Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Pesquisar este blog

Cristãos com sinal “mais”


Alexandre Martins, cm.


“O Congregado mariano é um cristão com sinal mais”. Essa frase foi muito difundida nos anos 1980 para designar que um Congregado mariano não é uma pessoa comum. Sendo cristão, ele é “mais cristão”, isto é, um cristão com “sinal mais”.
Em matemática podemos ter exemplo de valores numéricos que tem o sinal de adição ao seu lado relevando sua importância e seu valor em comparação com os mesmos valores que não possuem um “mais” ao lado. Em biologia, o tipo do sangue de uma pessoa difere sendo “positivo” ou “negativo”.
Todos os cristãos são chamados à santidade. Todos os homens são chamados a acolherem o Evangelho e serem cristãos, os seguidores: os seguidores de Jesus Cristo.
Ora, se todos os cristãos são chamados à santidade, então os que inscrevem seu nome nas Congregações Marianas desejam ser mais santos do que lhes é pedido. Pois se todos são chamados a serem cristãos nem todos desejam ser Congregados marianos. O ingresso em uma Congregação Mariana é algo voluntário.
Daí se compreende que o Congregado mariano pode ser chamado “cristão com sinal mais” sem ofender aos demais católicos.
Curioso ter essa frase surgido em uma época que a chamada Teologia da Libertação (TL) era o pensamento dominante no Clero latino-americano. A doutrina1 ou pensamento de uma leitura dos Evangelhos a partir de uma ótica puramente social, era no fundo ver a Verdade Revelada como suporte para fortalecer o pensamento revolucionário, ou seja, o Marxismo. As deturpações eram inúmeras, chegando a a comparar Nosso Senhor Jesus Cristo a um líder revolucionário como Luiz Carlos Prestes ou Fidel Castro.
Demoraram alguns preciosos anos para que o Magistério da Igreja condenasse formalmente a Teologia da Libertação através de documento oficial. Depois desse documento2, a grande maioria do Clero e dos leigos mudara o seu discurso, Os únicos que ainda usam desse pensamento são os religiosos de alguns institutos religiosos, mas mesmo assim de forma velada.
Mas, se o Clero e os religiosos pensavam dessa forma naquela época, então é claro que os leigos fossem colocados na mesma cartilha. Recentemente, entendeu-se que o que era atribuído como culpa da Teologia da Libertação no tocante a certa simplicidade exagerada, na realidade era fruto do pensamento proposto no Pacto das Catacumbas, feito por alguns bispos no fim do Concílio Vaticano II.3
Daí afirmar o “mais” do Congregado representou uma ruptura com o pensamento pastoral reinante. E um ruptura benéfica, como se viu mais tarde.
Mas um dos problemas que as Congregações Marianas tinham com os párocos da época foi justamente afirmar esse “maioridade” dos Congregados perante os demais leigos.
Na leitura marxista, ou revolucionária, não há maiores nem menores, mas todos são iguais. Os clérigos e leigos usavam da Escritura para fundamentar esse pensamento. Dizer que os Congregados marianos eram “mais” do que os demais contrariava o pensamento revolucionário implantado por padres e religiosos em praticamente todos os níveis e áreas do apostolado leigo. A quase totalidade das paróquias pensava dessa forma e ver Congregados em procissão solene nas festas marianas era visto como uma afronta por muitos, e inclusive padres.
Não se sabe ao certo se foi por causa dessa mentalidade socialista que as Congregações Marianas do Brasil tiveram certas atitudes, como, por exemplo, trocar o material das medalhas de Congregado da prata para o alumínio barato, realizar as reuniões de Congregação em círculo e sem a proximidade de um altar mariano, o desuso crescente de roupas melhores em cerimônias da Congregação Mariana (como paletó e gravata) e etc.
Mas pouco a pouco, após a Condenação da TL pela Igreja e o silêncio dos párocos sobre o assunto, aliado à chegada de novos sacerdotes que, ou estavam cansados dessa “visão humana” do Evangelho ou foram formados sem a influência do Pacto, as Congregações Marianas recomeçaram a pensar o “sinal mais”.
Nos anos 1990, com a oportunidade da nova Regra de Vida, houve aproximação dos Congregados marianos com padres jesuítas para aprender mais sobre a tão falada “espiritualidade inaciana” que era citada nas Regras.
Os sacerdotes jesuítas se mostraram alegres com os novos interessados nos Exercícios Inacianos, pois os alunos de Colégios Jesuítas e os membros das CVX não estavam sendo plateia muito fiel. E, se tem algum cristão que é fiel à Igreja, esse é o Congregado mariano.
No contato com a Espiritualidade Inaciana, os Congregados viram que a antiga frase “cristão com sinal mais” era de raiz inaciana, isto é, idealizada pelo próprio Santo Inácio de Loyola e, portanto, fiel à espiritualidade inaciana tradicional das Congregações Marianas:
Magis é um termo em latim que quer dizer o mais, o maior, o melhor. Palavra muito utilizada por Santo Inácio de Loyola, quer dizer que sempre podemos experimentar um avanço em relação àquilo que já fazemos ou vivemos. A própria vida de Inácio foi um peregrinar em direção ao magis, à sempre maior glória de Deus, ao serviço sempre mais fiel aos pobres, ao bem mais universal, aos meios apostólicos mais eficazes. Assim, a pessoa que vive e se deixa impelir pelo magis é alguém que nunca está satisfeito com a realidade existente. Porque tem o impulso de descobrir, redefinir e alcançar o magis. Aquele que deseja encontrar o magis deve buscar, descobrir e arriscar-se na superação do já conhecido, do definido e do esperado, em vista sempre do bem maior, do amor maior, do mais justo.4

