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Samambaias

Alexandre Martins, cm.



Todos os homens devem trabalhar em prol da salvação dos outros no próprio estado de vida, por obediência ao princípio do amor santo.1



Uma samambaia é uma planta curiosa: não tem aroma como a arruda e a hortelã, não tem flores como o jasmim ou a flor-de-maio, não dá frutos como a pimenteira. É simplesmente uma planta. Está ali, verde, viva, crescendo, trocando de folhas e morrendo.
Há pessoas que são como a samambaia: apenas vivem. Estão em movimento, trabalham, estudam e apenas isso. Sem ideais, sem mudanças significativas, sem nada. Apenas vivem. Pessoas que ocupam espaço no ônibus, numa fila, numa multidão.
Há plantas que apenas sua presença faz uma grande diferença. A arruda com seu cheiro acre é percebida mesmo se estiver cortada em molhos. O crisântemo não tem aroma para os humanos, mas seu cheiro espanta todo o tipo de inseto: basta plantá-lo num jardim e não há mais nenhum problema com moscas e pragas.
Há pessoas, que simplesmente com sua presença, fazem uma grande diferença. Nem precisam estar em passeatas ou falar alto. Basta sua presença e o ambiente se torna diferente. Sabem sorrir, conversar, agir de um modo agradável. É gostoso o ambiente onde estas pessoas estão. A alma é uma árvore nascida para o amor; sem ele não vive. Privada do amor divino da caridade, não produz frutos de vida, mas de morte.2
Em contrapartida outras pessoas, como as samambaias, apenas estão. Simplesmente estão. É por isso que se colocam samambaias em escritório, em especial, os escritórios refrigerados: elas não sofrem com a falta de sol, nem com a mudança de temperatura. Basta um pouco d'água e estão lá, verdes. Nem tem cheiro para que possam incomodar os que são alérgicos. Há pessoas que apenas estão. Não agem. São uma plateia silenciosa. Apenas estão lá. Não riem, não choram, nem tossem. Apenas sabemos que estão lá porque as olhamos e estão vivas nos olhando. A Fraqueza da Fé de muitos nasce de seus maus costumes.3
Nas Congregações Marianas se confundem samambaias com hortelãs.
Há diretores que, por medo de estar a Congregação com poucos membros, por ambição ou mesmo por uma certa compaixão de alguma pessoa, admitem aos quadros de congregados literalmente qualquer tipo de “verde”, ou seja, qualquer pessoa que esteja participando da Santa Missa é chamado para ser congregado, para ingressar numa Congregação. Mas esses apenas “estão”. Não fazem nada, não propõem nada, não progridem em nada. Como samambaias, existem. Quem não Me ama, também não ama os homens. Por isso não os socorre.4
Mas não deve ser assim. O congregado deve ser aquele que dá diferença. Alguém que com sua presença irradie uma presença benfazeja no ambiente e em todos os que o rodeiam. Assim como o alecrim. Assim como as rosas. [você deve] Não contentar-se apenas com o próprio progresso espiritual mas tornar-se para os outros amparo, fonte e centro da vida espiritual.5
Só com esta influência benéfica é que podemos alargar as fronteiras do Reino de Cristo na Terra. Só assim poderemos levar a bem-aventurança às criaturas. Deus quer salvar uns por meio dos outros.6
Uma das consequências de desenvolver uma espiritualidade positiva é querer compartilhá-la com outros, levar uma mensagem de esperança, uma vida nova e novas possibilidades aos outros.7
Há sempre boas pessoas de ambos os lados, mas para um congregado ser realmente digno deste nome deve ser uma hortelã... ou uma pimenteira... mas nunca uma samambaia.



_________________________________________
1- s. Catarina de Sena, in “O Diálogo”, ed. Paulinas, pág. 144
2- ibid. pág. 44
3- s. Afonso de Ligório, in “Prática do Amor a Jesus Cristo”, ed. Santuário, pág. 128
4- s. Catarina de Sena, in “O Diálogo”, ed. Paulinas, pág. 36
5- b-av. Jorge Matulaitis, in “Diário Espiritual”, Ed. dos Padres Marianos, pág. 56
6- d. Estêvão Bettencourt, OSB, homilia em 7 de maio de 2000 na Abadia NsªSrª de Montserrate, Rio de Janeiro, RJ.
7- pe. Gérard H. Chylk, CSSR, in “12 passos para aprofundar a sua Fé”, ed. Santuário, pág. 23

