Alexandre Martins, cm.
O Bem-aventurado Guilherme José Chaminade (1761–1850) foi um padre francês que fundou a Sociedade de Maria - os Marianistas.
Mas sua história com as Congregações Marianas é especial.
Ele não foi apenas um membro comum ou alguém que simpatizava com elas. Ele foi diretor, reorganizador e grande animador de uma Congregação Mariana em Bordeaux. Isso aconteceu logo depois da Revolução Francesa, um período muito difícil. E foi dessa experiência prática que nasceu o carisma marianista.
Entender o contexto histórico
Depois da Revolução Francesa, a Igreja estava em uma situação muito complicada. Conventos fechados, padres perseguidos, a vida religiosa praticamente desapareceu e os leigos estavam perdidos, sem saber o que fazer.
Chaminade tinha vivido no exílio na Espanha durante esse tempo. Quando voltou para a França, ele tinha uma convicção clara: reconstruir a sociedade cristã não poderia depender apenas dos padres. Era preciso formar leigos, consagrá-los e organizá-los para o trabalho apostólico.
Foi nesse cenário que ele retomou e fortaleceu a Congregação Mariana de Bordeaux. Ele colocou essa congregação sob a proteção da Imaculada Conceição. Essa experiência concreta, vivida em tempos tão difíceis, acabou se tornando a base espiritual para o que viria a ser a Companhia de Maria.
Chaminade não foi apenas um “acompanhante” da Congregação Mariana. Ele foi muito mais do que isso. Na verdade, ele assumiu a direção pessoal do grupo, reformulou completamente seus estatutos, aprofundou sua espiritualidade e deu uma orientação clara: missionária e apostólica.
Para Chaminade, a Congregação Mariana era algo especial:
Era uma escola de santidade para pessoas comuns, um corpo apostólico organizado, uma milícia espiritual sob a bandeira de Maria.
Mais do que tudo, era um instrumento para renovar a Igreja e a sociedade.
Ele sempre insistia em um ponto importante: o membro da congregação deveria ser um cristão completo, um apóstolo em sua própria vida, consagrado a Maria para cumprir uma missão.
A experiência concreta da Congregação Mariana de Bordeaux foi como um laboratório espiritual. Foi ali que se formou o que viria a ser a Sociedade de Maria. Muitos elementos passaram quase diretamente da Congregação para os Marianistas.
A consagração total a Maria, que era central nas Congregações Marianas, se tornou o coração do carisma marianista. Chaminade via Maria de uma forma muito particular. Para ele, ela era uma colaboradora única na Redenção, formadora dos apóstolos e modelo da fé ativa.
O interessante é que essa visão já era vivida plenamente na Congregação muito antes de ser institucionalizada na Companhia. Era algo que já estava acontecendo na prática.
Como a vida em comunidade funcionava na Congregação Mariana de Bordeaux.
Não era somente um grupo de oração.. era muito mais organizado. Tinham regras para viver juntos, encontros regulares, formação sobre a fé e missões práticas. Esse jeito de fazer as coisas acabou inspirando a vida comunitária dos marianistas, mesmo que eles tenham adaptado para a vida religiosa.
Outra coisa interessante: Chaminade trabalhava com leigos e padres juntos, cada um fazendo o que sabia fazer melhor. Essa ideia ficou tão forte que ele criou dois grupos marianistas depois: a Sociedade de Maria (para homens) e o Instituto das Filhas de Maria Imaculada (para mulheres). Os dois grupos sempre mantiveram essa parceria forte com os leigos, que era justamente o que ele já fazia na Congregação.
Chaminade tinha uma visão bem prática. Ele preparava as pessoas para atuar na educação, influenciar a cultura, defender a fé e reconstruir a sociedade cristã por dentro. Por isso não é surpresa que os marianistas acabaram se destacando em escolas, trabalho com jovens e formação tanto intelectual quanto espiritual.
A verdade é que a Companhia de Maria nasceu direto da experiência da Congregação Mariana bem organizada. A Congregação de Bordeaux deu o método, a espiritualidade, o jeito de fazer apostolado e a visão missionária para toda a obra marianista. Chaminade nunca deixou de ser o Diretor de Congregação Mariana que sempre foi. Mesmo depois de fundar a Companhia de Maria, ele continuou vendo as Congregações como algo essencial para a missão mariana na Igreja.
Como grandes ideias começam?
Para o Beato Guilherme José Chaminade, tudo começou com uma Congregação Mariana que ele dirigiu e reformou. Essa comunidade foi como um berço espiritual, o lugar onde nasceu a Companhia de Maria.
A espiritualidade marianista que conhecemos hoje cresceu ali, amadurecendo dentro dessa congregação. É interessante pensar que a missão dos Marianistas continua, de certa forma, o ideal que os leigos viviam naquela comunidade inicial.
Para Chaminade, a Congregação Mariana e a Companhia de Maria não eram rivais. Elas se completavam. Uma formava o leigo apóstolo, a outra preparava o religioso missionário.
Ambos seguiam sob a proteção de Maria, com um mesmo objetivo:
renovar a Igreja e o mundo.
IAH

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