Qual não foi a alegria dos Congregados marianos em saber que nunca haviam se distanciado de Santo Inácio, como muitas vezes foram criticados e qual não foi a surpresa dos jesuítas modernos (que só conheciam as Congregações Marianas pela fama) em saber que aquelas antigas associações marianas preservaram a espiritualidade inaciana por tantos séculos.
Apenas uma novidade: os jesuítas atualmente essa visão de busca de santidade de “magis”:
Característico da espiritualidade inaciana é a sua capacidade de fazer sair o melhor de cada um, através do aprofundamento do mundo interior da pessoa onde o próprio Deus habita e se revela. O magis (o ser mais) não é a perfeição segundo uma qualquer regra ou medida, mas o mais que é único em cada pessoa, onde as três dimensões da vida se encontram: o amor a Deus, o serviço ao próximo, e a felicidade de sabermos que estamos no caminho certo. Passa menos pela pessoa decidir que esforço quer oferecer a Deus, mas por em primeiro lugar se pôr à escuta: “Senhor, aqui estou! Onde queres que Te sirva?”5

Então, o Congregado mariano é um “cristão magis”!
Congregações Marianas são lugar para os que querem ser mais. Se você quer ser mais do que os que apenas cumprem o preceito dominical, então seu lugar é em uma Congregação Mariana, criada pelos jesuítas a abrigar para sempre os “magis” de Santo Inácio.
Salve, Maria!





_____________________________________________________________
1- Teologia da Libertação é um movimento supra denominacional e inclusiva de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. A TL se tornou um movimento internacional e interdenominacional, porque absorveu crenças das religiões do Oriente, da Umbanda, do Espiritismo, do Islamismo e do Xamanismo. Embora a mesma tenha se iniciado como um movimento dentro da Igreja Católica, na América Latina nos anos 1950-1960, o termo foi cunhado em 1971 pelo peruano padre Gustavo Gutiérrez, que escreveu um dos livros mais famosos do movimento: “A Teologia da Libertação”. Outros expoentes são Leonardo Boff do Brasil, Jon Sobrino de El Salvador, e Juan Luis Segundo do Uruguai. A TL desde os anos 90 sofreu um forte declínio, principalmente devido ao envelhecimento de suas lideranças, e a falta de participação das recentes gerações nesse movimento. A influência da TL diminuiu após seus formuladores serem condenados pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1984 e 1986.
2- Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé - Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação – Libertatis conscientia (Instructio de libertate christiana et liberatione), 22/3/1986
3- O Pacto das Catacumbas foi um documento redigido e assinado por quarenta padres participantes do Concílio Vaticano II, entre eles muitos bispos latino-americanos e brasileiros, no dia 16/11/1965, pouco antes da conclusão do concílio, após a eucaristia na Catacumba de Domitila, daí o nome. Por este documento de 13 itens, os signatários comprometeram-se a levar uma vida de pobreza, rejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobres no centro do seu ministério pastoral. Comprometeram-se também com a colegialidade e com a corresponsabilidade da Igreja como Povo de Deus, e com a abertura ao mundo e a acolhida fraterna. Este pacto influenciou a nascente teologia da libertação e os rumos da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Medellín.
4- O Magis Inaciano, impulso para que a humanidade viva – Carlos Rafael Cabarrús, SJ, Revista de Espiritualidade Inaciana, edição de junho/2004
5- Joseph Tetlow, SJ

As Congregadas Marianas



Alexandre Martins, cm.


