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O agir de verdadeiros Congregados marianos

Alexandre Martins, cm
23/03/2011 
 
 
prólogo: 
Circulou pela Rede um email caluniando Congregados marianos cariocas e endereçado às lideranças leigas da Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. 
O texto a seguir é uma resposta a acusações levianas às Congregações Marianas e foi vinculado da mesma forma pela Internet.

  

As Congregações Marianas - associações públicas de fiéis - são reconhecidas pela Igreja desde o século XVI, tendo a primeira CM sido fundada em 1563. O caráter marcial e sua obediência ao Magistério da Igreja fizeram sua fama por séculos e seu cultivo das virtudes cristãs proporcionaram até agora 90 santos e bem-aventurados, além de 23 papas e um sem número de religiosos.

Cientistas como Alexandre Volta e artistas como Peter Paul Rubens foram Congregados marianos. Escritores como Mário de Andrade e politicos como o ex-vice-Presidente da República Marco Maciel também.

A Jornada Mundial da Juventude 2011 tem como padroeiros santos Congregados marianos: Rafael Arnaiz, Rosa de Lima e o saudoso João Paulo II. Isso demonstra o caráter sempre atual das Congregações Marianas (CCMM).

Atualmente há Congregações Marianas em vários países, como EUA, Colômbia, Líbano, Irlanda, Espanha, Grécia, México, etc.

Sou Congregado mariano há 25 anos e estou nas Congregações Marianas há 28. Dentre várias experiências no campo de pastoral - juventude, universitária, etc - tive sempre boas influências provindas das CCMM. Foi o que aprendi de comunhão eclesial e de atividade apostólica nas CCMM que me fez trabalhar no meio do Mundo como a Igreja pede a todos os leigos.

Infelizmente há, como em todo lugar, pessoas que não aproveitam do bem do local e agem de forma errada. Nas CCMM, isso ocorre, em grau bem menor, mas ocorre.

Acusações que "tal congregado disse isso" ou "aquele congregado desejou tal mal" não correspondem em absoluto o caráter de um verdadeiro Congregado. Temos estágios de preparação para a Consagração marial e muitos desistem no meio do caminho, provando que não tem vocação para um ato tão importante. Daí talvez a confusão de dizerem "um congregado" ou invés de "alguém que frequenta uma CM". Se tal atitude ocorre por parte de um Congregado, não corresponde ao que se ensina nas CCMM e é um caso raro e à parte. O conhecimento de um ato como esse por parte dos dirigentes pode levar a sua expulsão se não houver emenda por parte dele.

Em todos os setores da Igreja atual iremos encontrar Congregados marianos. São pessoas abnegadas que desejam apenas "sentir com a Igreja", usando do lema "Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam" - do latim, "todos com Pedro a Jesus por Maria".

Não há cizanias por parte de verdadeiros Congregados. Não há agressividade. Há sempre concórdia e desejo de ajudar (um desejo tão grande que muitas vezes esquecem das próprias CCMM para ajudar uma pastoral).

Nossa Regra de Vida, aprovada em 1998 pelo Pontifício Conselho dos Leigos, é a continuação da primeira Regra, publicada em Bula de 1586. Temos tradição e contemporaneidade. Somos mais uma alternativa dentre tantas da Santa Igreja para todos os fiéis - leigos e religiosos - que desejam seguir a Cristo.

aos que desejarem conhecer-nos, há vários sítios de Internet, dentre os quais cito:
em nossa página temos um email para sanar quaisquer dúvidas sobre nosso modo de ser e nossas atividades em: contato@sededasabedoria.org

a todos nossos irmãos em Cristo, nossa saudação oficial:

Salve, Maria!

Os Nomes de Maria no Catecismo da Igreja Católica


Alexandre Martins, cm.

“Hodoghitria" ou “quem mostra o caminho”1

A partir do consentimento dado na fé por ocasião da Anunciação e mantido sem hesitação sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos e às irmãs de seu Filho "que ainda são peregrinos e expostos aos perigos e às misérias”. Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele. Maria "mostra o Caminho" (em grego Hodoghitria), é seu "sinal” conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.
“Panhaghia” ou “toda santa” 2
Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus "a toda santa" (do grego Pan-hagia), celebram-na como "imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura". Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.
Advogada, Auxiliadora, Protetora, Medianeira3
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira."
Assunta 4
"Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. "A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
“Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte...”5
Cheia de graça 6
O Espírito Santo preparou Maria com sua graça. Convinha que fosse "cheia de graça" a mãe daquele em quem "habita corporalmente a Plenitude da Divindade" (Cl 2,9). Por pura graça, ela foi concebida sem pecado como a mais humilde das criaturas; a mais capaz de acolher o Dom inefável do Todo-Poderoso. É com razão que o anjo Gabriel a saúda como a "filha de Sião": "Alegra-te". É a ação de graças de todo o Povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir ao Pai no Espírito Santo em seu cântico, enquanto traz em si o Filho Eterno.
Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria:
"Ave, Maria (alegra-te, Maria)." A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva7, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela.8
"Cheia de graça, o Senhor é convosco." As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Ap 21,3). "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.
"Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus." Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada': "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: "Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".
Escrava do Senhor9
Maria10 "permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre" : com todo o seu ser Ela é "a Serva do Senhor" (Lc 1,38).
Imaculada 11
Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus,12 foi redimida desde a concepção. E isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX:
A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.13

