Adroaldo Costa: Uma Vida Dedicada ao Saber e ao Serviço Público

 

 

 

 Alexandre Martins, cm



No dia 9 de julho de 1894, sob a luz da cidade de Taquari (RS) nascia Adroaldo Mesquita da Costa, filho legítimo do Tenente Coronel Antônio Porfírio da Costa e de Dona Alzira Serzedello da Rocha Mesquita. Desde o seu batismo no cartório local, em 13 de julho daquele mesmo ano, seu destino parecia prenunciar uma vida repleta de significados e compromissos.

Seus primeiros passos na educação foram dados em um contexto familiar católico e disciplinado. Em 1901, com apenas sete anos, foi alfabetizado pelo professor público Viriato Reis de Oliveira. Sua formação continuou no Externato Santana, sob a orientação da professora Ana da Silva Job, onde teve os primeiros contatos com o saber que moldaria sua trajetória. A educação formal se consolidou no Colégio Distrital, onde adquiriu as bases que o levariam ao Ginásio Nossa Senhora da Conceição em São Leopoldo, onde ingressou em 1907.

Formação Acadêmica e as Congregações Marianas


O Ginásio Nossa Senhora da Conceição não seria apenas um marco na sua formação acadêmica, mas também um espaço decisivo para sua formação espiritual e ética. Com professores jesuítas dedicados, Adroaldo aprofundou seus conhecimentos em letras clássicas, história e, sobretudo, religião. Ao longo de sua estadia no ginásio, destacou-se como um dos fundadores da Congregação Mariana em 1908, que buscava reforçar os valores católicos entre os jovens estudantes. Essa experiência o colocou em contato com uma elite social e religiosa que influenciaria suas escolhas futuras.

As Congregações (Adroaldo fundaria outra em 1911, no Ginásio Anchieta) serviam de um “espaço de cooptação das elites sociais e econômicas para o projeto de restauração católica”*. Não é à toa que muitos autores usaram o termo “geração católica” para designar os estudantes egressos dos ginásios jesuítas que ingressaram na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre no final da década de 1910: a maioria desses, incluso Adroaldo Costa, vinha de um mesmo manancial comum.

Finalizando seu bacharelado em Ciências e Letras em 1911, Adroaldo fez amigos e conexões que se mostrariam fundamentais na sua jornada profissional e política. A partir desse momento, ele não apenas se destacou academicamente, mas também começou a desenvolver uma visão que unia política e religião, algo que acompanharia toda sua carreira.

 

Os Primeiros Passos na Carreira Profissional

Em 1914, após obter o título de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, Adroaldo começou a trilhar seu caminho na advocacia e no magistério. No início de 1918, exerceu, ainda que interinamente, o cargo de promotor público em sua cidade natal, mas logo retornou a Porto Alegre, onde se dedicou ao ensino. Lecionou matérias como português e história nos ginásios Anchieta e Júlio de Castilhos, ambos ligados à tradição jesuíta que tanto o influenciou.

O casamento com Dona Cecy Desessards Leite, realizado no Natal de 1919 na casa de sua sogra em Taquari, trouxe novas responsabilidades, mas também felicidade, pois juntos tiveram onze filhos, moldando sua vida familiar em paralelo à carreira.
 

Contribuições ao Ensino e à História do Rio Grande do Sul


Em 1920, Adroaldo passou a lecionar direito comercial na Escola Superior do Comércio e a dar aulas de história do Brasil e história universal na Faculdade de Filosofia de Porto Alegre. Nesse mismo período, mostrou seu compromisso com a preservação da história local ao participar da criação do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, onde é considerado Presidente Perpétuo, um reconhecimento do seu valor no contexto cultural e histórico do estado. 

Desafios e Conquistas na Política


A Revolução de 1930 marcou uma nova fase em sua vida. Nomeado membro do conselho consultivo do estado do Rio Grande do Sul em 1931, Adroaldo encontrou na política um novo campo para aplicar seus valores e convicções. Ao se filiar ao Partido Republicano Rio-Grandense em 1932, iniciou sua participação ativa na política, sendo eleito para a Assembleia Nacional Constituinte em 1933.

Como constituinte, ele se destacou por sua postura equilibrada e responsável, defendendo a limitação do Poder Executivo e a descentralização administrativa. Seus discursos refletiam um profundo respeito pela nação e pela necessidade de um governo justo e representativo. Ao lado de outras figuras políticas, buscou garantir os direitos civis e promover a participação feminina na política, uma posição progressista para o período.

O Legado de Adroaldo Costa


Por volta de 1934, ao final de sua atuação na Assembleia Constituinte, Adroaldo renunciou ao seu mandato, respeitando o desejo de um encerramento responsável das atividades constituintes. Após esse período, dedicou-se ao seu trabalho na advocacia e ao ensino até o retorno à política com a reconstitucionalização do país em 1945. Sua afiliação ao Partido Social Democrático (PSD) o levou a ser eleito deputado na Assembleia Nacional Constituinte em 1946 e, posteriormente, a ocupar importantes cargos no governo federal.

Entre 1947 e 1950, ocupou a pasta de Justiça e Negócios Interiores, demonstrando que sua carreira pública não eram apenas conquistas pessoais, mas uma missão de servir ao bem comum. A partir de 1956, tornou-se prefeito de Taquari, onde aproveitou sua experiência para implementar mudanças significativas para a comunidade local.

Últimos Anos e Reconhecimento


Após várias décadas de dedicação ao serviço público, Adroaldo Costa foi consultor-geral da República durante os governos militares, uma evidência de sua relevância e credibilidade na política brasileira. Em seus últimos anos, integrou o conselho fiscal da Varig, onde sua experiência e conhecimento foram valorizados, a companhia da qual havia sido um dos fundadores em maio de 1927.

Faleceu aos 91 anos, em 12 de dezembro de 1985, deixando um legado que transcendeu gerações. Seu sepultamento em Taquari simboliza o retorno às suas raízes, a cidade que viu seu nascimento e que, ao longo de sua vida, testemunhou suas contribuições excepcionais ao ensino, à justiça e à política.

Adroaldo Costa permanece na memória coletiva como um homem de princípios, um educador apaixonado e um político comprometido com os ideais que regem sua vida. A trajetória deste Congregado mariano ressoa como um convite à reflexão sobre o papel do conhecimento e do compromisso ético na construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

 

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(*) MONTEIRO, Lorena Madruga. Considerações sobre a atuação da Companhia de Jesus na formação dos grupos dirigentes no Rio Grande do Sul. História Unisinos. São Leopoldo, v. 15, n. 1, p. 100-111, jan./abr. 2011.

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