Com a Revolução de Costumes dos anos 1960, com o “é proibido proibir”1, com a queima de sutiãs2 em praça pública pelas mulheres da época e com a reformulação das leis de trabalho, as mulheres em todo o mundo ocidental passaram a ser consideradas de outra forma.
O que havia sido iniciado nos países comunistas, especialmente a União Soviética e China pós Mao-Tsé Tung3, as mulheres começaram a sere tratadas como “um camarada”. Nada mais de damas e donzelas, jovens puras e frágeis à espera de seu príncipe, mães preocupadas em educar suas crianças. A partir do ideal socialista, a mulher é a companheira de luta do homem, seu braço direito no trabalho, onde duas cabeças (ou duas calças) pensam melhor que uma. Pura logística de trabalho em equipe. A família então deixa de ser a célula-mãe da Sociedade para ser a escola de futuros operários do sistema.
Isso se desenvolve por décadas vagarosamente a partir de 1917 até que nos anos 1960-1970 atinge seu apogeu na chamada Contracultura4, isto é, uma Cultura contra a Cultura usada até então. É uma nova Cultura revolucionária, que seria vista com esperança de um mundo diferente e mais justo pelas pessoas da época.
A Igreja, preservadora dos reais valores de dignidade da pessoa humana, tornou-se vulnerável a essa Contracultura logo após o Concílio Vaticano II. Com o Apostolicam Actuositatem5, dando mais autonomia aos leigos, sem querer deu brecha para que pessoa da época, influenciadas pela Contracultura, sem o saber, tivessem voz e comando sobre outros fins em todas as classes de apostolado leigo.
Um exemplo claro e clássico foram as turmas de Catequese infantil: se antes do Concílio o trabalho de ser catequista era entregue a religiosas (com formação doutrinal suficiente) ou a senhoras piedosas (como as Filhas de Maria ou Zeladoras do Apostolado da Oração) após o término do Vaticano II e mais ainda após as Conferências de Medellin6 e Puebla7, as turmas de catecúmenos foram entregues a jovens de aproximadamente 17 anos de idade, de simples boa-vontade mas com muito pouco conhecimento catequético.
Na onda da Contracultura, homens e mulheres foram nivelados em toda a Sociedade. No vestuário surgiram mais modelos de calças para as mulheres, evidenciando que era a mulher que deveria se igualar ao homem e não o contrário.
Entre os leigos, como de hora para outra, acabaram grupos de gênero, transformando todos os movimentos e associações em grupos mistos.
Os grupos de moda da época, como os Cursilhos de Cristandade e Grupos Jovens já haviam começado mistos e todo o grupo que fosse exclusivamente masculino ou feminino era visto com estranheza e até mesmo com censura. E a condenação não vinha somente da Sociedade ou dos leigos católicos mas também de padres e até mesmo de alguns bispos.
As Congregações Marianas, como não havia à época um órgão centralizador forte que pudesse avaliar as mudanças da Sociedade e da Igreja sob a ótica de nossa Tradição, sofreram muito com isso.
As poucas Congregações Marianas femininas que existiam no Brasil fecharam (como a Congregação Mariana de Alunas do Colégio Sion, no Rio de Janeiro) e suas Congregadas se transferiram para Congregações Marianas masculinas que se tornaram mistas quase que por obrigação.
Com esse movimento de “uniformização masculina” das Congregações Marianas houve duas modificações no agir dos Congregados: uma “suavização” do apostolado e uma total falta de formação adequada das jovens Congregadas Marianas.
Antes das Congregações Marianas mistas o apostolado das Congregações Marianas masculinas era evidentemente mais determinado, aguerrido, ofensivo até. Em uma palavra: másculo. Coma entrada de mulheres no grupo certas atitudes deixaram de ter sentido, pela própria natureza suave das mulheres. Se o andor do santo padroeiro ficou mais bonito e enfeitado, em contrapartida aquela marcha com a bandeira pelas ruas do bairro cantando o Hino a plenos pulmões não seria seguida pelas Congregadas...