Esta "santidade resplandecente, absolutamente única" da qual Maria é "enriquecida desde o primeiro instante14 de sua conceição, lhe vem inteiramente de Cristo: "Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime”.15 Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a "abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1,3). Ele a "escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor" (Ef 1,4).
Mãe da Igreja16
Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, convém agora considerar lugar dela no mistério da Igreja. "Com efeito, a Virgem Maria (...) é reconhecida e honrada como a verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. (...). Ela é também verdadeiramente 'Mãe dos membros [de Cristo] (...), porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros17 desta Cabeça'." (...) Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja[a13] .18
O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união), "Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte."19 Ela é particularmente manifestada na hora da paixão de Jesus:
A bem-aventurada Virgem avançou em sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com o Filho até a cruz, onde esteve de pé não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou a seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima ela por gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26-27).20

Após a ascensão de seu Filho, Maria "assistiu com suas orações a Igreja nascente”.21 Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, "vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra".22

Maria Assunta23
“Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo."24 A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte....25

Nossa Mãe na Ordem da Graça26
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja",27 sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja.28
Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. "De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça."29
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira."30
"A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere31 toda a sua força." "Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Mas, da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variada cooperação que participa32 de uma única fonte."
Mãe de Cristo33
A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio 34do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão35. De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original36 e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.37
Mãe de Deus38
A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, São Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em 431, confessaram que "o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem".39 A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne".40
Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25),41 Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).42
Maria é verdadeiramente "Mãe de Deus", visto ser a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é ele mesmo Deus.
Mãe dos vivos 43
Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude44 do Espírito Santo, Maria respondeu45 com a "obediência da fé", certa de que "nada é impossível a Deus": "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tomou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:46
Como diz Santo Irineu47, "obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano". Do mesmo modo, não poucos antigos Padres dizem com ele: "O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a Virgem Maria desligou48 pela fé”. Comparando Maria com Eva, chamam Maria de "mãe dos viventes" e com freqüência afirmam: "Veio a morte por Eva e a vida por Maria”.49
A Virgem Maria cooperou "para a salvação humana com livre fé e obediência"50 Pronunciou seu 'fiat" (faça-se) "em representação de toda a natureza humana".51 Por sua obediência, tornou-se a nova Eva, Mãe dos viventes.
Nova Eva52
A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão. De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original53 e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.54
Sede da sabedoria 55
Maria, a Mãe de Deus toda santa, sempre Virgem, é a obra prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo pela primeira vez no plano da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a Morada em, que seu Filho e seu Espírito podem habitar entre os homens. E neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes leu, com relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria: Maria é decantada e representada na Liturgia como o "trono da Sabedoria".
Nela começam a manifestar-se as "maravilhas de Deus" que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja.
Sempre Virgem 56
O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria,57 mesmo no parto do Filho de Deus feito homem.58 Com efeito, o nascimento de Cristo "não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal" de sua mãe.59 A Liturgia da Igreja celebra Maria como a "Aeiparthenos" (="sempre virgem").60
A isto objeta-se por vezes que a Escritura menciona Irmãos e irmãs de Jesus.61 A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito, Tiago e José, "irmãos de Jesus" (Mt 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo62 que significativamente é designada como "a outra Maria" (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento.63
Jesus é o Filho Único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria64 estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: "Ela gerou seu Filho, do qual Deus fez “o primogênito entre uma multidão de irmãos” (Rm 8,29), isto é, entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno.
“Typus” da Igreja65
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja",66 sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja.67
Ícone escatológico da Igreja 68
A melhor maneira de concluir é voltar o olhar para Maria, a fim de contemplar nela (Maria) o que é a Igreja em seu mistério, em sua "peregrinação da fé", e o que ela (Igreja) será na pátria ao termo final de sua caminhada, onde a espera, "na glória da Santíssima e indivisível Trindade", "na comunhão de todos os santos",69 aquela que a Igreja venera como a Mãe de seu Senhor e como sua própria Mãe:
Assim como no céu, onde já está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja em sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, ela brilha como sinal da esperança segura e consolação para o Povo de Deus em peregrinação.


