O zelo me devora...



A atitude de Cristo ao expulsar os vendilhões do Templo de Jerusalém é tida como uma justificativa de violência do Messias. Segundo alguns contemporâneos, Cristo teria dado o exemplo de que “o fim justifica os meios” e que devemos algumas vezes ser violentos para conseguir sucesso em nossas empreitadas. Puro engano.

O que Cristo ensina é a justa revolta perante a atitude de alguns, diante das coisas santas, as coisas de Deus. A profanação do Templo era algo muito sério na Lei de Moisés. E inclusive hoje perante as coisas de Deus.

O Filho do Homem refuta veementemente isso. E dá a cada um, conforme o tamanho de sua ofensa: a uns joga seus tesouros para o ar, a outros ameaça com um chicote, a outros apenas admoesta... O zelo que o Messias possui pela Casa de Deus é enorme, avassalador, devora como um fogo, como dizem o salmista e o evangelista.

Mas, além de profanação do Templo de Deus - que pode ser atingida seja com atitudes incoerentes ou até roupas inadequadas - devemos ter todo o cuidado de não profanar as
coisas de Deus ou as que levam Seu nome.

Neste ponto chegamos ao assunto que a leitura desta passagem evangélica pode levar: o zelo pelas coisas de Deus e, em decorrência, por nossa Congregação. Congregação esta
que é de Deus, por que é de Maria, a Serva de Deus. Como tratamos das incumbências que temos nela?

Como propomos este caminho de santidade aos demais cristãos e a outros? No mais, nosso zelo pela Congregação chega a que ponto?

O presidente é alguém que responde pela CM e cuida para que todas as iniciativas da associação dêem certo. Mas todos os membros não são responsáveis pela CM? Não é o trabalho de todos que faz o resultado conjunto?

Temos de ter um grande zelo. Zelo pela Congregação Mariana. Zelo por uma santa agremiação, reflexo da santidade da Igreja, colocada e mantida por Deus no Mundo para o progresso das almas no caminho da bem-aventurança. Sejamos respeitosos para com esta associação, amemo-la. Este amor, irradiado por nós, vocacionados, atrairá outros admirados por nosso amor, ensinará a outros mais, a amar os grupos que participam, ilustrará a outros mais como ser Igreja...

“O amor se manifesta nas pequenas coisas”. Em tudo devemos ter zelo. Nada é menos importante. Se alguma coisa na Congregação não fosse de alguma forma útil, não estaria sendo usado ou feito.

Aproveitemos a Quaresma e o início deste novo período da UFRJ para nos colocarmos em questão. No período quaresmal nos propomos à revisão de nossa vida, tendo em vista a ressurreição com o Cristo para a Páscoa - passagem para uma nova vida de retidão. O novo período nos dá a sensação de que tudo é novo e que tudo está para ser feito novamente. Façamos agora o que não fizemos antes ou o que não fizemos corretamente.

“O zelo pela tua casa me devora”. O zelo pelas coisas do  Pai nos deve devorar como reflexo do amor por Deus que arde em nosso peito. O zelo pela Congregação deve ser igualmente devorador, pois ela é algo de Deus, propriedade da Santíssima Virgem, e, como a amamos ardorosamente, ardorosamente defendemos Sua causa.

“Nos, cum prole pia, benedicat Virgo Maria”.





Alexandre Martins, cm.
(Publicado originalmente no Boletim “Salve, Rainha”  da Congregação Mariana da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro -  em março de 1997)

 

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