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Aonde se buscam os novos Congregados ?

 
Alexandre Martins, cm.

Após a década de 1980, as Congregações Marianas brasileiras sofreram uma abrupta queda de quantidade de membros e os sacerdotes, em sua imensa maioria, deixaram de se importar com essas centenárias associações. A alguns padres era algo mesmo incômodo: associações que, a seu ver, seriam inadequadas a uma Igreja moderna, atuante e "libertadora".
Muitos desses sacerdotes eram formados pela então poderosa Teologia da Libertação, com seu ícone Leonardo Boff, então frade franciscano, que era incensado por quase a totalidade dos pensadores contemporâneos, mídia e até bispos brasileiros. Sua condenação pela Congregação para a Doutrina da Fé, à época presidida pelo então Cardeal Ratzinger, foi um duro golpe em toda uma organização marxista dentro da Igreja Católica latino-americana.
Mas a Confederação brasileira das Congregações Marianas não demonstrava estar preocupada com o destino das Congregações do Brasil e limitava-se a promover a “Romaria do Terço” criada em 1973 por ela mesma. A revista “Estrela do Mar” tinha cada vez menos força e cada vez menos assinantes. Os diretores nacionais, bem como os da maioria das CCMM viam esse desinteresse eclesial e laical como “sinal dos tempos”, isto é, que as CCMM tinham “passado de moda”.
Mas, assim como os padres que viram a Companhia de Jesus ser fechada pela Santa Sé e esperavam que a Igreja mudaria sua decisão – o que aconteceu anos mais tarde – haviam congregados marianos que continuaram a manter as suas Congregações ativas, mesmo com um número pífio de membros. Congregações que contavam com 80 ou mesmo 100 Congregados estavam agora com 6 ou 7 idosos...
Em algumas Congregações Marianas, Congregados dotados de ardor missionário - como os verdadeiros Congregados são - procuravam na juventude católica dos anos 1980 os vocacionados para serem a “elite da Igreja”. Buscavam nos grupos jovens, nos “Encontros de Jovens com Cristo” e em outros grupos e movimentos da época.
Os jovens da época estavam distantes do ideal de “aspirante” a uma Congregação: mesmo os jovens que assumiam a chefia de grupos eram mal preparados na Catequese e na piedade cristã. As Missas chamadas “para jovens” eram de uma infantilidade impressionante. E ainda não havia os chamados “ministérios de música” e nem a popularidade da Canção Nova que dominariam o cenário litúrgico nas décadas seguintes, mas a sua semente já havia sido lançada. Era cansativo e desgastante ver o quanto Congregados buscavam jovens nesses meios e o quanto havia de desistência e mesmo de repúdio à uma associação que não usava camisetas coloridas.