* * *




1- Catecismo da Igreja Católica (CIC) § 2674
2- CIC §493
3- CIC §969, Constituição Dogmática Concílio Vaticano II Lumen gentium, 56.
4- CIC §966, Lumen gentium 59. Proclamação do dogma da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria pelo Papa Pio XII em 1950 : DS 3903.
5- Liturgia Bizantina, Tropário da Festa da Dormição (15 de agosto). O tropário é como que uma antífona mais prolongada. Costuma ser formado por uma estrofe cantada pelo coro, um estribilho respondido pela comunidade. Esta estrofe é mais longa que uma antífona, enquanto que os versículos estão pensados à maneira de «tropos», cantados por um solista, com resposta mais breve da comunidade. Às vezes, os tropários têm formas parecidas aos nossos responsórios do ofício de Leitura ou aos responsórios breves das outras Horas.
6- CIC §722, § 2676
7- Lc 1, 48: porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão...
8- Sf 3,17: Javé, o seu Deus, o valente libertador, está no meio de você. Por causa de você, ele está contente e alegre e renova o seu amor por você; está dançando de alegria por sua causa,
9- CIC §510
10- S. Agostinho, serm. 186, 1 : PL 38, 999
11- CIC § 491, § 492
12- Lc 1, 28
13- DS 2803
14- Lumen gentium, 56
15- Lumen gentium, 53
16- CIC §963, §964, §965,
17- Lumen gentium, 53, citando Santo Agostinho, virg. 6 : PL 40,399
18- Paulo VI discurso de 21/11/64.
19- Lumen gentium, 75.
20- Lumen gentium, 58.
21- Lumen gentium, 69.
22- Lumen gentium, 59.
23- CIC §966
24- Lumen gentium, 59. Proclamação do dogma da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria pelo Papa Pio XII em 1950 : DS 3903.
25- Liturgia Bizantina, Tropário da Festa da Dormição (15 de agosto)
26- CIC §§ 967-970
27- Lumen gentium, 53
28- Lumen gentium, 63
29- Lumen gentium, 61
30- Lumen gentium, 62
31- Lumen gentium, 60.
32- Lumen gentium, 62
33 - CIC § 411
34- (cf. 1 Coe 15, 21-22. 45)
35- Rm 5,19-20
36- Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: DS 2803
37- Concílio de Trento : DS 1573)
38- CIC § 466, §495, §509
39- DS 250
40- DS 251
41- cf. Mt 13, 55
42- DS 251
43- CIC §494, §511
44- Lc 1, 28-37
45- Rm 1, 5
46- Lumen gentium, 56
47- Santo Irineu - Hær. 3, 22, 4
48- Santo Irineu - Hær. 3, 22, 4
49- Lumen gentium, 56.
50- Lumen gentium, 64.
51- São Tomás de Aquino., s. th. 3, 30, 1
52- CIC § 411,
53- Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: DS 2803)
54- Concílio de Trento : DS 1573)
55- CIC §721
56- CIC §§ 499-501
57- DS 427
58- DS 291 ; 294 ; 442 ; 503 ; 571 ; 1880
59- DS 291 ; 294 ; 442 ; 503 ; 571 ; 1880
60- Lumen gentium, 52
61- Mc 3, 31-35 ; 6, 3 ; 1 Co 9, 5 ; Ga 1, 19
62 - Mt 27, 56
63- Gn 13, 8 ; 14, 16 ; 29, 15 ; etc
64- Lumen gentium, 53
65- CIC §967
66- Lumen gentium, 63
67- Lumen gentium, 69
68- CIC §972
69- Lumen gentium, 68

O voto de virgindade de Maria


Alexandre Martins, cm.