Mas o pior, a nosso ver, foi que deixou-se de fornecer uma formação adequada à psicologia feminina. Se nas palestras nas Congregações femininas a vocação para o lar e filhos, bem como a postura decente e virtuosa nos ambientes da Sociedade era os pontos mais falados, isso foi deixado de lado nas palestras das Congregações mistas, que ficaram com temas rasos e superficiais que não diziam muito às jovens ou às recém-casadas. A solução para muitas foi procurar essa formação em outros grupos e carismas, descaracterizando o ambiente das Congregações Marianas com modos de agir e rezar que não eram inacianos ou de nossa Tradição. Evidentemente, uma decorrência lógica foi o abandono das Congregações Marianas por essas moças para se transferirem para outras associações.
No início do século XXI, as netas das moças dos anos 1960, além de voltar a usar sutiã, quiseram voltar certas práticas que suas avós condenavam. Muitas até voltaram a usar o véu nas Missas! Uma demonstração do que todo historiador sabe: a História é cíclica.
Nas Congregações Marianas se percebe uma vontade, mesmo uma necessidade, de pensar a vida na Congregação pela ótica feminina: as moças desejam ser Congregadas marianas.
Nada de calças jeans, mas saias bonitas; querem palestras sobre virgindade, pureza, castidade; querem saber como ir na praia sem ser vulgar; querem ser trabalhadoras sem serem masculinizadas; querem saber como ser mãe católica e Congregada; querem educar seus filhos para a Congregação Mariana; querem ser mães, mulheres e Congregadas.
Somente com certa separação na formação e em atos de piedade as moças e mulheres poderão ter essa real dimensão do “ser uma Congregada mariana”:
Todas nós queremos ser moças de nosso tempo, queremos ser modernas.
Muita gente pensa que moça moderna é aquela que anda de calças compridas, gesticula com o cigarro entre os dedos, adquire músculos retesados, pratica toda espécie de esporte, compete com os homens em força e audácia, exibe-se despida aos olhares do público nas praias e nos estádios, renuncia aos ônus da maternidade, desfaz-se das obrigações familiares, torna-se o ídolo de todo rapaz simpático, ingressa nas carreiras políticas, ascende aos cargos públicos.
... Ser mulher moderna significa “colaborar com o homem, porém de forma própria à sua inclinação natural” - são palavras de Pio XII. “A esfera da mulher, a sua maneira de vida, sua inclinação é a maternidade. Toda mulher foi feita para sei mãe no sentido físico da palavra ou no mais espiritual e elevado sentido, embora não menos real.”
Uma mulher, verdadeiramente mulher, só pode ver todos os problemas da vida humana na simples perspectiva da família. Um delicado senso de dignidade a põe em guarda toda vez que uma ordem social ou política ameaça prejudicar sua missão de mãe ou atinge o bem da família.” - Que fazer então?. .. Responde-nos Pio XII (que Papa para os tempos modernos!): “Vosso dia chegou, mulheres e jovens católicas! A vida pública necessita de vós! A cada uma de vós poderíamos repetir: vosso destino está em jogo.”
A mulher moderna não é a que reproduz em seus trajes e em suas maneiras o modo de pensar e de agir dos figurinos de Hollywood. É aquela que, saindo do seu comodismo e da sua apatia, vive e sente as necessidades da atormentada hora que vivemos, trabalha por salvar do naufrágio, em que todas as instituições estão sossobrando, as virtudes e as prerrogativas tradicionais da mulher cristã. A mulher para ser moderna deve conservar-se, acima de tudo, mulher.”8