Nossa Senhora de Guadalupe: modelo de evangelização


Alexandre Martins, cm
sobre Excertos do texto de Mons. Guerrero1



O Nican Mopohua - crônica das aparições da Virgem de Guadalupe - é narrado no idioma dos índios do México e, segundo seu conceito religioso e cultural, indica, em seu início, a época e o contexto dos fatos:
"... Dez anos após a conquista da cidade do México, no momento em que, finalmente, as flechas e os escudos foram depostos e que a paz passou a reinar em toda parte, entre os povos, surgiu a fé e o reconhecimento d`Aquele por meio de quem tudo vive: O Verdadeiro Deus, havia surgido, brotado, e, verdejante, abria a sua corola..."
A paz, para um índio do México daquela época, não representava regozijo algum. A civilização asteca havia nascido das "flechas e dos escudos" da guerra. Esta era a sua razão de ser. Para aqueles índios, extremamente religiosos, era por meio da guerra e do sacrifício humano que o universo se mantinha preservado.
Após o sacrifício dos deuses, dando vida ao universo, tornou-se dever dos homens e, mais particularmente, dever do povo do sol, colaborar com o sacrifício dos deuses, preservando o universo com a oferta do sangue. Cada ser humano foi chamado ao sacrifício e à doação do sangue. Porém, o sangue é ofertado no momento dos sacrifícios humanos e, as guerras contínuas, têm a função de alimentar, por meio das vítimas, esses sacrifícios sangrentos. Quando os sacrifícios humanos e as guerras que os alimentam cessam, é a civilização asteca que deixa de existir, pois já não é mais necessária ao sustento do universo.
É sobre esses escombros da antiga ordem do mundo que o Nican Mopohua indica o florescimento de uma nova fé e de um novo conhecimento do Verdadeiro Deus.

"...Juan Diego, o menor dos meus filhinhos, acolhe o que te digo como verdade; fica sabendo que eu sou a perfeita, a sempre virgem, Santa Maria, mãe do Deus verdadeiro, por quem tudo vive, sou mãe do Criador das pessoas, mãe d´Aquele que é proprietário de tudo o que está próximo e de tudo o que está longe; Ele é o Senhor do Céu e da Terra..."
Tanto para Juan Diego como para os índios do México, não se tratava de uma descoberta, a existência de um Deus único, criador de todas as coisas. Além da abundante quantidade de deuses, no mais alto céu, aquele que é o mais inaccessível permanece; Ometeotl, o deus da dualidade, sendo por si só, princípio masculino e feminino, o pai e a mãe de todos os deuses e de qualquer outra coisa. É exatamente no céu de Ometeotl que se encontram a paz, a harmonia e a estabilidade. Logo abaixo, nos níveis dos deuses e dos homens, se encontram as alterações, a instabilidade, o conflito e a guerra.
A boa nova, a novidade inesperada e extraordinária é que Ometeotl tenha uma genitora e que esta genitora seja humana. Ometeotl é mãe e pai dos outros deuses, mas ele mesmo não possui nem pai, nem mãe. Antes, em sua categoria, os homens só tinham conhecimento de suas manifestações parciais e conflituosas: a grande quantidade de deuses. A partir de então, o próprio Inacessível desce até seus filhos, os homens: e foi este prodígio que Maria Santíssima, a Virgem e Mãe, veio anunciar Ao mundo.

"...Eu quero, eu desejo, realmente, que aqui seja erguida minha pequena casa sagrada; nela eu O mostrarei, e O exaltarei revelando-O a vós..."
A santíssima Virgem Maria pede que se erga um templo no local onde ela aparece, no alto da colina de Tepeyac, antigo centro de culto dedicado a uma deusa mãe. Porém, este templo será consagrado a um novo culto: a exaltação e a revelação do Deus único, Ometeotl.
Este pedido foi dirigido ao bispo local através do vidente Juan Diego Cuauhtlatoatzin (1474-1548). Apesar de ser muito pobre e, doravante, um católico convicto, Juan Diego era príncipe e sacerdote pagão. Então, como legítimo representante político e religioso dos índios, solicitou ao representante do novo deus, trazido pelos espanhóis, autorização para erigir um templo dedicado à exaltação e à revelação do Deus único, Ometeotl.
Além disso, Juan Diego não chega de mãos vazias. Ele oferece um sinal ao bispo, representante legítimo da religião católica dos espanhóis; as magníficas rosas surgidas em pleno inverno no solo árido da colina de Tepeyac: eram flores do paraíso, do céu, da religião dos astecas. Um tal dom impressionou o prelado.
Em seguida, na presença do prelado, Maria Santíssima deixou sua imagem impressa na tilma2 de Juan Diego. A imagem é a presença verdadeira daquele ou daquela que nela está representada. A tilma, é o símbolo da pessoa que a veste. Na presença e sob a autoridade do bispo católico, Maria Santíssima virgem, levando ao seio o Deus único, Ometeotl, imprime sua imagem no manto daquele humilde homem que representava, então, os índios do México. É a Encarnação que se estende.

"...porque, na verdade, eu sou vossa mãe compassiva, tua mãe e mãe de todos os homens que, nesta terra, são um só; e sou mãe de todas as diversas raças de homens..."
Maria Santíssima anunciou a boa nova da presença do Deus único Ometeotl entre os homens. Ela enuncia, a seguir, as conseqüências (a conseqüência): a unidade. Não existe mais a guerra como razão do existir, visto que Aquele que é harmonia e paz desceu, enfim, no meio dos homens.
Maria manifesta, além disso, esta unidade na representação de sua pessoa, ao longo das aparições e sobre a imagem que nos deixou. Ela se apresenta com o nome de Santa Maria tal como os espanhóis a chamam, e se submete, em seus pedidos, ao acordo do prelado espanhol, mas jamais pronuncia o nome de Jesus Cristo, ao falar do Deus único e de sua encarnação, segundo os conceitos da cultura e da religião indígena. Sobre a tilma de Juan Diego, ela se deixa representar num estilo pictórico espanhol, porém o código de leitura da imagem pertence completamente à cultura dos indígenas.
Além disso, seu rosto não é representado nem como o de uma mulher espanhola nem como o de uma mulher índia, mas como o de uma senhora mestiça, união das duas raças.
Assim nasceria um povo novo, os mexicanos: povo profundamente mariano e católico.


