Gostando do próximo


A virtude, como aptidão moral 
é algo que faculta ao Homem 
tornar-se bom como Homem.
S. Tomás de Aquino 1


A Congregação não é feita para todos, mas somente para aqueles que realmente querem e também possuem capacidade de receber a formação que exigem estes graus de tão profundo espiritualidade. Não basta a boa vontade; se requerem indispensavelmente, ao menos em princípio, certas disposições. Um candidato deve ter aspirações que vão mais além de "salvar a sua alma", é necessário um desejo interno de fazer algo "mais" por Cristo. Este é o problema da seleção, que na técnica congregacional é uma necessidade absoluta. Aqui se encontra desgraçadamente a explicação de tantas Congregações-de-nome : admitem a quase todos que são "bons".2
Uma idéia muito em voga de vez em quando pelos círculos católicos é a de que temos de “amar” nossos irmãos e aceitar tudo que vêm deles sob a pecha de sermos um tanto “intolerantes” ou até mesmo estarmos revivendo a Inquisição.
Nas Congregações Marianas isto nos vêm sob a forma de “abrandar” os níveis de exigência nos estágios preparatórios à Consagração. Os exemplos são vários: como o aspirante que por ser ministro da Eucaristia é “promovido” a Congregado mariano; como o coordenador de Encontros de Casais que é admitido à Consagração por estar encabeçando um bom trabalho junto às crianças carentes; como o congregado que não é chamado à atenção por estar andando com más companhias; etc.
Freqüentemente confundimos “compreender” com “aceitar”. 



Compreendemos a atitude do chefe de família que, desesperado por estar desempregado, decide assaltar alguém para alimentar os filhos. Compreendemos a atitude, mas não podemos aceitá-la.
Contudo, devemos aceitar as limitações daquele jovem tímido que não conseguirá atender ao seu pároco para coordenar um grupo de jovens. Não é covardia do rapaz, mas simplesmente não-capacidade para a função...
O que se vê é o inverso: aceita-se o desempregado-assaltante e marginaliza-se o tímido que “não está na onda”.
Amemos o pecador, não o pecado. É uma sentença antiga de s. Tomás de Aquino.
Na Congregação Mariana, como em centenárias associações da Igreja, procura-se formar a pessoa. Contudo, a formação procurada é a integral: mente, corpo e espírito. Os congregados que iniciam na Congregação como “marianinhos”, isto é, abaixo de 15 anos de idade, têm muito mais chances de compor sua personalidade do que outros que começam mais velhos. A pessoa é formada sob diversas formas e em diversas ocasiões.
A Congregação tem por base a formação de personalidades largamente católicas,3
Os bons Instrutores procuram no dia-a-dia as oportunidades para ajudar ao aspirante a se formar. Diz-se “formar-se” porque a formação do congregado é algo que vêm de seu interior com o auxílio externo e não vice-versa. Não é o Instrutor ou mesmo a Congregação que o forma, mas ele próprio, quando decide ajustar a sua vida e construí-la com o que aprende e vive na Congregação. 
A Congregação é responsável pela formação, particularmente pela formação da consciência e o congregado é plenamente responsável por sua aplicação concreta.4 
 Os bons Instrutores são aqueles que sabem como agir com os novos aspirantes, pois não os tratam como recrutas do Exército, nem como índios a serem alfabetizados. A postura mais indicada na maioria dos casos é a de um professor de artes-marciais: ele respeita o que o aprendiz já sabe e procura mostrar-lhe as posturas e alternativas para um desenvolvimento maduro de sua atividade. Usa o condicionamento para tirar aqueles vícios que só prejudicarão o aluno no futuro. 
Quantas coisas pressupõe a reta formação de um congregado, já que as Congregações Marianas tem claramente promover nos fiéis a maior perfeição espiritual e também mais eficaz espírito de zêlo para o bem do próximo.5


Alexandre Martins, cm.

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1 - "Suma Teológica", I-II, q. 40, a1, cIII, q.34, a.2, ad.1 -citado por SS.Jão Paulo II, pág. 34
2 - revista "Acies Ordinata", n° 02 a 05, de 1960, Secretariado Mundial das CC.MM. , Roma.
3 - ibid.
4 - ibid.
5 - Bento XV ( 1914-1922 )Discurso no 40° Aniversário de seu Ingresso na Congregação Mariana - 9 de dexembro de 1915


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