Se em certos lugares uma Congregação Mariana feminina não puder existir, não significa que em outros lugares ela não possa ser fundada ou reaberta.
Mesmo em Congregações Marianas mistas deve haver um momento somente para as moças e senhoras. Talvez separando ainda por idade – jovens de idosas – mas mesmo assim proporcionando formação específica para o ser feminino. Quantas dúvidas seriam sanadas! Quantos corações seriam abertos! Quantos exemplos seriam compartilhados beneficiando a tantas outras pessoas!
Pensar o feminino nas Congregações Marianas: isso é cumprir nossa tradição e nossa Regra aplicando-as à moça católica.
Que a Virgem Pura nos ensine a Pureza e o “ser mãe”.





_____________________________________________________________
1- frase atribuída a Daniel Marc Cohn-Bendit, líder estudantil protagonista da massiva movimentação popular em maio de 1968 em Paris. Atualmente é um político francês de nacionalidade alemã do partido ecologista Die Grünen, atualmente deputado europeu e co-presidente o grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Daniel Cohn-Bendit nasceu na França em 4/4/1945, filho de judeus alemães refugiados na França em 1933 fugidos do Nazismo. Aos 14 anos, optou pela nacionalidade alemã porque, segundo ele, não queria se sujeitar ao serviço militar francês. Membro da Federação Anarquista, ele se definiu mais tarde como liberal-libertário. Em 1967, enquanto é estudante de Sociologia da Universidade de Nanterre, começa o movimento de contestação que levará ao Movimento de 22/3/1968. Na seqüência da evacuação das salas pela polícia em 2 de maio, está entre os estudantes que ocupam a Sorbonne em 3 de maio. Será, junto com Alan Geismar e Jacques Sauvageot, uma das principais figuras de Maio de 68. Em 21 de maio, enquanto está em Berlim, é proibido de retornar à França. Em 2010 declarou apoio à candidatura de Marina Silva a presidência do Brasil1 No segundo turno das eleições assinou documento em apoio à candidatura de Dilma Rousseff. O documento dizia que "por trás de José Serra, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades"2
2- O episódio conhecido com Bra-Burning (a queima dos sutiãs), foi um protesto com cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) na realização do concurso de Miss America em 7 de setembro de 1968, em Atlantic City, EUA. Com o objetivo de acabar com a exploração comercial realizada contra as mulheres, as ativistas se aproveitaram do concurso de beleza que era tido como uma visão arbitrária e opressiva em relação às mulheres. Assim, elas colocaram no chão do espaço, sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Embora a ‘queima’ propriamente dita nunca tenha ocorrido, a atitude das manifestantes foi incendiária. Este nome “queima dos sutiãs” foi dado pela mídia. Germaine Greer, jornalista e escritora australiana, declarou nos anos 60 “que o sutiã é uma invenção ridícula”, declaração que repercutiu em muitas mulheres que questionavam o papel do sutiã como objeto anti-sexista da liberação feminina. Depois disso, aconteceram queimas de sutiãs em vários cantos do mundo.
3- líder chinês criador da Grande Revolução Cultural Proletária (conhecida como Revolução Cultural Chinesa), uma profunda campanha político-ideológica levada a cabo a partir de 1966 na República Popular da China, para neutralizar a crescente oposição que lhe faziam alguns setores menos radicais do partido, em decorrência do fracasso do plano econômico Grande Salto Adiante (1958-1960), cujos efeitos acarretaram a morte de milhões de pessoas devido à fome generalizada, fato conhecido como a fome de 1958-1961 na China. A campanha foi acompanhada por vários episódios de violência, principalmente instigada pela Guarda Vermelha, grupos de jovens, quase adolescentes, oriundos dos mais diversos setores, organizados nos chamados comitês revolucionários, atacavam todos aqueles suspeitos de deslealdade política ao regime e à figura e ao pensamento de Mao, a fim de consolidar (ou restabelecer) o poder do líder onde fosse necessário. Os alvos da Revolução eram membros do partido mais alinhados com o Ocidente ou com a União Soviética, funcionários burocratas, e, sobretudo, intelectuais (anti-intelectualismo). Como na intelectualidade se encontravam alguns dos potenciais inimigos da revolução, o ensino superior foi praticamente desativado no país.
4- Contracultura é um movimento da década de 1960. Um estilo de mobilização e contestação social. Jovens inovando estilos, voltando-se para o anti-social, com espírito libertário, uma cultura underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo e pequenas realidades do cotidiano. A contracultura pode ser definida como um ideário altercador que questiona valores centrais vigentes e instituídos na cultura ocidental. Justamente por causa disso, são pessoas que costumam se excluir socialmente e algumas que se negam a se adaptarem às visões aceitas pelo mundo. A contracultura desenvolveu-se na América Latina, Europa e principalmente nos EUA onde as pessoas buscavam valores novos. Na década de 1950, surgiu nos Estados Unidos um dos primeiros movimentos da contracultura: a Beat Generation (Geração Beat). Os Beats eram jovens intelectuais, principalmente artistas e escritores, que contestavam o consumismo e o otimismo do pós-guerra americano, o anticomunismo generalizado e a falta de pensamento crítico que resultaria em um movimento de massa, o movimento Hippie.
5- decreto aprovado em 18 de novembro de 1965, onde se "reconhece o papel essencial que cabe aos leigos na vida da Igreja, a sua responsabilidade e autonomia em função de sua vocação específica". Faz parte dos Documentos do Concílio Vaticano II.
6- A Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizou-se em Medellín, na Colômbia no período de 24 de agosto a 6 de setembro de 1968, convocada pelo Papa Paulo VI para aplicar os ensinamentos do Concílio Vaticano II às necessidades da Igreja presente na América Latina. A temática proposta foi “A Igreja na presente transformação da América Latina à luz do Concílio Vaticano II”. A abertura da Conferência foi feita pelo próprio Papa que marcou a primeira visita de um pontífice à América Latina. Medellín apresentou-se como uma releitura do Concílio Vaticano II para a Igreja na América Latina. Em seu discurso inaugural, pronunciado no dia 24 de agosto em Bogotá, Paulo VI sublinhou a secularização, que ignorava a referência essencial à verdade religiosa, e a oposição – pretendida por alguns – entre a Igreja chamada institucional e a Igreja denominada carismática. O pontífice também evidenciou sua preocupação com os problemas doutrinários que se percebiam no imediato pós-concílio. Insistiu em promover a justiça e a paz, alertando diante da tática do marxismo ateu de provocar a violência e a rebelião sistemática, e de gerar o ódio como instrumento para alcançar a dialética de classes.
7- A Terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se em Puebla de los Angeles no período de 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979. Foi realizada em Puebla de los Angeles, no México, em 1979. Os bispos acolheram com entusiasmo a notícia e iniciaram os trabalhos preparatórios ao evento eclesial. Paulo VI apontou como documento de referência a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de 1975, na qual o pontífice analisava o que é evangelizar, qual é o conteúdo da evangelização, quem são os destinatários da evangelização, quem são seus agentes e que espírito deve presidi-la.
8- texto da Congregada mariana Beatriz Varela Guedes, publicado na revista Estrela do Mar, citado pelo autor in “Regra 45 – As CCMM especializadas”, págs. 63-64.