Nesse quadro desanimador, o que foi feito?
Um verdadeiro Congregado não “malha em ferro frio”. Mas também não desiste de uma boa iniciativa.
Uma das iniciativas foi de chamar jovens para recitações do Pequeno Ofício da Imaculada em sedes de Congregação. A partir daí, o convívio com os Congregados foi ocorrendo através de diversões dentro da sede, passeios, esporte. Em pouco tempo, os jovens seriam aspirantes e tomariam a formação espiritual da Congregação como parte de suas vidas. Importante frisar isto: foi o apreço pela oração que chamou aqueles jovens e não o esporte. Portanto, somente ficaram aqueles que tinham um ideal espiritual e não somente o de diversão. Congregações que optaram por primeiro chamar para um “jogo de ping-pong” obtiveram depois de meses o abandono...
Outra iniciativa foi ressuscitar as antigas Seções de Menores, os chamados “marianinhos”. Alguns Congregados se dispunham a realizar reuniões especiais com crianças que haviam acabado de receber sua Primeira Comunhão. Por vezes o recrutamento era feito ainda na Catequese. O resultado foi, a nosso ver, dos melhores: a grande maioria continuou pelos anos seguintes na Congregação Mariana e são melhores Congregados.
Contudo, algumas iniciativas foram desastrosas.
O recrutamento feito nos chamados “Grupos Jovens” deu quase ou nenhum resultado. Isso porque o jovem católico que está nestes grupos feitos segundo o método do “ver-julgar-agir”1 e que usa do chamado “oratório festivo”2 para suas reuniões e atividades não possui vocação para uma Congregação Mariana. Caso contrário, ele mesmo não estaria em um grupo daqueles...
O anúncio em “encontros de jovens” foram palavras ao vento: os jovens que participavam dessas atividades estavam apenas querendo diversão sadia e novas amizades. Mesmo “encontros” do tipo criados e conduzidos por Congregações Marianas deram pouco ou nenhum resultado, pois a mentalidade da época dizia que o Encontro era apenas momentâneo e não deveria suscitar futuras responsabilidades.
Percebemos que muitas dessas iniciativas continuaram pelas décadas seguintes, não? Pois bem, os equívocos ainda existem, pois há muitos que continuaram o pensamento de décadas atrás ainda nos dias de hoje: há jovens da época que agora são de meia-idade ou mesmo idosos e ainda pensam uma realidade antiga e sem respaldo atual ainda sendo coordenadores desses movimentos; há jovens que foram educados por aqueles jovens (alguns que são filhos) e que tem um pensamento “geração 80”; sacerdotes idosos que são saudosistas das “missas de jovens” com violão e muitos casais de jovens usando calça jeans, etc.
Vemos que o que perseverou – e o que sempre persevera – são as atitudes clássicas, isto é, aquelas que foram usadas pelos séculos e que sempre deram bons resultados, pois se dirigem ao coração do Homem e não às modas do século. Isto é a característica das verdadeiras Congregações Marianas. Afinal, desde o século XVI foram os Congregados criadores ou incentivadores de iniciativas que deram resultados positivos para o bem da Igreja e da Sociedade. Essas práticas foram anotadas nas Atas das Congregações e repetidas com sucesso pelos anos seguintes.
A Sagrada Escritura nos avisa que “nada há de novo embaixo do Sol” (Ecl 1,9) isto é, existem atitudes humanas que sempre existirão, no século X ou XXI. As iniciativas clássicas existem para atender essas necessidades de sempre: santidade, apostolado, vida cristã coerente, preocupação com a formação da família, bom exercício do trabalho cotidiano, formação intelectual...
O que difere uma Congregação Mariana do século XXI de uma do século XVI é apenas a forma com que realiza suas atividades clássicas: hoje em dia os jovens em sua maioria preferem receber os boletins da Congregação pelo Twitter do que em xerografia, por exemplo. Mas nos anos 1980 adorávamos os boletins de nossa Congregação confeccionados na tinta azul cheirosa de um mimeógrafo a álcool...
Há locais aonde podemos encontrar novos Congregados e que, por incrível que pareça, estão esperando alguém que lhes mostre as Congregações Marianas: busquemos os novos Congregados em locais aonde estão os que não se adaptam com os grupos e pastorais existentes.
Há também os que estão trabalhando como acólitos mas querem algo que os sustente espiritualmente.
Existem os que procuram o estudo da Doutrina cristã mas não sabem como fazer obras de apostolado com o que aprendem pois sabem que sozinhos nada podem.
Outros participam assiduamente da Santa Missa, até mesmo diária, mas não veem nas associações existentes alguma que os toque interiormente, que os ampare para toda a vida.
Estes são alguns exemplos. Existem vários outros.
Há edifícios que são construídos com uma pequena sala que é a sequência da porta de entrada. É um local aonde se deixam os casacos, bolsas, aonde se esquenta do frio de fora ou aonde se tiram as roupas molhadas da chuva. Bem aprontados, então podemos entrar na sala principal da residência aonde o anfitrião nos espera. No Brasil, em geral usamos de uma varanda para isso. Nunca se entra numa casa importante diretamente da rua. Se a Virgem Maria é a Porta do Céu, as Congregações Marianas são a ante-sala para esta Porta que nos levará à Bem-aventurança. Coloquemos o maior número possível de bons cristãos nessa sala.
Santa Maria, Janus Coeli, rogai por nós.

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1- O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961. O cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã (JOC) sugeriu ao Papa João que publicasse uma encíclica para marcar o 70º aniversário da histórica encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII. Em resposta, o Papa João pediu que Cardijn providenciasse um esboço das questões a serem abordadas na encíclica. Ele fez isso em um memorando de 20 páginas apresentado ao pontífice. Quando a Mater et Magistra apareceu pouco mais de um ano depois, a encíclica observava que, "para levar a realizações concretas os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases" (n. 235). Primeiro, o "estudo da situação" concreta, escreveu João XXIII. Em segundo lugar, a "apreciação da mesma à luz desses princípios e diretrizes". Em terceiro, o "exame e determinação do que se pode e deve fazer para aplicar os princípios e as diretrizes à prática". Esses "são os três momentos que habitualmente se exprimem com as palavras seguintes: 'ver, julgar e agir'", continuava a encíclica. Ficou conhecido e popularizado pela Igreja na América Latina, principalmente nos anos 1950 pela Conferência dos Bispos na América Latina e Caribe e entre as pastorais populares. Hoje é o método mais utilizado pela CNBB para os seus trabalhos pastorais.
2- método criado por s. João Bosco (1815-1888), fundador dos Padres Salesianos, para criar grupos de jovens que, através de atividades lúdicas, pudessem ter rudimentos de Doutrina Cristã e aprenderem uma vida honesta.


