O Ton de Maria

Alexandre Martins, cm.

Nascia no Rio de Janeiro em 1922, de família fervorosamente católica, Antonio Rodrigues Maia. Seu berço e base de apostolado até o fim de vida foi o bairro da Tijuca, o qual homenageou com um belo livro.
Sua mãe levava todos os irmãos à Missa Dominical na Paróquia dos Padres Capuchinhos à Rua Haddock Lobo, onde os fiéis reservavam um dos compridos bancos "para a família dos Maia", os 16 irmãos.
Um militar congregado levou o jovem Antonio para a Congregação Mariana local, o que, segundo este, influenciou o seu estilo militar de ver a Consagração à Virgem. Na famosa Concentração Internacional das Congregações Marianas no Rio de Janeiro em 1935, o jovem candidato a Congregado viu todo o esplendor das associações marianas em um evento que parou a então capital brasileira. Isso marcou para sempre e deu mais entusiasmo em dedicar toda a sua vida a ser um "cavaleiro da Virgem e a lutar por sua Causa".
Várias são suas obras cristãs e outro tanto de literatura profana, como pesquisas e resenhas.
O Antonio poeta, dentre outros escreveu poesias que contava seu amor por sua esposa, Laurita, que o acompanhou até o fim. Escritor incansável ao mesmo tempo caótico - seus apontamentos ficavam no pequeno quarto em sacolas de mercado - em tudo via motivos para escrever: em defesas da Fé, em propagar as virtudes de Maria, em pesquisas sobre os temas mais controversos e esquecidos...
A maioria de suas publicações foram feitas de próprio bolso, sem ajuda de qualquer, o que o fazia por vezes contrair dívidas. Dizia que somente o pequeno apartamento onde morou toda a vida de casado é que foi de um livro que tinha lhe dado lucro, o "A Missa - guia prático para os fiéis", elogiado por Cardeais do Vaticano, dada a sua profundidade e clareza de pensamento.
Irmão do cantor Tim Maia, gravou discos de 78 rotações com vários temas. Chegou a usar o pseudônimo de "Ton" - de Antônio, já que o irmão Sebastião usava o "Tim"- em brincadeiras com os amigos.
Nas Congregações Marianas - razão de sua vida - foi o baluarte de todos os seus contemporâneos. Incompreendido muitas vezes, aplaudido outras tantas, foi Secretário Geral da Confederação Nacional do Brasil por vários anos e também o maior Diretor que a revista nacional, a "Estrela do Mar", teve em sua existência. Os exemplares dos anos em que Antonio Maia esteve organizando foram dos mais profundos e servem de referência de História e Pesquisa do Estilo de Vida das Congregações, como de Liturgia Doutrina Católicas. Seu "expediente" na sede da Confederação era espartano: das sete às vinte horas, todos os dias.
Seu amor pelas Congregações de Maria o fez viajar pelo Brasil e pelo Mundo nos Congressos que se realizavam frequentemente na época. Este mesmo amor o levou a ter seu primeiro derrame cerebral quando da mudança das Regras das Congregações pelos jesuítas que veio a provocar uma derrocada da pujança destas associações em todo o Mundo. Outros derrames sucederam nas décadas seguintes até o final, que o levou às vinte e três horas do dia 8 de junho de 2000.
Era jornalista e sua pouca renda durante a vida era conseguida de vários trabalhos, tanto jornalísticos quanto de escritor e articulista. Mesmo assim teve quatro filhos e uma perene disposição para o trabalho intelectual.
Defensor da Fé e das Congregações Marianas, redigiu várias cartas ao Cardeal do Rio e mesmo uma "Carta Aberta" ao então Pontífice João Paulo II, pedindo providências a abusos vários que via acontecerem.
Sua capacidade de memória é admirada até hoje pelos que escutaram suas palestras. Estas sempre foram o marco de sua personalidade forte: palavras vibrantes e de efeito, uma voz poderosa, sabedoria intelectual, argumentos sólidos e embasados, um ânimo varonil que existia nos antigos congregados... Tudo isso fazia a admiração dos jovens e chamava a atenção dos mais velhos.
Se "de Maria nunquam satis - de Maria nunca se sabe tudo", de Antônio Maia nunca se poderá dizer tudo.
O Ton de Maria hoje repousa à direita dela. Sentado sobre o Manto azul que sempre ostentou em sua insígnia de congregado com sabedoria e sem respeito humano, está "o Maia" - como lhe apelidaram os amigos - confortado com a presença real daquela a quem dedicou todos os seus anos de vida. Nossa boa Mãe o recompensará como o dito nas Escrituras: "aquele que me torna conhecida, terá a vida". E mais recompensados seremos nós, congregados marianos, por termos jóias como essa em nossos quadros seculares.

publicado em 19/6/2000

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