           Conhecemos muito pouco sobre a adolescência de Maria. E tudo nos é dado pelos Evangelhos Apócrifos. O que nos provém dos Evangelhos Canônicos refere-se a seu encontro com o Anjo Gabriel.
           Distinguimos um fato que nos basta para adivinhar a sequência: trata-se do voto de virgindade que fizera e que ela refere ao Anjo, no início de sua visita, com uma entonação que pode parecer um pouco estranha.
           Isso indica um propósito amadurecido. E, se pudermos supor como esse seu desígnio é verdadeiro, genuíno, apesar dos seus quinze anos, devemos imaginar que ela era criança precoce tendo, bem cedo, sondado a existência, e percorrido, com sábia maturidade, as dimensões da vida.
           Para julgar esse propósito de se manter virgem e compreender a agudeza de espírito, convém lembrar a mentalidade dos Judeus em relação à virgindade.
          A primeira lei do Criador dirigida a todos os seres viventes era “Crescei e multiplicai-vos.”1 E o primeiro instinto do povo escolhido (que se confundia com o seu primeiro e principal dever) era o de se comportar como povo, garantindo a sobrevivência.
         A mulher judia não conhece maior maldição do que a esterilidade, sinal do desprezo de Deus por ela. E, como não é possível conceber uma nova geração sem a carne, o ser que não pode procriar é um ser diminuído, desprezado, privado da imortalidade temporal, tendo fracassado em sua missão.
         Nós temos dificuldade em compreender esta ideia mosaica, este modo de agir segundo a Antiga Lei, pois estamos impregnados do Cristianismo e nele não podemos deixar de projetar novas luzes sobre antigas sombras.
          O ato de se consagrar à virgindade dava a uma jovem judia a chance de ser escolhida para ser a mãe do Messias. As Escrituras demonstravam que o Messias nasceria de uma virgem. Porém, a verdade histórica não era essa.
           O texto de Isaías “O Senhor vos dará um sinal: eis que uma almahn (=virgem) conceberá, e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14), segundo o texto hebraico o termo refere-se a uma donzela, mesmo casada. Mas pelo texto em grego o termo usado é parthenos (=virgem), pela tradução grega da Septuaginta2.
         Além do mais, se a Virgem Maria conhecesse a origem virginal, a pergunta que fez ao Anjo não conteria um sentido pleno: “Como vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34) Ela teria se expressado de forma contrária: “Isso não será possível, porque eu não conheço homem!”
          Guardando a virgindade no casamento, a Virgem se excluia, voluntariamente, segundo as concepções comuns, da dignidade de ser a mãe do Messias. Tal ponto de vista, é concorde com o caráter de Maria, sua extrema humildade, e a escolha deliberada de se colocar, sempre, em último lugar. E nós podemos adivinhar, então, que, se Deus a escolheu, ela nada havia feito para provocar ou estimular essa escolha.

A virgindade à imagem do Deus único


           O que é a virgindade?
           Seria mais do que apenas a abstenção das relações sexuais. Se ela fosse constituída apenas por essa abstenção, seria suspeita e poderia se fundamentar sobre uma ideia de mácula, ligada ao próprio uso da carne. Presume-se que, na mentalidade judaica, tenha havido alguma ideia nesse sentido, semelhante àquela da mentalidade primitiva. Mas não se encontra nenhum entendimento de condenação do casamento humano de Maria, que honrou com sua presença as núpcias de Cana.
          Ela deveria conceber a virgindade como o mais vivo sinal de total consagração a Deus criador e ao seu espírito. Logo, o que existe de mais puro na tradição judaica é que Israel tinha Deus como o Ser que estava acima de toda a natureza; um Deus único, transcendente, irrepresentável, que não se pode designar com um simples nome.
          A Virgem sabia, igualmente, que nós fomos criados, homens e mulheres, à imagem e à semelhança de Deus. A experiência que ela havia tido de sua diferença em relação às outras mulheres em nada a engrandeceu, mas fez com que crescesse em seu coração um apelo à solidão.
          E quando ela percebeu que era uma mulher, e compreendeu a honrosa possibilidade de ser mãe, ideou renunciar à maternidade, para unir-se aos outros e a Deus. Como sugere o pensamento judaico sobre a oblação, a oferenda das primícias, o melhor uso que se pode fazer da melhor das coisas, é sacrificá-la.

José e o voto de virgindade de Maria


         É preciso compreender que, numa sociedade em que a virgindade não era nem conhecida nem salvaguardada (pois nenhuma instituição a preservava, modelo algum a consagrava), o voto de Maria só poderia ser efetivado no casamento.
         O matrimônio tornara-se, então, uma necessidade: ela só poderia cumprir o desígnio escolhido, na realização de suas núpcias: somente o casamento poderia constituí-la virgem.
          Porém, como este enlace não podia ser contra a sua vocação virginal, Maria supunha que aquele que lhe fora designado como esposo, pela família, compreenderia e respeitaria o seu ideal. Este ato de abandono era, então, igualmente, um ato de fé.
          Jean Guitton nos diz:
“Eu presumo que os dois, José e Maria, eram jovens e plenamente conscientes, habitando o presente com inteira disponibilidade, sem conhecer o extraordinário futuro que os aguardava. Imagino José jovem, forte, silvestre e vivaz, assim como o pastor libanês descrito no Cântico dos Cânticos.”3
           Por que ele não teria amado? Nem obtido o retorno do amor? (...)
          Sem dúvida, José tinha o sentimento de afinidade com aquela jovem, e sentia a imensa superioridade dela sobre ele. O amor do homem é modelado conforme o amor da mulher, que é a silenciosa educadora do elã viril. Maria purifica e virginiza José, assim como virginizaria tantos jovens, com o seu sorriso, e a estirpe sacerdotal, que lhe deve a conservação do estado da virgindade viril, aqui na terra.
          José e Maria haviam renunciado à paternidade e à maternidade ; eles não sabiam o que os cercava, em termos de fecundidade nesse sacrifício; eles não tinham como pressentir o Inominado, o Incompreensível que sobreviria, serenamente, entre os dois.
          E, no entanto, a união entre José e Maria, não se assemelhava a uma união fechada em si mesma, como se fosse uma clausura, um claustro para duas pessoas ou para uma, somente. Esta união seria dominada pela esperança. Devia haver entre os dois, o pressentimento de que um mundo novo nasceria da harmonia e da concordância entre ambos.”