* * *


1- GUERRERO, Monsenhor José Luis G. (Vice-postulador da Causa da canonização de Juan Diego Cuahtlatoatzin): EL NICAN MOPOHUA, Um intento de exegese; Flor e canto do nascimento do México; os dois mundos de um índio santo. 
Disponível em http://www.virgendeguadalupe.org.mx/bibliografia.htmAcesso em 13/12/2009.
2- uma espécie de capa inteiriça colocada sobre os ombros que ia até a cintura e feita de palha de coco.

O Ton de Maria

Alexandre Martins, cm.

Nascia no Rio de Janeiro em 1922, de família fervorosamente católica, Antonio Rodrigues Maia. Seu berço e base de apostolado até o fim de vida foi o bairro da Tijuca, o qual homenageou com um belo livro.
Sua mãe levava todos os irmãos à Missa Dominical na Paróquia dos Padres Capuchinhos à Rua Haddock Lobo, onde os fiéis reservavam um dos compridos bancos "para a família dos Maia", os 16 irmãos.
Um militar congregado levou o jovem Antonio para a Congregação Mariana local, o que, segundo este, influenciou o seu estilo militar de ver a Consagração à Virgem. Na famosa Concentração Internacional das Congregações Marianas no Rio de Janeiro em 1935, o jovem candidato a Congregado viu todo o esplendor das associações marianas em um evento que parou a então capital brasileira. Isso marcou para sempre e deu mais entusiasmo em dedicar toda a sua vida a ser um "cavaleiro da Virgem e a lutar por sua Causa".
Várias são suas obras cristãs e outro tanto de literatura profana, como pesquisas e resenhas.
O Antonio poeta, dentre outros escreveu poesias que contava seu amor por sua esposa, Laurita, que o acompanhou até o fim. Escritor incansável ao mesmo tempo caótico - seus apontamentos ficavam no pequeno quarto em sacolas de mercado - em tudo via motivos para escrever: em defesas da Fé, em propagar as virtudes de Maria, em pesquisas sobre os temas mais controversos e esquecidos...
A maioria de suas publicações foram feitas de próprio bolso, sem ajuda de qualquer, o que o fazia por vezes contrair dívidas. Dizia que somente o pequeno apartamento onde morou toda a vida de casado é que foi de um livro que tinha lhe dado lucro, o "A Missa - guia prático para os fiéis", elogiado por Cardeais do Vaticano, dada a sua profundidade e clareza de pensamento.
Irmão do cantor Tim Maia, gravou discos de 78 rotações com vários temas. Chegou a usar o pseudônimo de "Ton" - de Antônio, já que o irmão Sebastião usava o "Tim"- em brincadeiras com os amigos.
Nas Congregações Marianas - razão de sua vida - foi o baluarte de todos os seus contemporâneos. Incompreendido muitas vezes, aplaudido outras tantas, foi Secretário Geral da Confederação Nacional do Brasil por vários anos e também o maior Diretor que a revista nacional, a "Estrela do Mar", teve em sua existência. Os exemplares dos anos em que Antonio Maia esteve organizando foram dos mais profundos e servem de referência de História e Pesquisa do Estilo de Vida das Congregações, como de Liturgia Doutrina Católicas. Seu "expediente" na sede da Confederação era espartano: das sete às vinte horas, todos os dias.
Seu amor pelas Congregações de Maria o fez viajar pelo Brasil e pelo Mundo nos Congressos que se realizavam frequentemente na época. Este mesmo amor o levou a ter seu primeiro derrame cerebral quando da mudança das Regras das Congregações pelos jesuítas que veio a provocar uma derrocada da pujança destas associações em todo o Mundo. Outros derrames sucederam nas décadas seguintes até o final, que o levou às vinte e três horas do dia 8 de junho de 2000.
Era jornalista e sua pouca renda durante a vida era conseguida de vários trabalhos, tanto jornalísticos quanto de escritor e articulista. Mesmo assim teve quatro filhos e uma perene disposição para o trabalho intelectual.
Defensor da Fé e das Congregações Marianas, redigiu várias cartas ao Cardeal do Rio e mesmo uma "Carta Aberta" ao então Pontífice João Paulo II, pedindo providências a abusos vários que via acontecerem.
Sua capacidade de memória é admirada até hoje pelos que escutaram suas palestras. Estas sempre foram o marco de sua personalidade forte: palavras vibrantes e de efeito, uma voz poderosa, sabedoria intelectual, argumentos sólidos e embasados, um ânimo varonil que existia nos antigos congregados... Tudo isso fazia a admiração dos jovens e chamava a atenção dos mais velhos.
Se "de Maria nunquam satis - de Maria nunca se sabe tudo", de Antônio Maia nunca se poderá dizer tudo.
O Ton de Maria hoje repousa à direita dela. Sentado sobre o Manto azul que sempre ostentou em sua insígnia de congregado com sabedoria e sem respeito humano, está "o Maia" - como lhe apelidaram os amigos - confortado com a presença real daquela a quem dedicou todos os seus anos de vida. Nossa boa Mãe o recompensará como o dito nas Escrituras: "aquele que me torna conhecida, terá a vida". E mais recompensados seremos nós, congregados marianos, por termos jóias como essa em nossos quadros seculares.

publicado em 19/6/2000

* * *

Livros no Outono.

