Santa Teresa de Los Andes: uma Congregada Mariana no Caminho da Santidade

 


Alexandre Martins, cm.

 

Entre as inúmeras flores de santidade que Nossa Senhora ofereceu à Igreja ao longo dos séculos, uma das mais belas da América Latina é, sem dúvida, Santa Teresa de Jesus dos Andes, nascida Juana Enriqueta Josefina de los Sagrados Corazones Fernández Solar, em Santiago do Chile, no dia 13 de julho de 1900. Sua vida breve, mas intensamente vivida para Deus, constitui um testemunho luminoso para os jovens, especialmente para aqueles que buscam unir estudo, apostolado, devoção mariana e profunda vida interior.

 

Uma jovem alegre e cheia de vida

A santidade de Teresa dos Andes não nasceu de uma personalidade distante da realidade humana. Pelo contrário, ela era uma jovem normal, alegre e cheia de talentos. Estudou de 1907 a 1918 no Colégio Internato del Sagrado Corazón de Maestranza, em Santiago, dirigido pelas Religiosas do Sagrado Coração.

Gostava de cantar, dançar, praticar esportes e conviver com a família e os amigos. Jogava tênis e croquet, nadava com habilidade e tocava piano e harmônio. Nada em sua juventude fazia prever uma vida marcada por fenômenos extraordinários; o extraordinário estava precisamente na forma como viveu o ordinário.

Ainda menina, leu a autobiografia de Santa Teresa do Menino Jesus, cuja espiritualidade da “pequena via” deixou marcas profundas em sua alma. A partir desse contato, cresceu nela o desejo de uma entrega total a Deus.

Sua Primeira Comunhão, recebida em 11 de setembro de 1910, foi um marco decisivo. Mais tarde escreveria que naquele dia Jesus tomou posse de seu coração de maneira especial.

 

Uma Congregada Mariana

Para nós, Congregados Marianos, um aspecto particularmente significativo de sua biografia é sua pertença à Congregação Mariana.

Em junho de 1917, Juana ingressou na Congregação Mariana do Colégio, encontrando ali um ambiente propício para aprofundar sua vida espiritual e sua devoção à Santíssima Virgem. Como tantas outras almas escolhidas ao longo da história das Congregações Marianas, encontrou na escola de Maria um caminho seguro para Cristo.

A espiritualidade congreganista, baseada na frequência aos sacramentos, na vida interior, no apostolado e na consagração filial à Virgem Santíssima, harmonizava-se perfeitamente com as aspirações de sua alma.

Não é coincidência que tantos santos, beatos e fundadores de obras apostólicas tenham passado pelas Congregações Marianas. A jovem Juana foi mais uma dessas almas formadas sob o olhar materno de Nossa Senhora.

 

A busca da perfeição cristã

Em 8 de dezembro de 1915, aos quinze anos, fez o voto privado de castidade perpétua, renovando-o regularmente. Sua vida espiritual amadurecia rapidamente.

Em 1916 participou de um retiro baseado nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, experiência que aprofundou sua decisão de buscar a vontade de Deus acima de todas as coisas.

Seu amor a Cristo crescia constantemente. Embora pertencesse a uma família de boa posição social e tivesse diante de si perspectivas promissoras de vida, sentia-se chamada a algo maior: entregar-se inteiramente ao Senhor.

Em setembro de 1917 escreveu à prioresa das Carmelitas Descalças manifestando seu desejo de ingressar no Carmelo.

 

O chamado ao Carmelo

Finalmente, em 7 de maio de 1919, entrou no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Los Andes, recebendo o nome religioso de Teresa de Jesus.

Ali encontrou o ambiente que sempre sonhara: silêncio, oração, contemplação e união com Deus.

Embora sua permanência no convento tenha sido muito breve, exerceu um fecundo apostolado por meio de cartas espirituais dirigidas a familiares, amigos e conhecidos. Nessas correspondências revelava uma maturidade espiritual impressionante para alguém com menos de vinte anos de idade.

Sua doutrina espiritual é marcada por:

  • Amor apaixonado a Jesus Cristo;

  • Confiança absoluta na Providência;

  • Profunda devoção mariana;

  • Espírito de sacrifício;

  • Alegria na entrega;

  • Desejo de santidade acessível a todos.

     

A doença e a morte santa

Poucos meses após sua entrada no Carmelo, contraiu uma grave enfermidade, tradicionalmente identificada como tifo. Alguns estudiosos modernos sugerem que poderia ter sido a devastadora gripe espanhola, que então atingia o Chile.

Seu estado agravou-se drasticamente em 2 de abril de 1920, Sexta-Feira Santa.

Com apenas dezenove anos, ainda não havia concluído o noviciado canônico nem realizado sua profissão religiosa definitiva. Diante da iminência da morte, recebeu autorização para professar os votos religiosos in articulo mortis, em 7 de abril de 1920.

Recebeu os últimos sacramentos em 5 de abril e preparou-se serenamente para o encontro definitivo com Cristo.

Na noite de 12 de abril de 1920, às 19h15, uma semana após a Páscoa, entregou sua alma a Deus.

Tinha apenas 19 anos de idade.

 

 

 

A primeira santa do Chile

O testemunho de sua vida espalhou-se rapidamente pelo Chile e por toda a América Latina. Milhares de pessoas passaram a visitar seu túmulo em Los Andes.

Foi beatificada por São João Paulo II em 1987 e canonizada pelo mesmo Papa em 21 de março de 1993, tornando-se:

  • A primeira santa chilena;

  • A primeira santa carmelita descalça da América Latina;

  • A quarta Santa Teresa do Carmelo, após Santa Teresa de Ávila, Santa Teresa de Florença (Teresa Margarida Redi) e Santa Teresa de Lisieux;

  • A padroeira da juventude latino-americana.

     

Uma mensagem para os Congregados Marianos

Santa Teresa dos Andes recorda aos Congregados Marianos uma verdade fundamental: a santidade não depende da duração da vida, mas da intensidade do amor.

Sua passagem pela Congregação Mariana do Colégio demonstra como a espiritualidade congreganista continua sendo uma autêntica escola de santidade. Antes de ser carmelita, Teresa foi filha de Maria; antes do claustro, aprendeu na Congregação Mariana a viver a pureza, a oração, a comunhão frequente e o apostolado.

Num mundo que frequentemente apresenta a juventude como tempo de superficialidade e distração, Teresa dos Andes mostra que os jovens são capazes das maiores generosidades quando respondem ao chamado de Deus.

Seu exemplo permanece atual para os congregados do século XXI: amar a Eucaristia, confiar em Nossa Senhora, praticar a oração diária, cultivar a pureza de coração e buscar a santidade nas circunstâncias concretas da vida.

Como Congregados Marianos, podemos contemplar nela uma das mais belas realizações do ideal sodalício: uma alma totalmente de Maria para ser totalmente de Cristo.

“Jesus, eu Te amo. És meu único amor.”

Santa Teresa de Los Andes

 

IA

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