a Virgindade


            Os dois primeiros capítulos dos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas afirmam claramente que Maria concebeu Jesus sem intervenção de varão: “o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”, disse o anjo a São José (Mt 1, 20); e a Maria, que pergunta “Como se fará isso, pois não conheço homem?”, o anjo lhe responde: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra...” (Lc 1, 34-35).
          Por outro lado, o fato de Jesus na Cruz entregar sua Mãe aos cuidados de São João supõe que a Virgem não tinha outros filhos. Que os Evangelhos mencionem em certos trechos os “irmãos de Jesus” pode explicar-se pelo uso do termo “irmãos” em hebraico com o sentido de parentes próximos (Gn. 13, 8; etc.).
Outra hipótese seria supor que São José tivesse filhos de um matrimônio anterior. Também podemos considerar que o termo “irmãos” foi usado no sentido de membro do grupo de crentes, tal como é comum no Novo Testamento (cf. At 1, 15). A igreja sempre acreditou na virgindade de Maria, e a chama de “sempre virgem”4 antes, durante e depois do parto.
          A concepção virginal de Jesus deve ser entendida como obra do poder de Deus “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37). Foge a toda compreensão e poder humanos. Não tem relação alguma com as representações mitológicas pagãs em que um deus se une a uma mulher realizando o papel do homem, como nos mitos gregos.
           A concepção virginal de Jesus é uma obra divina no seio de Maria similar à Criação. Isso é impossível de aceitar para o não crente, como era para os judeus e pagãos, entre os quais se inventou histórias grosseiras acerca da concepção de Jesus, como a que a atribui a um soldado romano chamado Pantheras. Na verdade, esse personagem é uma ficção literária, sobre o qual se inventou uma lenda para zombar dos cristãos. Partindo do ponto de vista da ciência histórica e filológica, o nome Pantheras (ou Pandera) é uma corruptela que parodia a palavra grega parthénos (=virgem). As pessoas, que utilizavam o grego como língua de comunicação em grande parte do império romano do oriente, ouviam os cristãos falarem de Jesus como o Filho da Virgem (huiós parthénou), e quando queriam zombar deles, chamavam-no de “filho de Pantheras”.5 Tais histórias testemunham que a Igreja sustentava a virgindade de Maria, ainda que parecesse impossível.
            O fato de Jesus ter sido concebido virginalmente é um sinal de que Ele é verdadeiramente Filho de Deus por natureza — daí que não tenha um pai humano — e, ao mesmo tempo, verdadeiro homem nascido de mulher (Gl 4,4). Nas passagens evangélicas, mostra-se a absoluta iniciativa de Deus na história humana para o advento da Salvação. E também que esta se insere na própria história, como mostram as genealogias de Jesus.
            Pode-se compreender melhor a Jesus, concebido pelo Espírito Santo e sem intervenção de homem, como o novo Adão que inaugura uma nova criação. A ela pertence o homem novo redimido por Cristo (1Cor 15,47; Jb 3,34).
            A virgindade de Maria é sinal de sua fé sem vacilações e de sua entrega plena à vontade de Deus. Inclusive diz-se que, por essa fé, Maria concebe a Cristo antes em sua mente que em seu ventre, e que “mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguinidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio”. 6
            Sendo virgem e mãe, Maria é também figura da Igreja e sua mais perfeita realização.