O mais importante é o amor


Vemos por vezes que alguns tem predileções, paciências, afetos por pessoas que achamos tolos, até mesmo insuportáveis. Não conseguimos entender como se pode perder tempo com aqueles que escarnecem do Sagrado, das boas obras...
Contudo, amigos nossos, pessoas queridas, tem grande amor para com eles e nós, vendo a vida por nossos próprios olhos, até mesmo criticamos a aparente “perda de tempo” de “nossos queridos” com aqueles que seriam então “nossos desafetos”.
O que ocorre é que todos somos uma grande família, a Humanidade, que possui um único Pai: Deus. Como na maioria das grandes famílias, há os irmãos que se amam por serem irmãos mas há também os que se amam mais do que somente a irmandade, a consanguinidade: é o amor por identificação. São aqueles irmãos que se ajudam, se apoiam, que tem paciência e mesmo a defesa perante a outros irmãos que perdem essa mesma paciência perante a visão de tantos erros e falhas cometidas tantas vezes. São esses irmãos, digamos, “mais amorosos” que fazem com que aquele irmão “ovelha negra” não se perca por completo, abandonando a família.
No trabalho apostólico de levar as almas a Deus, vemos isso frequentemente e não nos damos conta.
Há os que possuem uma visão deturpada da vida cristã. Escola, faculdade, família, amigos, foram os que lhes deturparam para as coisas de Deus. Essas pessoas não tem culpa do que pensam e agem. Logo que se aproximam do ambiente eclesial, surge aquele que age como um inquisidor, um “defensor da Fé”, como um “santo” que vê com “sentimento de justiça” o diácono Estêvão ser apedrejado. Chesterton alertava que “apenas a palavra de um Católico pode mantê-lo fora do Catolicismo. Uma palavra estúpida de um membro da Igreja faz mais estrago que cem palavras estúpidas de pessoas de fora da Igreja.” 1
Mas, pela bondade, de Deus surge alguém que age como Cristo perante a Samaritana: escuta, tem paciência, não condena, mas procura que ela mesma veja o quão está afastado da verdadeira Fé e isso modifica o seu coração: ela se converte e busca a Água-Viva.2
São Francisco de Sales, congregado mariano em Ravena (Itália), é autor de uma frase lapidar tão difundida que muitos nem sabem de sua autoria: “pegam-se mais moscas com uma colher de mel do que com barris de vinagre3. Uma frase simples, prática e com uma eficácia surpreendente.
Como poderemos ser essa “colher de mel” com todos? Isso é tão difícil que os santos que o conseguiram são homenageados com essa lembrança em suas hagiografias: “Passou fazendo o bem”. Quantos, mesmo os santos, podem ter essa frase no fim de sua vida como característica de suas existências?
Sim, é por demais difícil essa atitude, por nossas personalidades, caráteres, afinidades, mágoas escondidas... Mas podemos deixar tudo isso de lado quando estamos perante certas pessoas. A elas temos paciência, mansidão, uma palavra amiga. A outras não temos tempo, mas para essas temos todo o tempo do Mundo. São a essas que somos chamados a levar a Deus, a mostrar o amor do Pai, a fazê-las participar e amar a Igreja fundada pelo Messias esperado.
Mas e as que não amamos, isto é, as que não conseguimos amar? Peçamos a Deus que envie a elas, em certo momento de suas vidas, aquelas pessoas que as amem, que tenham paciência com elas, que façam com elas o que fazemos com estas, para que toda a Humanidade possa realizar o desejo de Nosso Senhor Jesus Cristo: “que todos sejam um”.4

Alexandre Martins, cm.


