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Os importantes Secundários


Alexandre Martins, cm.

Uma Congregação Mariana ostenta dois padroeiros: um primário e outro secundário.
O padroeiro primário é feminino, ou seja, é sempre uma invocação da Virgem Maria, pois, como o próprio nome diz, uma Congregação Mariana é uma Congregação de Maria e, portanto, deve ter como patronato principal a própria Mãe de Deus. Como são mais de 2000 títulos existentes, não é difícil encontrar um a gosto do local e das pessoas dali.
Entretanto, também há um segundo padroeiro, chamado de padroeiro secundário, que é um santo ou mesmo um bem-aventurado (que se chamava antigamente de beato).
As mulheres não são excluídas deste patronato secundário, e mesmo há casos de dois padroeiros secundários, como o caso da primeira Congregação Mariana, fundada em Roma, cujos padroeiros secundários são os santos Pedro e Paulo.
Um contra-ataque ao desprezo protestante
A motivação desse patronato secundário nos remete à Contra-Reforma. Era vontade na época o incremento do culto aos santos, que eram preteridos pelos protestantes.
Uma forma que os jesuítas encontraram em propagar a memória dos santos e bem-aventurados foi colocar patronatos em suas Congregações Marianas e estabelecer, por regra, a comemoração das festas de todos os padroeiros.
Se tem registro de grandes festas das Congregações Marianas aos seus padroeiros, tão grandes e ricas que faziam movimentar toda a cidade.
Utilidade
É de grande ajuda este patronato secundário. Através dele pode a Congregação mostrar um exemplo mais direto de santidade aos seus membros. O motivo é simples: deve-se escolher um padroeiro que seja não “a gosto do freguês” mas sim aquele que de alguma forma seja adequado à proposta da Congregação ou a sua característica de funcionamento (RV,45).
Por exemplo, a uma Congregação Mariana para jovens será indicado ter como padroeiro secundário são Luiz de Gonzaga, o próprio padroeiro da Juventude. Para uma Congregação Mariana de senhoras, talvez santa Mônica ou santa Rita de Cássia, pelo seus exemplos de maternidade e esposas cristãs. Para uma Congregação de militares, são Sebastião ou São Jorge, soldados cristãos. Para uma Congregação de enfermeiras ou de médicos, são Camilo de Lélis, fundador da Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos). Os exemplos são vários.
Comemorar e não esquecer
É importante que as festas e comemorações dos padroeiros secundários sejam adequadamente realizadas. É comum estes secundários serem colocados literalmente em "segundo plano". E nada mais errado. Tal como a Virgem Maria no seu patronato principal tem a sua importância, também o padroeiro secundário tem o seu valor. Senão ele não estaria também ali protegendo e servindo de exemplo para aquela Congregação.
Lembremos que, como a Virgem Maria protege a todas as suas Congregações, os padroeiros secundários protegem cada um a Congregação que o tem por padroeiro.
As festas dos padroeiros secundários devem ser feitas adequadamente. Novenas, tríduos, recolhimentos, reuniões especiais e, é claro, a Santa Missa votiva do santo devem ser realizadas de acordo com as possibilidades da Congregação em fazê-la a mais festiva possível.
É de muita utilidade para os congregados a lembrança dos méritos de seu patrono, e para os demais fiéis, é uma saudável propaganda de um exemplo de vida a ser seguido.
Santos padroeiros, santos Congregados, rogai por nós!

Nem todos...



Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito,
vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres,
e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.
Mt 19,21

O chamado à santidade é dirigido a todos os Homens [1]. Todos, em seu estado de vida e de acordo com sua posição na Sociedade são chamados à santidade.[2]

Como chamados à santidade, também os cristãos são chamados pela Igreja ao apostolado: “Impõe-se a todos os cristãos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens de toda a parte”[3].”O membro que não trabalha para o aumento do Corpo, segundo a sua medida, deve considerar-se inútil para a Igreja e para si mesmo” [4]. Apostolado este que é levar o Cristo Ressuscitado a todas as camadas da Sociedade, a todas as pessoas sem exceção...e, muitas vezes, somente um leigo pode levar este Cristo em certos locais [5]. 

Por exemplo: somente um universitário pode levar o Cristo à Universidade. 


Isto é muito comentado em círculos católicos dos mais variados matizes. Contudo, o que não é muito falado é algo que inconscientemente dirige-se a nós, membros da Congregação Mariana, “escola eficientíssima da Mãe de Deus” [6]. Como também não é falada sobre a “tendência de levar a todos para a Congregação”.