Papa destaca valor da virgindade consagrada


              Bento XVI recorda7 que a virgindade consagrada “uma expressão particular de vida consagrada, que refloresceu na Igreja depois do Concílio Vaticano II, mas cujas raízes são antigas”. Radicam “nos inícios da vida evangélica quando, como novidade inaudita, o coração de algumas mulheres começou a abrir-se ao desejo da virgindade consagrada: ou seja ao desejo de dar a Deus todo o próprio ser. Funda-se num simples convite evangélico – ‘quem puder compreender, que compreenda’ – e no conselho paulino sobre a virgindade pelo Reino de Deus. E contudo nele ressoa todo o mistério cristão”.
             Bento XVI nos ensina que, quando surgiu, este “carisma não se configurava com particulares modalidades de vida, mas foi-se depois institucionalizando, pouco a pouco, até chegar a uma verdadeira consagração pública e solene, conferido pelo Bispo mediante um sugestivo rito litúrgico que fazia da mulher consagrada a sponsa Christi, imagem da Igreja esposa”.


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1- (Gn 1,22) Na Versão original do grego, lê-se “sede fecundos, multiplicai-vos”.
2- versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria (Egito). É a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa “setenta”), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a história, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica. Muitas bíblias da Reforma seguem o cânone judaico e excluem estes livros adicionais. Entretanto, católicos romanos incluem alguns destes livros em seu cânon e as Igrejas ortodoxas usam todos os livros conforme a Septuaginta. De grande significado para muitos cristãos e estudiosos da Bíblia, é citada no Novo Testamento e pelos Padres da Igreja. Recentes estudos acadêmicos troxeram um novo interesse sobre o tema nos estudos judaicos. Alguns dos pergaminhos do Mar Morto sugerem que o texto hebraico pode ter tido outras fontes que não apenas aquelas que formaram o texto massorético. Em vários casos, estes novos textos encontrados estão de acordo com a LXX.
3- GUITTON, Jean, La Vierge Marie, pág. 30, Editions Montaigne.
4- Constituição Dogmática Lumen Gentium, 52
5- VARO, Francisco. Rabí Jesús de Nazaret, B.A.C., Madrid, 2005, págs. 212-219.
6- s. Agostinho de Hipona, citado pela Exortação Apostólica “Signum Magnum” de Paulo VI, 10.

Turris Eburnea




Alexandre Martins, cm

Na tradição judaico-cristã, a expressão “Torre de Marfim” é um símbolo de nobre pureza.
Originou-se no livro do Cântico dos Cânticos (capítulo 7,4) - "Seu pescoço é como uma torre de marfim" - e foi acrescentado aos epítetos da Virgem Maria na Ladainha Lauretana1 do século XVI (torre de marfim, em latim: Turris eburnea). Trata-se de um texto atribuído ao Rei Salomão. Grandes místicos cristãos, como São João da Cruz, utilizaram muito estes versículos como uma forma de experimentar de maneira profunda os mistérios do amor de Deus.
A torre era importante nas antigas cidades protegidas por muralhas. Na época do Rei Salomão poucas coisas eram tão belas e imponentes quanto uma torre.
O poema diz que o pescoço de sua amada se parece com uma “Torre de Marfim”. No primeiro livro de Reis, no capítulo 10, na visita da Rainha de Sabá ao Rei Salomão, ela ficou impressionada com a sabedoria e riqueza do grande rei de Israel e o presenteou com grande quantidade de perfumes e pedras preciosas. O rei, por sua vez, como panda o protocolo, deu grande número de presentes à rainha visitante.
Neste mesmo capítulo, ao descrever as riquezas e o poder de Salomão, diz que ele “mandou fazer um grande trono de marfim, revestido de ouro fino” (1Rs 10,18). Marfim e ouro são o que poderia haver de mais rico e belo para fazer jus ao poder de Salomão.
Ao dizer de modo comparativo em seu poema, que a amada se parece com uma Torre de Marfim, temos aqui um exemplo de exagero poético. Ninguém, por mais rico e poderoso que fosse, poderia fazer uma torre inteira de marfim… nem mesmo Salomão. Parece que a Escritura nos mostra que o amor tem muito mais valor do que as riquezas desta terra. O trono de marfim e ouro é quase nada diante de alguém que se quer bem.
O marfim é um material que tem caraterísticas raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro. Igualmente Nossa Senhora é muito forte espiritualmente, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza alvíssima. Assim Ela contraria a idéia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros.2
Maria é para nós um grande tesouro. É uma “torre de marfim” que nos guarda, amorosamente. É maior que o trono dos reis. Ela é mais que a rainha de Sabá. Sua riqueza não é feita de pedras preciosas ou de ouro. E, se a Rainha de Sabá deu presentes preciosos a Salomão, a Virgem nos deu de presente o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores.
Maria nos protege com a força e a inteligência de uma mãe, contra a Serpente infernal e seus sequazes; por esta proteção a cidade de nossa alma podemos pois compará-la a uma torre que protegia as casas dos invasores. Maria nos protege com tanta segurança de todos os estímulos do pecado, enquanto que Ela mesma nunca deu ao pecado o menor assentimento.
Ela é toda pura; o resplendor do marfim pode sugerir-nos, mas de uma forma quão deficiente, sua pureza imaculada. Seja como for, nas intervenções de Maria, pureza e proteção vão sempre juntas; Ela é a torre de marfim.
Mesmo nos Evangelhos temos a figura implícita de Maria, Torre de Marfim, em nossa vida: “Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre...” (Mt 21,33-43, Mc 12,1-12) É o próprio Filho de Maria que coloca a figura da torre em seus exemplos de edificação de nossas vidas. Não mais Salomão, mas o próprio Messias. Não é uma criação de piedosos, mas provém da própria boca do Salvador.
São Jerônimo via um detalhe interessante na comparação do pescoço da amada com uma torre de marfim. Lembrava que se Jesus é a cabeça do corpo que é a Igreja, Maria é o pescoço, ou seja, aquela por meio da qual nos chegou o Salvador.
Turris Eburnea, ora por nobis! - Torre de Marfim, rogai por nós!