A fita que não uso




Alexandre Martins, cm.

  porque usar a fita

 Sinais externos são úteis e por vezes necessários em várias ocasiões e ambientes. Na lIturgia Católica o uso de simbolos e sinais são amplamente utilizados e apenas a vestimenta de um sacerdote faz brotar em n[os sentimentos de piedade e devoção. Por exemplo, a túnica branca que é usada pelos presbíteros e diáconos lembra-nos a pureza com que devemos pautar nossa vida para que possamos servir a Deus. As cores do tempo litúrgico indicam as predisposições que devemos ter nesses mesmos tempos: vermelho, o amor; verda, a esperança, roxo, a penitência, branco, a alegria...

As associações de fiéis católicos, dentre as quais consta as Congregações Marianas, possuem sinais externos de pertença e de devoção. As Congregações Marianas do Brasil usam, desde fins do século XIX, uma medalha prateada na ponta de uma fita azul que circunda o pescoço. Vários textos foram escritos sobre uma certa mística que a envolve e sua ostentação sempre foi motivo de júbilo de mesmo de profecias: “a fita azul salvará o Brasil” é a famosa frase do Cardeal Leme, referindo-se que a atitude de apostolado e de busca de santidade dos congregados marianos seria a salvação para um país de desmandos e pouca fé.


razões apresentadas para usar

 não faltam motivos para ser usada frequentemente: serve para propaganda das Congregações Marianas, para servir de referencial na assembléia paroquial, para colocar o congregado como um autêntico devoto, para demonstrar a falta de respeito humano (que tantas vezes é pedido pela Igreja ao fiel cristão), para demonstrar amor à Virgem Maria, à Igreja e também uma santo orgulho de ser um filho dileto da Mãe de Deus.
Se muitos sacerdotes não sabem da existência das Congregações Marianas, deve-se em grande parte da falta de fitas azuis nas Missas.

para não usar

Estranhamente, há alguns que usam de justificativas para o seu não uso nas ocasiões adequadas. Talvez movidos por uma compreensão equivocada do que seja piedade ou mesmo estado de Graça, alegam esses que não usam da fita por não quererem ofender os que não são congregados, por não estarem eles frequentando a Congregação como deveriam, por não quererem aparecer (alegam que a Virgem não apareceu diante do Mundo então eles também devem imitá-la).
Nada mais equivocado! A Mãe de Deus apareceu quando era nacessária sua intervenção: perante os Sacerdotes do Templo para recriminar o jovem sábio que tinha abandonado seus pais; nas Bodas de Caná, para evitar vergonha dos anfitriões, suscitando do seu Filho o início do Ministério antes da hora prevista; no Calvário, apresentando-se como “a mãe do criminoso” e suscetível a ofensas e agressões; etc.
Quem acha que o “segredo de Maria é o silêncio”, não entendeu quem foi a Virgem.
Entre os sacerdotes, há os que creem que seu uso sobre as vestes sacerdotais seria algo de anti-litúrgico ou mesmo profanador. Nada há, na história da Igreja, contra o uso de um sacramental sobre as vestes sacerdotais ou anexo a elas. E a fita azul é justamente isso, um sacramental, assim como o Escapulário do Carmo, com suas indulgências e bênçãos próprias.

exemplos de pessoas e suas práticas exteriores

Um famoso exemplo de como uma prática move corações é o famoso caso1 de Ampére:

Um jovem de dezoito anos chegava em Paris. Ele não era incrédulo, mas sua alma já tinha sido mais ou menos ferida pelo que o Padre Gatry chamava de "crise da fé". Um dia, o rapaz entrou na Igreja de Santo Estevão do Monte (Saint-Etienne du Mont), e percebeu um senhor, que, piedosamente ajoelhado, rezava o terço num canto, junto ao santuário. Aproximando-se do idoso, percebeu que se tratava do senhor Ampère, seu ídolo; Ampère2 representava, para ele, a ciência viva, a sabedoria e a genialidade.
Esta visão o emocionou até o fundo da alma. Ele, então, se ajoelhou, atrás do mestre, cioso de não fazer nenhum ruído. A oração e as lágrimas brotavam do seu coração. Esta foi a vitória plena da fé e do amor a Deus. Após esta experiência, Ozanam3 - era este o seu nome - se comprazia em relatar : "O terço de Ampère fez muito mais por mim do que todos os livros e até mesmo do que todos os sermões."


