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Os Congregados fazem a Congregação

 


Alexandre Martins, cm.

Em uma escola são formados os alunos que entram leigos e saem instruídos. A escola é formada sem alunos, os quais entram nela depois. Uma Congregação Mariana, por mais que seja denominada “escola”, não é formada assim.

 

Um costume claro

As clássicas Congregações Marianas eram formadas após a Consagração das pessoas interessadas. Evidentemente que não eram admitidos qualquer pessoa, e os critérios eram rígidos, mas uma Congregação Mariana somente era uma real Congregação Mariana quando havia um grupo inicial de Congregados.
Era claramente entendido na época que uma Congregação Mariana é um agrupamento de Congregados e não simplesmente uma associação vazia, como se fosse uma “empresa clerical”. São os Congregados que fazem a Congregação Mariana e não a Congregação que faz os Congregados.
Parece, à primeira vista, um contra senso: como a Congregação Mariana não “faz” Congregados se somente após um período de formação justamente dentro de uma Congregação Mariana é que uma pessoa se “torna” uma Congregado?
A resposta requer um raciocínio simples: é a própria pessoa que se torna Congregado e não é “fabricada” por uma Congregação Mariana.
Em uma escola a criança é formada, mesmo sem uma total compreensão do que aprende. Muitas vezes é apenas um automatismo de aprendizado e somente no futuro terá uma melhor compreensão do que aprendem. No Exército os soldados são adestrados a terem atitudes em um confronto armado, mas não tem a real compreensão da sua função no teatro de guerra.
A Congregação Mariana, como agrupamento de pessoas fiéis e dedicadas à Virgem Maria, não somente ensina mas vive uma vida profundamente cristã. Em uma Congregação Mariana não se fazem atividades automáticas e sem sentido claro, mas atitudes praticas que são a materialização de uma vida espiritualizada, pois se sabe que a alma de todo apostolado é a vida interior. Diz o Papa Pio XII:“Desse fervoroso anseio da vida interior brota, como que espontaneamente, aquela completa formação apostólica dos congregados, acomodada sempre às novas e variadas necessidades e circunstâncias da sociedade humana, de tal maneira que não hesitamos um momento em asseverar que o modelo do homem católico, qual a congregação mariana, já desde os princípios, costumou formá-lo com não menor adequação que às necessidades dos passados tempos, corresponde às dos nossos, dado que hoje, talvez, mais que outrora, são precisos homens solidamente formados na vida cristã.”1
Uma Congregação Mariana, portanto, não é uma sala com livros e mobília, mas um agrupamento de pessoas consagradas à Virgem Maria. E que talvez precise dessa sala...
Por isso nos causa estranheza a demora injustificada em permitir a Consagração de novos membros. Por isso pode uma Congregação Mariana ser ereta em qualquer lugar. Por isso os locais de reunião são como que “santificados” dos locais escolhidos. Por isso uma Congregação Mariana reaparece coo mágica quando um grupo de Congregados novamente se reúne.

 

Dois exemplos comparativos

Um exemplo que pode ilustrar essa “criação” de uma Congregação Mariana pelo simples agrupamento de Congregados acontece no Exercito.
O Comando de uma região resolve criar um novo pelotão por algum motivo importante. O primeiro passo é relacionar soldados para esse pelotão. Soldados que já são formados, que possuem o treinamento necessário para serem reais combatentes. Com esse grupo em quantidade minima necessária, é criado o pelotão, com sua flâmula própria, nome próprio e ate mesmo um patrono.
De igual modo o “exercito de Maria” é criado. São os Congregados marianos já formados no amor à Virgem Maria, consagrados a Ela que formam uma Congregação Mariana e não o contrario. “Por essa consagração, o congregado fica para sempre obrigado para com a santíssima Virgem, a não ser que seja despedido por indigno, ou que, por ligeireza de ânimo, ele mesmo abandone a congregação”.2
Um outro exemplo tomamos de dentro das próprias Congregações Marianas: a formação de uma Federação.
Pela Regra e pela Tradição, uma Federação3 é formada com o numero minimo de três Congregações Marianas. Não se concebe, nem nunca houve, a criação de uma Federação Diocesana para promover a fundação de Congregações Marianas em uma diocese, como se fosse uma “fábrica de Congregações”. A Federação é a criação da união de algumas Congregações como uma Congregação é o resultado da reunião de alguns congregados.