1- A Ladainha Lauretana ou Ladainha da Santíssima Virgem foi composta quando se encerrava a Idade Média. Guarda esse nome devido à aprovação do Papa Sixto V, no ano de 1587, dada à ladainha habitualmente utilizada pelos fiéis que freqüentavam a Santa Casa, na cidade de Loreto. Com essa aprovação, as demais ladainhas acabaram por ser suprimidas. Alguns dos títulos que constam atualmente foram acrescentados solenemente à ladainha original por uma série de Papas ao longo da história, sendo o último João Paulo II.
2- André Damino, Na escola de Maria, Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962.

O ícone de Lydda

Alexandre Martins, cm.


          A Sé Titular da Palestina Prima no Patriarcado de Jerusalém, Lydda é chamada atualmente de Lod. Lod (em grego Lydda) é uma cidade da Palestina, na Planície de Sharon, a sudoeste de Jafa. Dista cerca de 20 quilômetros de Jopa, na estrada para o porto de Jerusalém. Seu padroeiro é São Jorge, pois acredita-se que o santo tenha nascido lá.
          Foi fundada por Samad, da tribo de Benjamim, conforme relatam as Sagradas Escrituras (1Cr 8,12). Tempos depois, alguns de seus habitantes foram capturados e levados a Babilônia, depois retornando os sobreviventes (Esd 2,33; Ne 7,37; 11,34). Em meados do século II a.C a cidade foi dada pelos reis da Síria aos Macabeus (1Mac 11,34.57). O imperador Júlio César deu Lod aos judeus em 48 a.C. A cidade teve guerras civis durante a revolta dos judeus contra Roma no primeiro século da Era Cristã.
         Os primeiros cristãos da cidade foram visitados pelo próprio Pedro, cura o paralítico Enéias, segundo o Novo Testamento (At 9,32,35,38).
         Seu primeiro Bispo foi Aécio, amigo de Ário, este heresiarca do Arianismo. O título episcopal de Lydda ainda existe no Patriarcado Grego de Jerusalém.
         O peregrino Teodósio fez a primeira menção da tumba de São Jorge em Lod no ano de 530, o que a tornou tão famosa que a cidade teve o nome de Georgiopolis (do grego “Cidade de Jorge”). Foi erguida uma magnífica igreja sobre o túmulo do mártir, sendo reconstruída pelos Cruzados. Ainda se mantém até hoje pela Igreja Grega. Com a chegada dos Cruzados em 1099, Lod se tornou uma Sé católica. O papa Bento XVI visitou o local, onde celebrou a Liturgia com os Padres Orientais.

