sua morte.

Cresce, assim, o afã de avançar mais e mais naquela admirável atitude da alma, de não buscar em todas as coisas senão a aprovação de Deus, servindo à Igreja na procura constante de salvar almas pela oração e pelo exemplo na prática das virtudes.


Portanto, as fontes de seu espírito apostólico são: a oração, a piedade, a Eucaristia, a superabundante vida interior. Uma vida com fervor, um crescimento incessante no amor de Deus como fundamento do zelo pelas almas, sem a qual não há verdadeiras Congregações Marianas.

O transbordamento de uma vida interior intensa se traduz em uma caridade sobrenatural, doadora e paciente, que toque e chegue a alma do próximo.

Os Sucessos são que, se, por graça de Deus, as Congregações Marianas nasceram da Companhia de Jesus no século XVI, por sua vez delas nasceram inumeráveis vocações sacerdotais, não somente nessa Companhia mas também para outras Ordens.

Apenas das Congregações Marianas da Paróquia do Verbo Encarnado e Sagrada Família surgiram dois jesuítas, dois dominicanos, um franciscano, dois padres seculares e um Legionário de Cristo, dois diáconos, duas vocações femininas à vida consagrada, bem como dez matrimônios cristãos entre congregados marianos. Das Congregações Marianas na Europa, cerca de vinte Papas foram congregados marianos.

Os Fracassos são nenhum, porque “a figueira não dará fruto e não haverá frutos nas vinhas. Decepcionará o produto da oliveira e os campos não darão de comer. Eu, porém, me alegrarei em Javé, exultarei no Deus de minha salvação!” (Hab 3,17-18)

Porque o Senhor é o Senhor da História e o triunfo é do amor!

A Jesus por Maria!


* * *


(*) - congregado mariano na Congregação Mariana da Paróquia do Verbo Encarnado e Sagrada Família, Colonia Roma, México. Transcrição da palestra proferida na Congregação em 2006.