_______________________________________________
1- in “Ortodoxia”
2- Jo 4,14
3- in "Filotéia - Introdução à Vida Devota"
4- Jo 17,21

Beato Ladislau Findysz - congregado mártir pelo Comunismo



Alexandre Martins, cm.


Ladislau (Władysław) Findysz nasceu em Kroscienko Nizne, perto de Krosno, na Polonia. Era o dia 13 de dezembro de 1907. Filho de Estanislao Findysz e Apolonia Rachwal, camponeses de antiga tradição católica, é batizado no dia seguinte ao seu nascimento na Paróquia da Santíssima Trindade em Krosno.
Em 1919 termina o Primário, feito na Escola das Irmãs Felicianas (CSSF) em Krościenko Niżne, e inicia o Fundamental no Liceu do Estado.
É no Liceu que ingressou na Congregação Mariana.
Em maio de 1927, faz suas provas de admissão e faz seu Retiro Espiritual, que na época existiam especializados para estudantes.
No outono do mesmo ano ingressa no Seminário maior de Przemysl, onde começa os estudos de Filosofia e Teologia. Era reitor o padre Juan Balicki, atualmente bem-aventurado. É ordenado em 19 de junho de 1932 na Catedral da cidade, pelas mãos de Mons. Anatol Nowak, Bispo local.
Após um mês de férias, em 1 de agosto de 1932 assume como Segundo Vigário Paroquial em Borysław, atualmente localizada na Ucrânia. Em 17 de setembro de 1935 é nomeado Vigário paroquial de Drohobycz, também atualmente na Ucrânia. Em 1 de agosto de 1937 é transferido como Vigário para a Paróquia de Strzyżow, sendo nomeado administrador dela em 22 de setembro de 1939.
Em 1 de setembro de 1939, as Forças Armadas alemãs deram início a invasão à Polônia, também conhecida como Operação Fall Weiss: era o início da Segunda Guerra Mundial.
Em 10 de outubro de 1940 é nomeado vigário de Jasło e em 8 de julho de 1941 é administrador da paróquia dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo em Żmigród Nowy, sendo seu pároco em 13 de agosto de 1942.
Em Żmigród Nowy, pe. Ladislau passou três anos de trabalho pastoral árduo e sofrendo dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Era o resultado da ocupação da Polônia pela Alemanha Nazista. Em 3 de outubro de 1944 os alemães expulsam todos da cidade. Poucos meses antes do fim do conflito, retorna para reorganizar a paróquia em 23 de janeiro de 1945.
Mas pior que sob o domínio alemão revelou ser o domínio soviético. A Polônia tornara-se parte do Socialismo e foram tempos difíceis para padre Ladislau. Continuando com o trabalho de renovação moral e religiosa de sua paróquia, se esforça para proteger os fiéis, especialmente os jovens, do processo de doutrinação ateia desencadeado pelo Comunismo. Ajuda a cada um dos habitantes da paróquia, inclusive materialmente, fosse qual fosse sua nacionalidade ou religião. Nessa iniciativa, salvou várias famílias de greco-católicos de Lemki que foram duramente perseguidos pelas autoridades comunistas para tirá-los de suas casas.
Evidentemente o trabalho pastoral do padre Ladislau tornou-se um incômodo para os comunistas e até o ano de 1946 era vigiado pela KGB. Em 1952 as autoridades do Ensino Público o suspendem do ensino de Catequese nas escolas. Além disso, as autoridades do distrito tiram sua permissão de trabalho em todo o território paroquial por duas vezes (1952 e 1954).
Mas as autoridades eclesiásticas o consideram um pároco de grande zelo apostólico. Recebeu as honras do Expositorio Canonicali (1946) e o Roquete e o Mantel em 1957. Neste ano é nomeado Vice-arcipreste do Arciprestado de Nowy Żmigród, sendo Arcipreste em 1962.
Para manutenção espiritual do Concílio Vaticano II, inicia em 1963 as Obras Conciliares da Bondade. Envia cartas aos afiliados em situação religiosa irregular animando-os a porem novamente suas vidas de acordo com o Evangelho. Não tarda a haver reação das autoridades comunistas, acusando-o de “obrigar as pessoas a práticas e ritos religiosos”.
