
Alexandre Martins, cm.
A expressão Acies Ordinata possui sua relação com a atitude aguerrida dos Congregados Marianos em defesa da Igreja e do Clero .
“Exército em Ordem de Batalha”
A expressão latina Acies Ordinata significa literalmente “linha de batalha ordenada” ou “exército em ordem de batalha”.
A imagem é tradicional na espiritualidade cristã para descrever a Igreja militante: o povo de Deus organizado, firme e unido em torno de Cristo e de Sua missão, combatendo o pecado, promovendo a justiça e defendendo a fé. Embora a expressão seja mais conhecida em associações marianas posteriores, o sentido militar-espiritual existe desde textos antigos que aplicam a metáfora bélica ao combate do espírito do mal, em analogia à Virgem Maria derrotando heresias e forças contrárias ao Evangelho.
No contexto das Congregações Marianas, essa imagem remete à ideia de militância espiritual: leigos organizados sob a proteção de Maria para defender, propagar e testemunhar a fé católica no mundo, especialmente junto ao Clero e à hierarquia eclesial.
As Congregações Marianas: História e Missão
As Congregações Marianas surgiram em 1563 por iniciativa do jesuíta Jean Leunis no Colégio Romano, em Roma, com alunos que se comprometiam a uma vida cristã mariana fervorosa e apostólica. ¹
Canonizadas em 1584 pela Bula Omnipotentis Dei de Gregório XIII, essas Congregações se expandiram pelo mundo, reunindo leigos empenhados em crescente apostolado, formação cristã e defesa da Igreja.²
A missão apostólica e a defesa da Igreja
A Constituição Apostólica Bis Saeculari de Pio XII (1948), que serviu como “Carta Magna” das Congregações Marianas, destacou que seus membros — em suas fileiras compactas e fervorosas — se colocam “nas primeiras filas… apoiando e suportando com constância trabalhos para a maior glória de Deus e para o bem das almas”, e por isso são consideradas como forças espirituais empenhadas em defender, assegurar e propagar o catolicismo.³
Isso ecoa a metáfora de Acies Ordinata: não um combate físico, mas um compromisso organizado em favor da fé, da doutrina e das instituições da Igreja.
Exemplos históricos de militância mariana
A história das Congregações Marianas mostra essa postura aguerrida em diversos momentos:
Contra as heresias e crises confessionalistas do século XVI: a fundação dos sodalícios marianos coincidiu com os desafios reformistas e a necessidade de forte formação catequética e defesa da ortodoxia católica em meio à Reforma Protestante.4
Durante o auge das devoções católicas (séculos XVII–XIX): inúmeros santos e leigos marianos viveram uma espiritualidade de entrega total à Igreja, muitos fazendo do apostolado mariano um instrumento de combate às ideologias anticlericais ou indiferença religiosa. 5
Nos séculos XX e XXI: as Congregações Marianas continuaram a formar milhares de leigos comprometidos com a evangelização, contribuição ao discipulado cristão e apoio à vida sacerdotal e religiosa. Em países como o Brasil, por exemplo, elas foram fundamentais na evangelização em áreas rurais e urbanas, especialmente onde outras formas de presença católica eram escassas. 6
No conjunto histórico, congregados marianos demonstraram uma postura de “discípulos soldados”, isto é, cristãos leigos que, pela formação e devoção mariana, tornam-se defensores atentos da fé, da comunhão com a estrutura eclesial e do apoio ao Clero — não pela força física, mas pelo testemunho coerente e pela ação evangelizadora.
Atualidade: Leigos Militantes na Igreja Contemporânea
No mundo contemporâneo, a Igreja tem enfatizado o papel dos leigos no testemunho público e na defesa da fé — um horizonte que dialoga com a imagem de Acies Ordinata aplicada ao contexto mariano, agora moldada pela missão evangelizadora de cada batizado.
O papel do laicato hoje
Leão XIV tem reafirmado fortemente o lugar dos leigos e movimentos eclesiais na missão da Igreja. Em audiências com líderes de movimentos e associações laicais, ele destacou que todos os fiéis — leigos e consagrados — devem:
Manter Jesus Cristo no centro de seus esforços e colocar seus talentos “a serviço da missão da Igreja”, em comunhão com a hierarquia. 7
Servir como fermento de unidade e evangelização nas realidades sociais, culturais e profissionais, de modo que a fé ilumine a vida cotidiana. 8
Essa visão contemporânea se alinha à ideia de militância espiritual das Congregações Marianas: o leigo não defende simplesmente interesses particulares, mas contribui para o bem comum da Igreja e do mundo, sustentado por uma fé sólida e um testemunho coerente.
Colaboração com o Clero no contexto atual
O mesmo papa também tem encorajado a colaboração harmoniosa entre leigos e sacerdotes, reconhecendo:
A necessidade de compartilhar responsabilidades pastorais de modo que o Clero encontre apoio e estímulo no zelo dos leigos.9
A importância de um clero bem formado e espiritualmente maduro, reconhecendo que crises — como a da confiança pós-abusos — exigem respostas de toda a comunidade cristã.¹°
Essa cooperação pode ser vista como expressão contemporânea da lógica de Acies Ordinata: não uma linha de combate contra a estrutura eclesial, mas uma sustentação orgânica da missão evangelizadora da Igreja, com leigos fiéis e corajosos no seu apostolado.
Leigos organizados
A frase Acies Ordinata — “linha de batalha ordenada” — pode ser entendida, no contexto católico, como a imagem simbólica da Igreja militante. Quando aplicada às Congregações Marianas, ela evoca a tradição de leigos organizados espiritualmente para defender, propagar e sustentar a fé, especialmente em momentos de crise ou desafio para o Clero e para a Igreja como um todo.¹¹
Historicamente, as Congregações Marianas foram espaços de formação espiritual intensa, compromisso apostólico e apoio à hierarquia eclesial. Hoje, na Igreja do tempo presente e segundo os ensinamentos do Papa Leão XIV, esse “exército espiritual” existe não para confrontar, mas para colaborar, testemunhando o Evangelho com coragem, fé e uma profunda união com a missão do Papa e dos Bispos.¹²
A Jesus por Maria!
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fontes:
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