José Vasco Ramalho Ortigão, o Congregado empresário do Parc Royal

Vasco Ramanho Ortigão



Alexandre Martins, cm.



Um comerciante português que marcou a história do Rio

Entre os grandes nomes do comércio carioca da virada do século XIX para o XX, poucos alcançaram a notoriedade de José Vasco Ramalho Ortigão. Português de origem, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e tornou-se fundador do célebre Magazine Parc Royal, uma das mais importantes lojas de departamentos da antiga Capital Federal.

Fundado em 1873, o Parc Royal começou modestamente como um armarinho no Largo de São Francisco, mas rapidamente se transformou em símbolo de elegância, modernidade e refinamento. Durante setenta anos, a loja acompanhou as transformações da sociedade carioca, tornando-se referência para a elite da cidade.

Frequentar o Parc Royal era mais do que fazer compras: era participar da vida social da capital. Os clientes aguardavam com expectativa as novidades vindas da Europa no chamado dernier bateau, o último navio procedente de Paris e de outros centros da moda internacional.

 

A Parc Royal


 

É importante destacar que este José Vasco Ramalho Ortigão não deve ser confundido com o famoso escritor português José Duarte Ramalho Ortigão (1836–1915), contemporâneo de Eça de Queiroz. Embora compartilhassem o sobrenome, tratava-se de pessoas distintas.



O pioneirismo do Parc Royal

O sucesso do empreendimento foi tão grande que a loja passou a ocupar diversos imóveis vizinhos, chegando a dominar praticamente um quarteirão inteiro do centro da cidade.

O Parc Royal destacou-se por introduzir inovações raras para a época:

  • Implantação de uma das primeiras escadas rolantes do comércio carioca;

  • Ventiladores de teto para maior conforto dos clientes;

  • Sistema de preços fixos, eliminando a prática da barganha;

  • Catálogos de venda por correspondência;

  • Escritório permanente em Paris para acompanhar as tendências da moda europeia.

Além da matriz no Rio de Janeiro, a empresa mantinha filiais em Belo Horizonte e Juiz de Fora, demonstrando a força de sua expansão comercial.


 

O incêndio que encerrou uma era

Em 1943, o Parc Royal foi consumido por um dos mais dramáticos incêndios da história do centro da cidade. O fogo destruiu completamente o edifício e provocou o desabamento de parte da estrutura.

O acontecimento teve enorme repercussão na imprensa da época. Após a demolição dos escombros, a Prefeitura aproveitou a área para ampliar a circulação urbana, criando uma nova via pública.

Essa rua recebeu o nome de Rua Ramalho Ortigão, perpetuando na geografia carioca a memória do empresário que havia transformado o comércio da cidade.

 

Um congregado mariano entre os grandes comerciantes do Rio

A história de José Vasco Ramalho Ortigão, porém, não se limita ao sucesso empresarial.

Um aspecto menos conhecido de sua trajetória aparece na história da Congregação Mariana Nossa Senhora de Lourdes e São Luiz Gonzaga, ligada aos Frades Capuchinhos da Tijuca.

Fundada em 11 de fevereiro de 1929 por Frei Isaías de Ragusa, a Congregação Mariana nasceu ainda na capela provisória dos Capuchinhos, na Praça Saens Peña, antes mesmo da inauguração da monumental Igreja de São Sebastião.

A Congregação rapidamente se tornou um dos principais centros de formação espiritual masculina da Arquidiocese do Rio de Janeiro, reunindo profissionais liberais, comerciantes, militares, funcionários públicos e líderes católicos.

Entre os congregados ilustres mencionados pela Confederação Nacional das Congregações Marianas do Brasil encontra-se o Dr. Ramalho Ortigão, identificado como o homem que deu nome a uma rua do centro da cidade. A referência corresponde claramente ao fundador do Parc Royal.

Tal menção demonstra que o célebre comerciante não apenas participou da vida econômica da capital, mas também integrou ativamente uma das mais importantes associações marianas do Rio de Janeiro.

 

Fé, apostolado e serviço à Igreja

A Congregação Mariana dos Capuchinhos desempenhou papel relevante na consolidação da presença católica na Tijuca durante o século XX.

Entre seus membros encontravam-se homens influentes da sociedade carioca, que colocavam seus talentos profissionais a serviço da Igreja. Nesse ambiente destacaram-se figuras como o Almirante Eulino Cardoso, que contribuiu financeiramente para a construção da igreja e para as obras da Congregação.

José Vasco Ramalho Ortigão pertenceu a essa geração de leigos que compreendia a fé não apenas como prática privada, mas como compromisso concreto com a vida da Igreja e da sociedade.

Seu exemplo recorda o ideal tradicional das Congregações Marianas: homens profundamente devotos de Nossa Senhora, comprometidos com a santificação pessoal, o apostolado leigo e a construção do bem comum.

 

Um legado que permanece

Hoje, poucos cariocas conhecem a história do Parc Royal. Menos ainda sabem que o homem por trás daquele império comercial foi também Congregado Mariano.

Entretanto, sua memória permanece viva de duas formas.

A primeira está inscrita no mapa da cidade, através da Rua Ramalho Ortigão.

A segunda permanece na história da Congregação Mariana dos Capuchinhos da Tijuca, onde seu nome figura entre aqueles que ajudaram a construir uma tradição de fé, apostolado e serviço mariano que atravessa gerações.

Ao recordar José Vasco Ramalho Ortigão, os Congregados Marianos reencontram um exemplo eloquente de como a devoção a Nossa Senhora pode inspirar homens a servir simultaneamente a Deus, à Igreja e à sociedade.



IA

 

 





Referências

  • Confederação Nacional das Congregações Marianas do Brasil – histórico da Congregação Mariana Nossa Senhora de Lourdes e São Luiz Gonzaga.

  • Rio Memórias – história do Magazine Parc Royal.

  • Bafafá – memória do comércio tradicional carioca.

  • História urbana do Centro do Rio de Janeiro.

  • História da Basílica de São Sebastião dos Capuchinhos da Tijuca.


Comentários