Em 25 de novembro de 1963 é interrogado em Rzeszów, sendo preso e confinado no Castelo. Durante os dias 16 e 17 de dezembro de 1963 o processo se desdobra, sendo então condenado a trinta meses de reclusão. O motivo de acusação era estar contra o Decreto de Tutela da Liberdade de Consciência e de Confissão, datado de 15 de agosto de 1949. Usado pelos comunistas, era um instrumento de cerceamento e eliminação da Fé Católica na vida pública da Polônia. A imprensa publicou textos apócrifos desacreditando, caluniando e condenando o padre Ladislau e seu trabalho. No Castelo de Rzeszów é submetido a maus tratos e humilhações físicas, espirituais e psicológicas. Em 25 de janeiro de 1964 é transferido para a Prisão Central na rua Montelupich, em Cracovia.
Sua saúde havia piorado muito, pois havia feito no Hospital de Gorlice uma perigosa operação para retirada da tireóide em setembro de 1963, antes de sua prisão. Sua saúde desde então tinha ficado frágil. Ficou à espera de uma segunda cirurgia marcada para dois meses após para retirada de um carcinoma no esôfago. Com o processo penal, e claro que com os maus tratos na prisão, fizeram piorar seu quadro. A falta de profissionais capacitados, e a ausência da futura cirurgia só fizeram aumentar sua doença. Os médicos da prisão diagnosticam um abcesso na garganta, provavelmente originário do carcinoma no esôfago.
Essa era a base de defesa do advogado da Cúria de Episcopal de Przemyśl, que desde o início de sua prisão recorreu para suspender a condenação que poderia ameaçar a vida do Padre Ladislau. Depois de inúmeras recusas, as petições foram enfim aceitas em fins de fevereiro de 1964 pelo Supremo Tribunal de Varsóvia.
Foi no dia 29 que saiu do cárcere de Nowy Żmigród em direção a sua casa. Com paciência e resignação à vontade de Deus, permanece na casa paroquial suportando os sofrimentos e esgotamento vindos da sua enfermidade. Mas em abril é internado no Hospital de Wrocław, onde é constatado o carcinoma entre o esôfago e o estômago. O quadro não sugere intervenção cirúrgica. Por um efisema pulmonar, cai em forte anemia que lhe indicaria a óbito. É quando o padre Ldislau retorna para casa.
No verão, no Seminário Maior de Przemyśl, participa de um retiro espiritual para sacerdotes. Era seu último. Na manhã de 21 de agosto de 1964, após receber os Sacramentos, vem a falecer na casa paroquial de Nowy Żmigród, sendo sepultado no cemitério paroquial no dia 24. A Missa de Exéquias foi presidida por Dom Estanislao Jakiel, Bispo-Auxiliar da Diocese de Przemyśl, com a participação de 130 sacerdotes e milhares de fiéis.
Em 27 de junho de 2000, D. Kazimierz Górny, bispo de Rzeszów, após inúmeras petições por parte dos fiéis, abre o processo diocesano para a beatificação do padre Ladislau. Após o encerramento dessa fase, as atas são enviadas à Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, aos 18 de outubro de 2002. Na fase romana, os teólogos bem como os membros da Sagrada Congregação reconhecem que o padre Ladislau foi preso e condenado pelas autoridades do regime comunista polonês apenas por anunciar o Evangelho. Sua prisão em 1964 na cidade de Nowy Żmigród, Polonia, bem como suas torturas físicas e psicológicas foram as causas de sua morte. Isso permitiu ver nele um Mártir da Fé. Ou seja, todo o seu sofrimento foi oriundo de apenas ser cristão. "É um sacerdote herói. Como menino e depois como jovem, pessoalmente pude ver isso”, afirmou D. Edwars Nowak, secretário da Congregação para a Causa dos Santos.
Foi beatificado em 19 de junho de 2005 em Varsóvia, durante o Congresso Eucarístico da Polónia. 25 mil pessoas assistiram à Missa de beatificação, presidida Arcebispo de Varsovia, Cardeal Jòzef Glemp, em representação do Papa Bento XVI. Sua festa é comemorada em 23 de agosto.
A primeira causa de beatificação da Diocese polonesa de Rzeszów também foi a primeira causa de beatificação de uma vítima do regime comunista polonês. As Congregações Marianas continuam a aumentar a lista de seus santos.