 

O Congregado é a base da Congregação

Vê-se então ao caráter antropocêntrico das Congregações Marianas, e não o caráter institucional que alguns teimam em promover. É o homem que é o valorizado nas Congregações Marianas e como filho adotivo de Deus como herdeiro da Pátria Celeste e não como um membro de uma instituição qualquer, como se fosse peça ordinária de uma máquina. As Congregações Marianas não são uma “massa de pessoas” mas um agrupamento de indivíduos pensantes e atuantes.
A Congregação Mariana “destina-se a acender nos congregados de Maria aquelas chamas da divina caridade e a alimentar e fortalecer aquela vida interior, necessária sobremaneira nesta nossa idade, em que, como noutra ocasião com dor advertimos, tantas multidões de homens padecem "vazio de alma e profunda indigência espiritual".4
E também “o objetivo fundamental da formação espiritual do Congregado Mariano é levá-lo à descoberta, cada vez mais clara, da própria vocação como batizado e consagrado a Nossa Senhora e à disponibilidade generosa para viver esta vocação no cumprimento da missão divina e humana que dela decorre”.5
É o “pensar o Congregado” que percebemos que na sua formação “é igualmente, importante o conhecimento e a prática dos métodos de trabalho pastoral que o capacitem para desempenhar eficazmente sua missão apostólica e a atividade evangelizadora na comunidade em que atua e no meio familiar e social.”6 E, ainda mais, fomentar no Congregado “o crescimento no campo dos valores humanos, como a competência profissional, o sentido de família, o espírito cívico e as virtudes próprias da convivência social como a honradez, o amor à justiça e à verdade, a sinceridade, a amabilidade, a fortaleza de ânimo, o senso de responsabilidade”.7
Que a Virgem Maria nos ajude valorizar a nossa Consagração Perpetua a Ela, um ato que nos torna seus filhos prediletos e os pilares de suas Congregações.
Salve, Maria!



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1- Papa Pio XII, Discurso aos Congregados marianos, 21/1/1945.
2- Papa Pio XII, Const. Bis Saecularii, §70 / Regras Comuns, l, 27, 30.
3- Regra de Vida 68: “As Federações Diocesanas poderão ser criadas em Dioceses onde houver um mínimo de três Congregações Marianas”
4- Papa Pio XII, Const. Bis Saecularii, §5 / ibid, Carta enc. Summi Pontificatus, 20 de Out. de 1939; AAS 31, p. 415.
5- Regra de Vida 27 / Christifideles Laici ("Os fiéis leigos") - Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa João Paulo II sobre vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo, § 58
6- Regra de Vida 31

7- Regra de Vida 32 / Apostolicam Actuositatem ("A atividade apostólica") - Decreto sobre o apostolado dos leigos, do Concílio Vaticano II, promulgado pelo Papa Paulo VI, §4.

Reabrindo uma Congregação Mariana



Alexandre Martins, cm.