Neste Outono de 2011, foram publicados novos livros:















 Alexandre Martins neste livro mostra as várias especialidades das Congregações Marianas - sua atuação no estado de vida humano - e sua utilidade pastoral. 
Algo como o “carisma das CCMM”, ou seja, aquilo que as distingue de outras associações marianas.
brochura, 97 págs.



Alexandre Martins neste livro faz breves meditações sobre a passagem bíblica do publicano Zaqueu mostrando sua comparação com o processo de conversão pessoal do cristão. À luz dos Padres da Igreja e dos discursos dos Pontífices, faz a correta análise sobre o uso cristão das riquezas.
brochura, 63 págs.



Alexandre Martins neste livro publica uma palestra sua dada a Congregados Marianos da Zona Oeste da Federação das CCMM do Rio de Janeiro (RJ), enriquecida com amplos comentários e notas explicativas.
brochura, 115 págs.


pedidos:

O agir de verdadeiros Congregados marianos

Alexandre Martins, cm
23/03/2011 
 
 
prólogo: 
Circulou pela Rede um email caluniando Congregados marianos cariocas e endereçado às lideranças leigas da Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. 
O texto a seguir é uma resposta a acusações levianas às Congregações Marianas e foi vinculado da mesma forma pela Internet.

  

As Congregações Marianas - associações públicas de fiéis - são reconhecidas pela Igreja desde o século XVI, tendo a primeira CM sido fundada em 1563. O caráter marcial e sua obediência ao Magistério da Igreja fizeram sua fama por séculos e seu cultivo das virtudes cristãs proporcionaram até agora 90 santos e bem-aventurados, além de 23 papas e um sem número de religiosos.

Cientistas como Alexandre Volta e artistas como Peter Paul Rubens foram Congregados marianos. Escritores como Mário de Andrade e politicos como o ex-vice-Presidente da República Marco Maciel também.

A Jornada Mundial da Juventude 2011 tem como padroeiros santos Congregados marianos: Rafael Arnaiz, Rosa de Lima e o saudoso João Paulo II. Isso demonstra o caráter sempre atual das Congregações Marianas (CCMM).

Atualmente há Congregações Marianas em vários países, como EUA, Colômbia, Líbano, Irlanda, Espanha, Grécia, México, etc.

Sou Congregado mariano há 25 anos e estou nas Congregações Marianas há 28. Dentre várias experiências no campo de pastoral - juventude, universitária, etc - tive sempre boas influências provindas das CCMM. Foi o que aprendi de comunhão eclesial e de atividade apostólica nas CCMM que me fez trabalhar no meio do Mundo como a Igreja pede a todos os leigos.

Infelizmente há, como em todo lugar, pessoas que não aproveitam do bem do local e agem de forma errada. Nas CCMM, isso ocorre, em grau bem menor, mas ocorre.

Acusações que "tal congregado disse isso" ou "aquele congregado desejou tal mal" não correspondem em absoluto o caráter de um verdadeiro Congregado. Temos estágios de preparação para a Consagração marial e muitos desistem no meio do caminho, provando que não tem vocação para um ato tão importante. Daí talvez a confusão de dizerem "um congregado" ou invés de "alguém que frequenta uma CM". Se tal atitude ocorre por parte de um Congregado, não corresponde ao que se ensina nas CCMM e é um caso raro e à parte. O conhecimento de um ato como esse por parte dos dirigentes pode levar a sua expulsão se não houver emenda por parte dele.

Em todos os setores da Igreja atual iremos encontrar Congregados marianos. São pessoas abnegadas que desejam apenas "sentir com a Igreja", usando do lema "Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam" - do latim, "todos com Pedro a Jesus por Maria".

Não há cizanias por parte de verdadeiros Congregados. Não há agressividade. Há sempre concórdia e desejo de ajudar (um desejo tão grande que muitas vezes esquecem das próprias CCMM para ajudar uma pastoral).

Nossa Regra de Vida, aprovada em 1998 pelo Pontifício Conselho dos Leigos, é a continuação da primeira Regra, publicada em Bula de 1586. Temos tradição e contemporaneidade. Somos mais uma alternativa dentre tantas da Santa Igreja para todos os fiéis - leigos e religiosos - que desejam seguir a Cristo.

aos que desejarem conhecer-nos, há vários sítios de Internet, dentre os quais cito:
em nossa página temos um email para sanar quaisquer dúvidas sobre nosso modo de ser e nossas atividades em: contato@sededasabedoria.org

a todos nossos irmãos em Cristo, nossa saudação oficial:

Salve, Maria!

Os Nomes de Maria no Catecismo da Igreja Católica


Alexandre Martins, cm.

