O Mosteiro dos 3 Monges



Alexandre Martins, cm.

Uma vez tivemos uma iniciativa de organizar uma Congregação Mariana para jovens, fora de paróquia, e somente para homens. Como um de nós era ex-aluno do Colégio São Bento1, sugeriu que nos reuníssemos na Casa Emaús, anexa ao Mosteiro de São Bento. Com isso, um dos monges foi contatado para que nos ajudasse na iniciativa, o que fez com prazer.
Nas reuniões, que eram presididas pelo monge, cerca de meia dúzia de rapazes tinham o básico de uma Congregação Mariana: leitura e palestra. Infelizmente o grupo durou pouco tempo e não conseguiu a meta de fundar uma nova Congregação Mariana mas serviu para a orientação sadia de parte da juventude daqueles rapazes.
Em uma das palestras, sendo abordado o assunto do apostolado e do recrutamento para a Congregação Mariana, o monge nos conta que, segundo ele, aconteceu de verdade: a história do monge que queria ser fundador de um mosteiro.
Novos mosteiros pro tradição são fundados a partir de um mosteiro existente e não de iniciativa pessoal de um monge apenas. São feitos a partir da necessidade de um local e da possibilidade de uma comunidade monástica. Esta comunidade então irá iniciar a formação específica de um grupo de monges que serão os fundadores do nov mosteiro. E, pelas exigências da vida cotidiana monástica, esse grupo em geral não possui menos que seis a oito monges.
Mas o monge que queria ser o fundador de mosteiro havia conseguido convencer a outros 2 monges de seu intento e, com o número de apenas três insistiu do abade a autorização para saírem em direção à localidade desejada para o novo mosteiro. Depois de grandes confusões criadas pelos três, o abade, para manter a paz na comunidade finalmente permitiu que os “fundadores” seguissem o caminho que imaginaram.
Não se sabe do seu paradeiro, mas há os que se lembram do fato pensando como seria patética uma refeição diária naquele mosteiro de três monges, pois pela tradição um monge deve cuidar da leitura, outro deve servir aos que comem e os demais almoçam. É a Regra de São Bento, pensada para um grupo bem maior que três homens.
A lição que o monge quis nos passar com essa quase fábula monástica é que, como aquele monge acreditava que seu grupo de três eram na sua visão um grupo de trinta monges, assim também nós podemos nos enganar com a realidade de nossa própria associação.
Quantos encontros de formação foram realizados com apenas seis pessoas? Quantas reuniões usavam de microfone para uma plateia de apenas dez pessoas? Quantas procissões de entrada na Missa com quatro membros?
São exemplos do mosteiro de três monges.
O problema que essa falta de visão da realidade é que o objetivo da associação é deturpado. Não se pensa mais no serviço à Igreja, na salvação das almas mas pelo contrário em viver uma ilusão. E, em geral, viver ilusão é ter orgulho, na melhor das hipóteses.
Se temos uma visão real da nossa associação, poderemos ver seus acertos e seus erros e então aprimorar os acertos e corrigir os erros. Se não, fica tudo como está e tudo acabara em breve.
Que a Santíssima Virgem, prudentíssima por que via a realidade, nos mostre nosso real caminho.


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1- O Colégio São Bento é um anexo da Abadia de Nsa. Sra. de Montserrat, no Rio de Janeiro (RJ), É uma secular instituição beneditina de ensino, cujos alunos são exclusivamente do sexo masculino.

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