O que poderia ser o ideal para qualquer congregado -o levar as pessoas à santidade por meio da Congregação -, pode vir a cair em um certo “fanatismo” e a um certo “comodismo” que assola grande parte das associações e movimentos da Igreja contemporânea. Falo do fanatismo por achar que “somente eu e meu grupo estamos certos no servir a Deus”. Falo do comodismo por simplesmente arrastar alguém para uma reunião ou atividade religiosa para que lá ele seja evangelizado, ao invés de mim mesmo, amorosamente, amigavelmente, fale de Deus a ele.

Não, as Congregações Marianas não são as únicas depositárias da Verdade. Nós fazemos parte daqueles que falam a Verdade e escutam a Verdade. Mas não somos os únicos na Igreja. Achar que somente através de nós, as pessoas podem chegar ao perfeito conhecimento de Deus é heresia.

Somos um dos mais fáceis caminhos, pois nos apoiamos na doce intervenção da Virgem Maria. Somos a mais antiga associação de leigos da Igreja. Somos a que mais documentos pontifícios possui, louvando-a,recomendando-a [7]. Cerca de 75 santos canonizados são congregados marianos.

Mas: o Apóstolo Lucas não era congregado, embora tenha hospedado a Virgem Mãe de Deus em sua casa - que santa inveja temos dele...-; o padroeiro dos sacerdotes, s. João Maria Batista Vianney, não era congregado; [são] Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, amoroso devoto da Virgem, também não; nem a beata Josefina Bakhita, exemplo de vida cristã na África muçulmana... Daí, achar que somos os “donos da verdade” é, além de puerismo, uma soberba idiota.

As Congregações Marianas são abertas a todos, mas nem todos podem delas participar.


E então, o que fazer? Bem, como nem todos podem participar das Congregações e os motivos são variados - capacidade intelectual, devoção desinteressada, identificação com o estilo, etc. -, todos, porém, sem exceção, são chamados a serem santos. E temos de assumir a responsabilidade pelo auxílio à salvação de nosso próximo. E este Próximo está bem próximo: em nossa casa, em nossa rua, na condução que tomamos, em nosso estágio..., ao nosso lado na sala de aula!

Temos uma grande responsabilidade em transformar o nosso círculo de amizades, o nosso círculo familiar, nosso local de trabalho... O cineasta Arnaldo Jabor, em entrevista, dizia que “o ideal democrático é fazer democracia em partes, ou seja, que cada um seja democrático, que democratize o seu espaço e não que apenas exija que o sistema, o governo, enfim, que outros sejam democráticos. Se quisermos que apenas os outros sejam democráticos, nós não seremos, e a democracia não se realiza”.[8] O que é dito aqui para a democracia podemos usar para a propagação do Reino de Cristo. 

O Papa Pio XI gostava de ver congregados marianos. Perguntado se seria, porque ele mesmo era um deles, o Pontífice disse: “vejo atrás de cada um deles ao menos dez bons católicos!” [9]. Ele se referia ao exemplo que os congregados davam de sua vida aos seus amigos e parentes. Estes, vendo a  piedade daqueles, procuravam ao menos serem bons católicos e conquistavam a santidade de acordo com suas vidas.

Meditemos: somos assim? “Afetamos” as pessoas a nossa volta, como uma gripe que pega, como uma música de trio-elétrico?


Levemos as pessoas à santidade. Somos os responsáveis por elas. Não deixemos para outros, aquilo que é o nosso dever. Só assim poderemos ser o sal da terra que fala o Evangelho[10], e de que tanto nos alertam nos cursos de liturgia.

Santa Maria, Espelho da Sabedoria, que possamos espelhar as graças e dons de Deus em nossos irmãos. 


Alexandre Martins, cm.
(Publicado originalmente no Boletim “Salve, Rainha” da Congregação Mariana da UFRJ em outubro de 1997)




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1 - 1Tes 4,3
2 - Concilio Ecumênico Vaticano II, Lumen Gentium 31
3 - Concilio Ecumênico Vaticano II, Apostolicam Actuositatem 1338
4 -Concilio Ecumênico Vaticano II, Apostolicam Actuositatem 1334
5 - papa Pio XI, Carta-Encíclica “Quadragesimo Anno”.
6 - papa Pio XI, Carta do Secretariado de Estado a Mons. Waizt ,2 de agosto de 1927
7 - são cerca de 130 documentos papais, incluindo Encíclicas, uma Bula Áurea e uma Constituição Apostólica, bem como citações no atual Código de Direito Canônico.
8 - programa “Conexão Internacional”, rede Record de TV, 29/09/1997
9 -Clemente Espinosa, SJ, “O Magistério Pontifício sobre as CC.MM.”, Espanha, 1955.
10 - Mt 5,13