“Hodoghitria" ou “quem mostra o caminho”1

A partir do consentimento dado na fé por ocasião da Anunciação e mantido sem hesitação sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos e às irmãs de seu Filho "que ainda são peregrinos e expostos aos perigos e às misérias”. Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele. Maria "mostra o Caminho" (em grego Hodoghitria), é seu "sinal” conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.
“Panhaghia” ou “toda santa” 2
Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus "a toda santa" (do grego Pan-hagia), celebram-na como "imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura". Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.
Advogada, Auxiliadora, Protetora, Medianeira3
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira."
Assunta 4
"Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. "A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
“Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte...”5
Cheia de graça 6
O Espírito Santo preparou Maria com sua graça. Convinha que fosse "cheia de graça" a mãe daquele em quem "habita corporalmente a Plenitude da Divindade" (Cl 2,9). Por pura graça, ela foi concebida sem pecado como a mais humilde das criaturas; a mais capaz de acolher o Dom inefável do Todo-Poderoso. É com razão que o anjo Gabriel a saúda como a "filha de Sião": "Alegra-te". É a ação de graças de todo o Povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir ao Pai no Espírito Santo em seu cântico, enquanto traz em si o Filho Eterno.
Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria:
"Ave, Maria (alegra-te, Maria)." A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva7, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela.8
"Cheia de graça, o Senhor é convosco." As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Ap 21,3). "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.
"Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus." Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada': "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: "Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".
Escrava do Senhor9
Maria10 "permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre" : com todo o seu ser Ela é "a Serva do Senhor" (Lc 1,38).
Imaculada 11
Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus,12 foi redimida desde a concepção. E isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX:
A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.13

Esta "santidade resplandecente, absolutamente única" da qual Maria é "enriquecida desde o primeiro instante14 de sua conceição, lhe vem inteiramente de Cristo: "Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime”.15 Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a "abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1,3). Ele a "escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor" (Ef 1,4).
Mãe da Igreja16
Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, convém agora considerar lugar dela no mistério da Igreja. "Com efeito, a Virgem Maria (...) é reconhecida e honrada como a verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. (...). Ela é também verdadeiramente 'Mãe dos membros [de Cristo] (...), porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros17 desta Cabeça'." (...) Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja[a13] .18
O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união), "Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte."19 Ela é particularmente manifestada na hora da paixão de Jesus:
A bem-aventurada Virgem avançou em sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com o Filho até a cruz, onde esteve de pé não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou a seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima ela por gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26-27).20

Após a ascensão de seu Filho, Maria "assistiu com suas orações a Igreja nascente”.21 Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, "vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra".22

Maria Assunta23
“Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo."24 A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte....25

Nossa Mãe na Ordem da Graça26
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja",27 sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja.28
Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. "De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça."29
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira."30
"A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere31 toda a sua força." "Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Mas, da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variada cooperação que participa32 de uma única fonte."
Mãe de Cristo33
A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio 34do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão35. De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original36 e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.37
Mãe de Deus38
A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, São Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em 431, confessaram que "o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem".39 A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne".40
Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25),41 Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).42
Maria é verdadeiramente "Mãe de Deus", visto ser a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é ele mesmo Deus.
Mãe dos vivos 43
Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude44 do Espírito Santo, Maria respondeu45 com a "obediência da fé", certa de que "nada é impossível a Deus": "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tomou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:46
Como diz Santo Irineu47, "obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano". Do mesmo modo, não poucos antigos Padres dizem com ele: "O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a Virgem Maria desligou48 pela fé”. Comparando Maria com Eva, chamam Maria de "mãe dos viventes" e com freqüência afirmam: "Veio a morte por Eva e a vida por Maria”.49
A Virgem Maria cooperou "para a salvação humana com livre fé e obediência"50 Pronunciou seu 'fiat" (faça-se) "em representação de toda a natureza humana".51 Por sua obediência, tornou-se a nova Eva, Mãe dos viventes.
Nova Eva52
A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão. De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original53 e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.54
Sede da sabedoria 55
Maria, a Mãe de Deus toda santa, sempre Virgem, é a obra prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo pela primeira vez no plano da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a Morada em, que seu Filho e seu Espírito podem habitar entre os homens. E neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes leu, com relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria: Maria é decantada e representada na Liturgia como o "trono da Sabedoria".
Nela começam a manifestar-se as "maravilhas de Deus" que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja.
Sempre Virgem 56
O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria,57 mesmo no parto do Filho de Deus feito homem.58 Com efeito, o nascimento de Cristo "não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal" de sua mãe.59 A Liturgia da Igreja celebra Maria como a "Aeiparthenos" (="sempre virgem").60
A isto objeta-se por vezes que a Escritura menciona Irmãos e irmãs de Jesus.61 A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito, Tiago e José, "irmãos de Jesus" (Mt 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo62 que significativamente é designada como "a outra Maria" (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento.63
Jesus é o Filho Único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria64 estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: "Ela gerou seu Filho, do qual Deus fez “o primogênito entre uma multidão de irmãos” (Rm 8,29), isto é, entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno.
“Typus” da Igreja65
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja",66 sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja.67
Ícone escatológico da Igreja 68
A melhor maneira de concluir é voltar o olhar para Maria, a fim de contemplar nela (Maria) o que é a Igreja em seu mistério, em sua "peregrinação da fé", e o que ela (Igreja) será na pátria ao termo final de sua caminhada, onde a espera, "na glória da Santíssima e indivisível Trindade", "na comunhão de todos os santos",69 aquela que a Igreja venera como a Mãe de seu Senhor e como sua própria Mãe:
Assim como no céu, onde já está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja em sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, ela brilha como sinal da esperança segura e consolação para o Povo de Deus em peregrinação.