Como se sabe, por tradição, uma Congregação Mariana, depois de corretamente fundada, nunca mais deixa de existir em um local, a não ser se o próprio local também deixar de existir, como uma escola ou uma fábrica. Embora a fundação de uma nova Congregação Mariana tenha suas condições importantes, a reabertura de uma antiga Congregação Mariana é relativamente mais simples.
Existiu uma Congregação ali?
Além do desejo de se reabrir uma Congregação Mariana que se sabe que tenha existido no local, é importante que se tenha as provas disso.
Não basta o depoimento oral de antigos paroquianos, por exemplo, mas a comprovação por documentos e fotos existentes no local ou em outros lugares. Por vezes, somente a Federação Diocesana ou mesmo o Museu da cidade tenham as informações da antiga Congregação Mariana. É procurá-los para saber tudo o que for possível saber sobre ela.
Primeiro, sua data de fundação e a confirmação do local exato. Quem foram os primeiros Congregados é um dado importante mas não necessário. O documento de Ereção Canônica1 ou ao menos sua citação nos arquivos diocesanos é importante. Neste documento há uma menção dos padroeiros da Congregação Mariana, o que é importante e necessário para a reabertura.
Quem participa? Os antigos ou novos?
Segundo, relacionar os interessados em participar da Congregação Mariana reaberta. E e nesse momento que se procuram os antigos Congregados.
Algumas pessoas deixam de participar das Congregações Marianas não por estar a Congregação fechada, mas porque suas vidas se modificaram de algum modo. E isso deve ser levado em conta quando se procurar os antigos Congregados. Alguns já estarão idosos e não desejarão mais estar em algo no qual deixaram sua juventude ou que a lembre. Outros podem acreditar que noa estão mais no “clima” para retornarem. Esses e outras ideias devem ser levadas em conta e não se deve forçar a nenhum antigo Congregado o retorno à Congregação Mariana que será reaberta. Mas nada impede de que todos sejam chamados.
Temos então uma situação especial: antigos Congregados e novos membros na reabertura de uma Congregação que ficou fechada por vários anos. O que fazer?
Primeiramente, como foi citado acima, nem todos os antigos Congregados podem desejar retornar e também os que desejarem ser novamente inseridos podem não querer participar da Diretoria. Uma solução é haver uma reunião especial com os antigos Congregados e os novos membros que desejam ajudar na Diretoria e, tendo o sacerdote como animador e mediador, achar uma fórmula adequada para cada caso. Poderá então surgir desta reunião uma Diretoria composta de antigos e novos membros, que regerá a Congregação de agora em diante.
Se nada há de uma antiga Congregação Mariana além de alguns registros, todo quadro de membros sera novo, inclusive a nova Diretoria.
Quem dá o “pontapé inicial”?
Há uma ideia de que uma Congregação Mariana somente possa ser fundada ou orientada por um Congregado mariano, ou seja, somente um Congregado de outra Congregação Mariana tem “permissão” de ser o formador e o instrutor de uma nova Congregação Mariana ou , neste caso, ser o agente da reabertura de uma Congregação Mariana antiga. É um erro pensar assim.
O ideal gesto nem sempre é o possível que seja feito. Nem sempre teremos Congregados suficientes, com disponibilidade e capacidade suficiente par essa ação.
Na verdade, qualquer um pode, tanto fundar uma nova Congregação Mariana quanto reorganizar uma antiga. Para isso existe o Manual de Congregado e a Regra de Vida. Basta segui-los.
Em algumas dioceses há Federação de Congregações Marianas. É importante procurá-la e pedir orientação. E não tiverem um Congregado disponível par acompanhar mais de perto o processo de reabertura, irão ajudar de outras formas.
Não há, nem para a fundação de uma Congregação Mariana nem para sua reabertura, um “tempo de preparação” que deva ser cumprido uma reabertura pode durar meses ou até mesmo somente dias. Há casos de Congregações Marianas que foram reabertas em apenas uma semana. Não é o tempo de preparação para a reabertura que dará o sucesso da Congregação Mariana mas a constância nos anos seguintes.
Exceto o nome, tudo novo
Partindo do pressuposto que uma Congregação Mariana esteja sendo reaberta em um local aonde não exista mais nenhuma dos antigos Congregados, o processo é simples: os interessados reúnam-se com o sacerdote que pode ser o assistente e recolham todas as informações que puderem sobre aquela antiga Congregação Mariana. Depois, organizem um calendário de reuniões baseado primeiramente no estudo da Regra de Vida bem como outras atividades de apostolado e piedade. Marca-se uma santa missa aonde serão recebidos os novos membros e tomara posse a nova Diretoria. A partir deste momento esta reaberta a Congregação Mariana.
Em seguida é bom que a Federação Diocesana seja notificada da reabertura e mesmo que seja chamada a se fazer representar nessa “Missa de reabertura”. A partir da reabertura, a Congregação Mariana também se compromete a participar das atividades da Federação e do convívio com as demais Congregações Marianas.
Lembremos ainda o que mostra a Regra: “Autorizada a constituição da Congregação Mariana, ela se obriga a solicitar sua filiação na Federação Diocesana. Não existindo ainda a Federação na Diocese, esta filiação e inscrição será feita diretamente, a título provisório, na Confederação Nacional como Congregação Mariana isolada.” (RV,42)
A partir da reabertura, embora os registros sejam continuados, como a manutenção dos padroeiros e a comemoração da data original de fundação (que consta como a a vida inteira da Congregação Mariana, desprezando o tempo perdido) os livros serão novos, como o de Atas, Diário e Caixa. O fichário da Congregação Mariana, embora possa ainda conter as fichas antigas que agora se agruparão com um “arquivo morto”, terão as fichas dos novos membros. É a vida retornando à antiga associação e dando continuidade histórica àquela antiga Congregação.
A experiência nos mostra que o maior problema para a reabertura de uma Congregação Mariana esta na continuação dos registros. Por esse motivo em alguns lugares se optar por formar uma nova Congregação Mariana ao invés de reabrir a antiga. Um desperdício, talvez.
Burocratas?
Embora possa parecer à primeira vista uma excessiva burocracia em uma simples devoção mariana, é importante lembrar que todas as ações relevantes da Igreja Católica tem essa mesma preocupação com registros e documentos. A Congregação Mariana é uma associação muito importante e como tal possui seus documentos.
Devemos ver todo esse trabalho documental como o zelo com preservar a memoria dos que nos recederam, das glorias passadas daquela Congregação Mariana, que serão outras mais para o futuro. A lembrança documentada dos bons atos dos antigos Congregados servirão de estimulo para os Congregados do futuro. É a preservação da santa memoria, para que o Bem não caia no esquecimento.
Como exemplo da utilidade dos documentos de uma Congregação para a preservação da memória de bons atos e saudáveis atitudes, lemos este relato2 de Paulo Toschi que não seria possível sem estes mesmos documentos:
Confesso que fico na dúvida se a Congregação Mariana das Trincheiras que meu pai co-fundou é a única, ou se outras também foram organizadas, eis que a devoção mariana era intensa, naquela época. Sei que meu pai oficializou a Congregação Mariana das Trincheiras de que falo, mediante registro no Livro de Atas da Congregação Mariana de Nossa Senhora do Bom Conselho e de São José, da Paróquia do Divino Espírito Santo da Bela Vista (Rua Frei Caneca).João Antonio Julião Neto, primo de Paulo Augusto da Costa Aguiar, também fazia parte da mesma Companhia e também era membro da Congregação da Bela Vista, tendo, portanto, também, participado da fundação da Congregação Mariana das Trincheiras.”

Que a Virgem, Mãe e Rainha das Congregações Marianas nos ampare em nossos atos para o bem da sua Causa. 


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1- Regra de Vida 40. Atualmente a “Ereção” foi substituída por “consentimento escrito do Bispo Diocesano”. Diz o texto do CDC: “ Para erigir validamente na diocese uma associação ou uma sua seção, mesmo que isso se faça por privilégio apostólico, requer- se o consentimento escrito do Bispo diocesano”