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Os escondidos

Alexandre Martins, cm.


O Papa João Paulo II disse certa vez que era Congregado mariano em uma Congregação mariana colegial em sua cidade natal. “Fui presidente da Congregação por duas vezes!” disse o papa polonês a um bispo brasileiro, D. Vaz, SJ. Talvez, se não começou naquela Congregação, foi com certeza lá que amadureceu sua forte devoção mariana.
Uma devoção tão forte que fez tremer os heraldistas do Vaticano quando ele mesmo escolheu a simplicidade nada tradicional para um Papa em seu brasão pontifical usando apenas uma cruz e a letra “M” para designar a presença da Virgem Maria. Uma presença em sua vida e também em seu pontificado. Apesar das ponderações dos especialistas, mostrando que a Mãe de Deus tem outras representações heráldicas que não a letra inicial de seu nome, o papa foi firme em colocar a letra em amarelo aos pés da cruz. Como a Virgem ficou no Calvário: “stabat mater”.*
Toda uma devoção de uma vida à Mãe de Deus para ser mais e mais digno filho deste mesmo Deus. O então jovem Karol Wojtyla lia e relia o “Tratado” de s. Luiz de Montfort.
E quem, perguntamos, teve a feliz idéia de divulgar a devoção mariana entre os alunos daquela escola polonesa?
Um professor. Uma pessoa de quem a História se esqueceu. De quem não sabemos o seu nome nem sua biografia. Que talvez tenha morrido de velhice, doença ou mesmo assassinado pelas tropas nazistas quando da invasão da Polônia na Segunda Grande Guerra.
Foi esse desconhecido mestre escolar que incentivou os alunos a terem uma especial devoção pela Virgem Maria. Foi esse professor polonês que fundou essa Congregação Mariana para os alunos daquela escola.
Quem sabe seu nome?
Quem sabe o nome de tantos que ajudaram a Igreja nestes últimos tempos. Nos tempos de perseguição, nos tempos de dúvida, nos tempos de escândalos, nos tempos de preguiça...
Quem sabe o trabalho silencioso e discreto de tantos leigos que são os artífices do apostolado no meio do mundo.
Se muitos são homenageados, muitos mais não se sabe nem de sua existência.
Mas são esses trabalhos silenciosos que dão apoio para o trabalho de outros. São esses escondidos que fazem o sucesso futuro de muitas iniciativas.
Um professor de Física da UFRJ ** nos deu a sugestão de pedirmos uma sala especial para as reuniões da Pastoral Universitária. Estavamos há semanas pleiteando um espaço que pudesse ser reservado semanalmente no horário do almoço para que pudessemos agrupar os universitários. Nada foi conseguido. Nem em entrevista ao próprio Decano do Centro de Tecnologia.
Mas esse professor, ligado ao Opus Dei, nos avisou da existência de uma sala que era reservada especialmente para eventos acadêmicos e projeção de filmes. Segundo ele, bastaria irmos ao Departamento e reservarmos o horário na agenda da secretária responsável. E foi o que fizemos.
O gesto escondido desse professor deu inicio a uma série de reuniões de universtários que desenvolveu mesmo nas reuniões que deram a base para a fundação da Congregação Mariana da UFRJ. E a existência desta Congregação fez com que a Colômbia tivesse mais um missionário brasileiro para evangelizar os pobres em uma zona dominada pelo narco-terrorismo. Foi desta Congregação Mariana que sairam sacerdotes e esse missionário.
Um pequeno gesto. Um desdobramento admirável.
Os escondidos. Os que são o alicerce das grandes obras.
Que a Virgem Maria, mestra de humildade, que com o seu “sim” escondido transformou o Mundo e os Céus, nos ensine a trabalharmos bem mesmo nas pequenas coisas.


*    *   *


  
(*) Stabat Mater (do latim "Estava a Mãe") é uma seqüencia católica do século 13 atribuído a Jacopone da Todi, sobre a presença da Virgem de pé no Calvário, foi ,dentre outros, musicado pelo Congregado mariano Giovanni Pierluigi da Palestrina. 
(**)  Universidade Federal do Rio de Janeiro.  É a maior universidade federal do país, além de ser um dos centros brasileiros de excelência no ensino e na pesquisa, está entre as melhores instituições da América Latina.