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1- Catecismo da Igreja Católica (CIC) § 2674
2- CIC §493
3- CIC §969, Constituição Dogmática Concílio Vaticano II Lumen gentium, 56.
4- CIC §966, Lumen gentium 59. Proclamação do dogma da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria pelo Papa Pio XII em 1950 : DS 3903.
5- Liturgia Bizantina, Tropário da Festa da Dormição (15 de agosto). O tropário é como que uma antífona mais prolongada. Costuma ser formado por uma estrofe cantada pelo coro, um estribilho respondido pela comunidade. Esta estrofe é mais longa que uma antífona, enquanto que os versículos estão pensados à maneira de «tropos», cantados por um solista, com resposta mais breve da comunidade. Às vezes, os tropários têm formas parecidas aos nossos responsórios do ofício de Leitura ou aos responsórios breves das outras Horas.
6- CIC §722, § 2676
7- Lc 1, 48: porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão...
8- Sf 3,17: Javé, o seu Deus, o valente libertador, está no meio de você. Por causa de você, ele está contente e alegre e renova o seu amor por você; está dançando de alegria por sua causa,
9- CIC §510
10- S. Agostinho, serm. 186, 1 : PL 38, 999
11- CIC § 491, § 492
12- Lc 1, 28
13- DS 2803
14- Lumen gentium, 56
15- Lumen gentium, 53
16- CIC §963, §964, §965,
17- Lumen gentium, 53, citando Santo Agostinho, virg. 6 : PL 40,399
18- Paulo VI discurso de 21/11/64.
19- Lumen gentium, 75.
20- Lumen gentium, 58.
21- Lumen gentium, 69.
22- Lumen gentium, 59.
23- CIC §966
24- Lumen gentium, 59. Proclamação do dogma da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria pelo Papa Pio XII em 1950 : DS 3903.
25- Liturgia Bizantina, Tropário da Festa da Dormição (15 de agosto)
26- CIC §§ 967-970
27- Lumen gentium, 53
28- Lumen gentium, 63
29- Lumen gentium, 61
30- Lumen gentium, 62
31- Lumen gentium, 60.
32- Lumen gentium, 62
33 - CIC § 411
34- (cf. 1 Coe 15, 21-22. 45)
35- Rm 5,19-20
36- Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: DS 2803
37- Concílio de Trento : DS 1573)
38- CIC § 466, §495, §509
39- DS 250
40- DS 251
41- cf. Mt 13, 55
42- DS 251
43- CIC §494, §511
44- Lc 1, 28-37
45- Rm 1, 5
46- Lumen gentium, 56
47- Santo Irineu - Hær. 3, 22, 4
48- Santo Irineu - Hær. 3, 22, 4
49- Lumen gentium, 56.
50- Lumen gentium, 64.
51- São Tomás de Aquino., s. th. 3, 30, 1
52- CIC § 411,
53- Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: DS 2803)
54- Concílio de Trento : DS 1573)
55- CIC §721
56- CIC §§ 499-501
57- DS 427
58- DS 291 ; 294 ; 442 ; 503 ; 571 ; 1880
59- DS 291 ; 294 ; 442 ; 503 ; 571 ; 1880
60- Lumen gentium, 52
61- Mc 3, 31-35 ; 6, 3 ; 1 Co 9, 5 ; Ga 1, 19
62 - Mt 27, 56
63- Gn 13, 8 ; 14, 16 ; 29, 15 ; etc
64- Lumen gentium, 53
65- CIC §967
66- Lumen gentium, 63
67- Lumen gentium, 69
68- CIC §972
69- Lumen gentium, 68

O voto de virgindade de Maria


Alexandre Martins, cm.

           Conhecemos muito pouco sobre a adolescência de Maria. E tudo nos é dado pelos Evangelhos Apócrifos. O que nos provém dos Evangelhos Canônicos refere-se a seu encontro com o Anjo Gabriel.
           Distinguimos um fato que nos basta para adivinhar a sequência: trata-se do voto de virgindade que fizera e que ela refere ao Anjo, no início de sua visita, com uma entonação que pode parecer um pouco estranha.
           Isso indica um propósito amadurecido. E, se pudermos supor como esse seu desígnio é verdadeiro, genuíno, apesar dos seus quinze anos, devemos imaginar que ela era criança precoce tendo, bem cedo, sondado a existência, e percorrido, com sábia maturidade, as dimensões da vida.
           Para julgar esse propósito de se manter virgem e compreender a agudeza de espírito, convém lembrar a mentalidade dos Judeus em relação à virgindade.
          A primeira lei do Criador dirigida a todos os seres viventes era “Crescei e multiplicai-vos.”1 E o primeiro instinto do povo escolhido (que se confundia com o seu primeiro e principal dever) era o de se comportar como povo, garantindo a sobrevivência.
         A mulher judia não conhece maior maldição do que a esterilidade, sinal do desprezo de Deus por ela. E, como não é possível conceber uma nova geração sem a carne, o ser que não pode procriar é um ser diminuído, desprezado, privado da imortalidade temporal, tendo fracassado em sua missão.
         Nós temos dificuldade em compreender esta ideia mosaica, este modo de agir segundo a Antiga Lei, pois estamos impregnados do Cristianismo e nele não podemos deixar de projetar novas luzes sobre antigas sombras.
          O ato de se consagrar à virgindade dava a uma jovem judia a chance de ser escolhida para ser a mãe do Messias. As Escrituras demonstravam que o Messias nasceria de uma virgem. Porém, a verdade histórica não era essa.
           O texto de Isaías “O Senhor vos dará um sinal: eis que uma almahn (=virgem) conceberá, e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14), segundo o texto hebraico o termo refere-se a uma donzela, mesmo casada. Mas pelo texto em grego o termo usado é parthenos (=virgem), pela tradução grega da Septuaginta2.
         Além do mais, se a Virgem Maria conhecesse a origem virginal, a pergunta que fez ao Anjo não conteria um sentido pleno: “Como vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34) Ela teria se expressado de forma contrária: “Isso não será possível, porque eu não conheço homem!”
          Guardando a virgindade no casamento, a Virgem se excluia, voluntariamente, segundo as concepções comuns, da dignidade de ser a mãe do Messias. Tal ponto de vista, é concorde com o caráter de Maria, sua extrema humildade, e a escolha deliberada de se colocar, sempre, em último lugar. E nós podemos adivinhar, então, que, se Deus a escolheu, ela nada havia feito para provocar ou estimular essa escolha.

