Stefan Frelichowski, O Congregado que Venceu o Campo




 

Alexandre Martins, cm.




A história da Igreja no século XX é marcada por testemunhas que atravessaram a noite da perseguição com a chama da caridade acesa. Entre elas resplandece a figura do Bem-aventurado Stefan Wincenty Frelichowski, sacerdote polonês, mártir do campo de concentração de Dachau, patrono dos escoteiros da Polônia e fiel congregado mariano na cidade de Pelplin.



O Congregado escoteiro



Nascido em 1913, em uma Polônia ainda marcada por tensões políticas e culturais, Stefan cresceu em um ambiente profundamente cristão.

Desde cedo, manifestou inclinação para o serviço e para a liderança juvenil, especialmente no escotismo, movimento que moldaria seu senso de disciplina, fraternidade e responsabilidade. No escotismo, aprendeu a conjugar idealismo e ação concreta, a amar a pátria sem jamais dissociá-la do amor a Deus e a cultivar virtudes que mais tarde sustentariam sua fidelidade no sofrimento.

Sua formação espiritual encontrou sólido alicerce na Congregação Mariana de Pelplin. Ali, sob o olhar de Nossa Senhora, amadureceu um ideal de pureza de intenção, generosidade apostólica e entrega total a Cristo. A espiritualidade mariana não foi para ele mera devoção afetiva, mas escola de vida interior e de compromisso missionário. A consagração a Maria, vivida no espírito das Congregações Marianas, educou-lhe o coração para a obediência, para a confiança filial e para a prontidão no serviço eclesial.

 

Sacerdote no Campo



Ordenado sacerdote, Frelichowski exerceu seu ministério com notável zelo pastoral, sobretudo entre jovens e famílias. Contudo, a invasão da Polônia pela Alemanha nazista inaugurou um tempo de perseguição sistemática ao clero.

Preso em 1939, percorreu diversos campos de concentração até ser enviado a Dachau, onde se encontrava grande número de sacerdotes encarcerados.

No Campo, onde a fome, as doenças e a brutalidade pretendiam esmagar a dignidade humana, o padre Stefan tornou-se sinal de esperança. Mesmo sob vigilância constante e risco de punições severas, exerceu discretamente o ministério sacerdotal: confessava, animava espiritualmente os companheiros, organizava momentos de oração e oferecia consolo aos mais abatidos.

Quando uma epidemia de tifo assolou o campo, colocou-se voluntariamente ao lado dos doentes, prestando-lhes assistência espiritual e humana. Sabia que esse gesto poderia custar-lhe a vida — e custou. Contagiado, faleceu em 23 de fevereiro de 1945, poucas semanas antes da libertação do campo.

Seu martírio não foi apenas o resultado de circunstâncias externas, mas a culminação coerente de uma vida inteiramente oferecida. O escoteiro fiel, o congregado mariano fervoroso, o sacerdote zeloso: todas essas dimensões convergiram na hora suprema do dom total. Em Dachau, revelou-se plenamente o que sua formação espiritual já havia forjado: um homem configurado a Cristo Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas.



Bem-aventurado



Proclamado bem-aventurado por São João Paulo II, Stefan Wincenty Frelichowski permanece como modelo luminoso para os jovens, para os escoteiros e para todos os membros das Congregações Marianas. Sua vida demonstra que a verdadeira liberdade não pode ser aprisionada por regimes totalitários e que a caridade pastoral é mais forte do que o ódio ideológico.

Para os congregados marianos, sua memória é particularmente eloquente. Ele mostra que a espiritualidade vivida sob o manto de Maria conduz necessariamente à coragem apostólica e à fidelidade até as últimas consequências. Em um mundo que frequentemente relativiza o compromisso e teme o sacrifício, o testemunho do Bem-aventurado Stefan Wincenty Frelichowski recorda que a santidade nasce da coerência diária e floresce, por vezes, no solo árido da perseguição.

Sua vida é, em última análise, um apelo silencioso e firme: permanecer fiéis, servir com alegria e amar sem reservas — mesmo quando o preço seja tudo.





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