             Existe uma tradição que remonta ao tempo da heresia Iconoclasta1 e que narra a história do Ìcone de Lydda, uma história impregnada de deslumbramento.
            Quando Pedro e João converteram numerosas pessoas, em Lydda, lá erigiram uma igreja, consagrada à Mãe de Deus, e pediram à Virgem Maria que a visitasse, abençoando-a com a sua presença. Mas a Mãe de Deus lhes respondeu: “Ide com alegria, eu estarei convosco!”
             Quando os apóstolos chegaram à Igreja de Lydda, encontraram sobre uma das colunas a imagem da Mãe de Deus, feita milagrosamente, sem a ação de “mãos humanas”. Mais tarde, a Virgem Maria, em pessoa, visitou a Igreja, abençoou a imagem e conferiu-lhe a graça de realizar milagres.
             No século IV, a imagem foi ameaçada pelo Imperador Juliano, “o Apóstata”, que enviou pedreiros com a ordem de destrui-la. Porém, esta resistiu aos golpes dos cinzéis. O fato milagroso deu origem à grande afluência de peregrinos vindos de todo o Oriente.
              Nas vésperas da Revolta Iconoclasta, São Germano de Constantinopla, ainda monge da Palestina, desejava muito ver o ícone de Lydda antes de partir para Constantinopla, onde ele seria eleito o famoso patriarca. Para ter a Virgem de Lydda sempre perto de si, São Germano pediu a um artista que fizesse uma cópia da imagem, e levou-a. Em 725, o imperador Leão III2, desencadeou a destruição dos ícones. O patriarca São Germano foi expulso da Sede Episcopal e viu-se obrigado a deixar a capital.
             Antes de seu embarque escreveu uma carta ao Papa São Gregório Magno, fixando a missiva sobre o ícone que confiou às ondas do mar. O ícone navegou, ereto, até Roma, aonde chegou em apenas um dia.
             Como o Patriarca São José, sendo avisado em sonho, o Pontífice acompanhado pelo Clero romano, acolheu a imagem flutuante às margens do rio Tibre. Quando o Papa terminou sua oração, o ícone se ergueu sozinho, colocando-se entre as suas mãos. Levado em procissão até a Basílica de São Pedro foi exposto à veneração dos fiéis.
            Quando São Germano compreendeu que a perseguição duraria muito tempo, ainda, enviou outro ícone da Mãe de Deus, da mesma forma, através das águas do mar. E o segundo ícone foi, igualmente, recebido pelo Santo Padre em Roma. Os dois ícones permaneceram na Cidade Eterna por mais de um século.
           Durante Ofício celebrado pelo Papa Sérgio II (844-847), o ícone começou a se mover. O povo, assustado com o fenômeno, cantou: “Kyrie Eleison”3 e o ícone se imobilizou. Em seguida, levantou-se e, deixando a Igreja, dirigiu-se até o rio Tibre, sendo seguido pelo Santo Padre e pelo povo.
           Da mesma forma que chegara, no século precedente, a imagem da Virgem Mãe afastou-se, mar afora, chegando a Constantinopla, onde foi recebida pelo Patriarca Metódio, o Confessor. Quando chegou a carta expedida por Roma que explicava o fato, notou-se, com grande surpresa, que o ícone havia efetuado o trajeto em um único dia.4
            A imagem foi transferida solenemente para a Igreja de Chalkopratia, onde passou a ser venerada com o título de “A Romana”.


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1- Iconoclastia (do grego εικών, transl. eikon, "ícone", imagem, e κλαστειν, transl. klastein, "quebrar"= "quebrador de imagem") era um movimento político-religioso contra a veneração de ícones e imagens religiosas no Império Bizantino no início século VIII e perdurou até o século IX. Os iconoclastas acreditavam que as imagens sacras seriam ídolos, e a veneração e o culto de ícones por conseqüência, idolatria.
2- Leão, o Isáurico (717-741), militar enérgico, imperador bizantino; nasceu em Síria Comagena; derrubou o último monarca da dinastia Heracliana e tomou o poder. Intolerante religioso, Leão III combateu o culto às imagens (movimento iconoclasta), procurando enfraquecer o poder dos mosteiros. Leão e seu filho Constantino V fecharam conventos, confiscaram bens do clero, realizaram desfiles ridículos de monges no hipódromo.
3- Kyrie eleison (em grego: Κύριε ελέησον, transl. Kýrie eléison, "Senhor, tende piedade") é uma oração liturgica. O testemunho mais antigo de seu uso litúrgico remonta ao século IV, na igreja de Jerusalém, e, no século V. Kyrie é o vocativo da palavra grega κύριος (transl. kyrios, "Senhor"), traduzido livremente como "ó, Senhor", enquanto eleison (ελεησον) é o imperativo aoristo do verbo eleéo (ελεεω; "ter piedade", "compadecer-se"). É originário do salmo penitencial 51 (50 na versão LXX). No Rito Romano na Forma Extraordinária o Kyrie é recitado depois do ato penitencial; no Rito Ambrosiano é recitado durante o ato penitencial, e repetido três vezes ao fim da Missa, antes da bênção final. O Kyrie, por ser geralmente abreviado, faz parte também da missa cantada, formando a parte que se segue ao intróito. O Kyrie foi substituído, no Rito Romano Ordinário, pela invocação "Senhor, tende piedade."
4- CORBON, Jean, in “L'inculturation de la foi chrétienne au moyen-orient” (A incultura da fé cristã em todo o Oriente Médio), Proche orient chrétien (Oriente Médio cristão) ─ Volume 28, Fasc. 3-4. 1988.