A virgindade à imagem do Deus único


           O que é a virgindade?
           Seria mais do que apenas a abstenção das relações sexuais. Se ela fosse constituída apenas por essa abstenção, seria suspeita e poderia se fundamentar sobre uma ideia de mácula, ligada ao próprio uso da carne. Presume-se que, na mentalidade judaica, tenha havido alguma ideia nesse sentido, semelhante àquela da mentalidade primitiva. Mas não se encontra nenhum entendimento de condenação do casamento humano de Maria, que honrou com sua presença as núpcias de Cana.
          Ela deveria conceber a virgindade como o mais vivo sinal de total consagração a Deus criador e ao seu espírito. Logo, o que existe de mais puro na tradição judaica é que Israel tinha Deus como o Ser que estava acima de toda a natureza; um Deus único, transcendente, irrepresentável, que não se pode designar com um simples nome.
          A Virgem sabia, igualmente, que nós fomos criados, homens e mulheres, à imagem e à semelhança de Deus. A experiência que ela havia tido de sua diferença em relação às outras mulheres em nada a engrandeceu, mas fez com que crescesse em seu coração um apelo à solidão.
          E quando ela percebeu que era uma mulher, e compreendeu a honrosa possibilidade de ser mãe, ideou renunciar à maternidade, para unir-se aos outros e a Deus. Como sugere o pensamento judaico sobre a oblação, a oferenda das primícias, o melhor uso que se pode fazer da melhor das coisas, é sacrificá-la.

José e o voto de virgindade de Maria


         É preciso compreender que, numa sociedade em que a virgindade não era nem conhecida nem salvaguardada (pois nenhuma instituição a preservava, modelo algum a consagrava), o voto de Maria só poderia ser efetivado no casamento.
         O matrimônio tornara-se, então, uma necessidade: ela só poderia cumprir o desígnio escolhido, na realização de suas núpcias: somente o casamento poderia constituí-la virgem.
          Porém, como este enlace não podia ser contra a sua vocação virginal, Maria supunha que aquele que lhe fora designado como esposo, pela família, compreenderia e respeitaria o seu ideal. Este ato de abandono era, então, igualmente, um ato de fé.
          Jean Guitton nos diz:
“Eu presumo que os dois, José e Maria, eram jovens e plenamente conscientes, habitando o presente com inteira disponibilidade, sem conhecer o extraordinário futuro que os aguardava. Imagino José jovem, forte, silvestre e vivaz, assim como o pastor libanês descrito no Cântico dos Cânticos.”3
           Por que ele não teria amado? Nem obtido o retorno do amor? (...)
          Sem dúvida, José tinha o sentimento de afinidade com aquela jovem, e sentia a imensa superioridade dela sobre ele. O amor do homem é modelado conforme o amor da mulher, que é a silenciosa educadora do elã viril. Maria purifica e virginiza José, assim como virginizaria tantos jovens, com o seu sorriso, e a estirpe sacerdotal, que lhe deve a conservação do estado da virgindade viril, aqui na terra.
          José e Maria haviam renunciado à paternidade e à maternidade ; eles não sabiam o que os cercava, em termos de fecundidade nesse sacrifício; eles não tinham como pressentir o Inominado, o Incompreensível que sobreviria, serenamente, entre os dois.
          E, no entanto, a união entre José e Maria, não se assemelhava a uma união fechada em si mesma, como se fosse uma clausura, um claustro para duas pessoas ou para uma, somente. Esta união seria dominada pela esperança. Devia haver entre os dois, o pressentimento de que um mundo novo nasceria da harmonia e da concordância entre ambos.”

a Virgindade


            Os dois primeiros capítulos dos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas afirmam claramente que Maria concebeu Jesus sem intervenção de varão: “o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”, disse o anjo a São José (Mt 1, 20); e a Maria, que pergunta “Como se fará isso, pois não conheço homem?”, o anjo lhe responde: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra...” (Lc 1, 34-35).
          Por outro lado, o fato de Jesus na Cruz entregar sua Mãe aos cuidados de São João supõe que a Virgem não tinha outros filhos. Que os Evangelhos mencionem em certos trechos os “irmãos de Jesus” pode explicar-se pelo uso do termo “irmãos” em hebraico com o sentido de parentes próximos (Gn. 13, 8; etc.).
Outra hipótese seria supor que São José tivesse filhos de um matrimônio anterior. Também podemos considerar que o termo “irmãos” foi usado no sentido de membro do grupo de crentes, tal como é comum no Novo Testamento (cf. At 1, 15). A igreja sempre acreditou na virgindade de Maria, e a chama de “sempre virgem”4 antes, durante e depois do parto.
          A concepção virginal de Jesus deve ser entendida como obra do poder de Deus “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37). Foge a toda compreensão e poder humanos. Não tem relação alguma com as representações mitológicas pagãs em que um deus se une a uma mulher realizando o papel do homem, como nos mitos gregos.
           A concepção virginal de Jesus é uma obra divina no seio de Maria similar à Criação. Isso é impossível de aceitar para o não crente, como era para os judeus e pagãos, entre os quais se inventou histórias grosseiras acerca da concepção de Jesus, como a que a atribui a um soldado romano chamado Pantheras. Na verdade, esse personagem é uma ficção literária, sobre o qual se inventou uma lenda para zombar dos cristãos. Partindo do ponto de vista da ciência histórica e filológica, o nome Pantheras (ou Pandera) é uma corruptela que parodia a palavra grega parthénos (=virgem). As pessoas, que utilizavam o grego como língua de comunicação em grande parte do império romano do oriente, ouviam os cristãos falarem de Jesus como o Filho da Virgem (huiós parthénou), e quando queriam zombar deles, chamavam-no de “filho de Pantheras”.5 Tais histórias testemunham que a Igreja sustentava a virgindade de Maria, ainda que parecesse impossível.
            O fato de Jesus ter sido concebido virginalmente é um sinal de que Ele é verdadeiramente Filho de Deus por natureza — daí que não tenha um pai humano — e, ao mesmo tempo, verdadeiro homem nascido de mulher (Gl 4,4). Nas passagens evangélicas, mostra-se a absoluta iniciativa de Deus na história humana para o advento da Salvação. E também que esta se insere na própria história, como mostram as genealogias de Jesus.
            Pode-se compreender melhor a Jesus, concebido pelo Espírito Santo e sem intervenção de homem, como o novo Adão que inaugura uma nova criação. A ela pertence o homem novo redimido por Cristo (1Cor 15,47; Jb 3,34).
            A virgindade de Maria é sinal de sua fé sem vacilações e de sua entrega plena à vontade de Deus. Inclusive diz-se que, por essa fé, Maria concebe a Cristo antes em sua mente que em seu ventre, e que “mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguinidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio”. 6
            Sendo virgem e mãe, Maria é também figura da Igreja e sua mais perfeita realização.

Papa destaca valor da virgindade consagrada


              Bento XVI recorda7 que a virgindade consagrada “uma expressão particular de vida consagrada, que refloresceu na Igreja depois do Concílio Vaticano II, mas cujas raízes são antigas”. Radicam “nos inícios da vida evangélica quando, como novidade inaudita, o coração de algumas mulheres começou a abrir-se ao desejo da virgindade consagrada: ou seja ao desejo de dar a Deus todo o próprio ser. Funda-se num simples convite evangélico – ‘quem puder compreender, que compreenda’ – e no conselho paulino sobre a virgindade pelo Reino de Deus. E contudo nele ressoa todo o mistério cristão”.
             Bento XVI nos ensina que, quando surgiu, este “carisma não se configurava com particulares modalidades de vida, mas foi-se depois institucionalizando, pouco a pouco, até chegar a uma verdadeira consagração pública e solene, conferido pelo Bispo mediante um sugestivo rito litúrgico que fazia da mulher consagrada a sponsa Christi, imagem da Igreja esposa”.


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1- (Gn 1,22) Na Versão original do grego, lê-se “sede fecundos, multiplicai-vos”.
2- versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria (Egito). É a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa “setenta”), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a história, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica. Muitas bíblias da Reforma seguem o cânone judaico e excluem estes livros adicionais. Entretanto, católicos romanos incluem alguns destes livros em seu cânon e as Igrejas ortodoxas usam todos os livros conforme a Septuaginta. De grande significado para muitos cristãos e estudiosos da Bíblia, é citada no Novo Testamento e pelos Padres da Igreja. Recentes estudos acadêmicos troxeram um novo interesse sobre o tema nos estudos judaicos. Alguns dos pergaminhos do Mar Morto sugerem que o texto hebraico pode ter tido outras fontes que não apenas aquelas que formaram o texto massorético. Em vários casos, estes novos textos encontrados estão de acordo com a LXX.
3- GUITTON, Jean, La Vierge Marie, pág. 30, Editions Montaigne.
4- Constituição Dogmática Lumen Gentium, 52
5- VARO, Francisco. Rabí Jesús de Nazaret, B.A.C., Madrid, 2005, págs. 212-219.
6- s. Agostinho de Hipona, citado pela Exortação Apostólica “Signum Magnum” de Paulo VI, 10.