praticas exteriores incentivadas por santos

São Josemaría Escrivá, famoso por indicar a discrição na piedade, recomenda o uso constante do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo ao pescoço.
Santa Catarina Labouré era a fabricante de um sem-número de “medalhas milagrosas” e incentivava seu uso constante e visível.
São Luís Grignion de Montfort incentivava o uso das “pequenas correntes” pelos que haviam feito a sua Consagração Pessoal à Santíssima Virgem, mesmo visíveis.
Por mais pessoal que fosse uma devoção, muitos santos incentivavam sua propaganda para que outros se sentissem motivados a tê-las. É um erro achar que uma piedade escondida é mais meritória que uma piedade divulgada. Os que usam de argumentos da Sagrada Escritura da “oração em silêncio no quarto” esquecem do mandamento de “vá e anuncie o que viu”.

utilidade hoje

Num mundo aonde o visual impera e que a qualidade na maioria das vezes cede à imagem, usar de uma insígnia de piedade serve, como no caso de Ozanam e Ampére, para reavivar ou mesmo suscitar bons pensamentos e nobres ideais.
Não por acaso, quase a totalidade das chamadas “novas comunidades eclesiais” possuem alguma espécie de cordão ou símbolo que ostentam mesmo em ambientes irreligiosos, como shopping-centers.
Devemos salientar que, no Brasil, o uso da fita azul é algo como que “solene”, isto é, de uso em ocasiões especiais. As celebrações eucarísticas são o momento clássico para o seu uso. Mas em adorações ao Santíssimo Sacramento, na celebração da Liturgia das Horas, e mesmo na recitação do Pequeno Ofício ou do Rosário em conjunto, seu uso é indicado.
Dependendo da utilidade pastoral dos Congregados, ou seja, o avivamento da devoão e pertença a uma associação tão importante quanto a Congregação, o uso da fita azul nas reuniões pode ser feito com bastante proveito.
Em reuniões públicas e solenes, tais como as assembléias, o uso da fita azul é um sinal bonito e edificante.

Conclusão

O uso coerente e consciente da Fita Azul é de muita utilidade para todos – sacerdotes, leigos, congregados – e de uma propaganda que dificilmente poderemos medir.
Seu uso coerente e contínuo indica falta de respeito humano e de orgulho de ser contado entre os filhos prediletos da Santíssima Mãe de Deus.
A própria piedade do Congregado se torna mais sensível e delicada. Sua postura se torna mais digna nas celebrações e atos piedosos.
Se foi criado tal objeto como a medalha e a fita azul, foi por pessoas que, no passado, viram e constataram sua utilidade. Continuemos essa tradição nos séculos que vêm.
Santa Maria, virgem fiel, rogai por nós.



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1- A. Larthe-Ménager, in André-Marie Ampère nos Contemporâneos, T. 4.
2- André-Marie Ampère (1775 - 1836), matemático e físico francês, fundador do eletromagnetismo.
3- Frederico Ozanam, fundador das Conferências Vicentinas

A alma da Congregação


O cristianismo é a religião da "Palavra",
não de um verbo escrito e mudo,
mas do Verbo encarnado e vivo"
(S. Bernardo).


Tem-se visto muito em várias instruções e em palestras de Congregações Marianas que a alma de uma Congregação estaria no “sentir com a Igreja”, no “unir-se como Papa”, em ser “irmão dos demais congregados, etc.
Entretanto a vida de um congregado, sua razão de ser e agir, provém somente de uma simples atitude: a palavra.
Entendemos a palavra de um congregado como sua atitude de juramento, sua Consagração.
Sendo, na hora de seu ingresso na Congregação, o congregado chamado ao altar pelo Secretário, ele, diante do Assistente-Eclesiástico que representa a Hierarquia da Igreja, pronuncia em alta voz a fórmula da Consagração.
Muito importante é considerar isto: ele mesmo se consagra à Virgem Maria.
Não é outro que o faz por ele. Ele próprio, com decisão, com atitude, se prostra voluntariamente perante um ícone da Virgem Maria e formula seu desejo de servir-La e para que “dos demais seja servida e amada”i, isto é, que irá fazer o todo possível para que outros a amem como ele a ama.
A fórmula atualmente em uso no Brasil sugere ainda que o candidato se propõe a venerar os outros congregados que se santificaram na Congregação antes deleii. Outros que,como ele, se propuseram ser fiéis a palavra que deram perante o altar da Virgem Maria.


A atitude dos congregados é imitadora da mesma atitude feita por santo Inácio de Loyola quando colocou sua espada no altar da Virgem e consagrou-se como seu cavaleiro, no estilo que ele entendia como vassalo, o que se dá o nome de “vassalagem marial”.iii
Este sentido de fidelidade, de honra, nos remete aos antigos cavaleiros medievais. Estes, dotados de honra varonil, dispostos a derramar seu sangue por sua Fé, por seu compromisso. Nestes nossos tempos de apreço pelas civilizações orientais e seus costumes, esta honra também nos remete aos guerreiros samurais no Japão feudal e à sua férrea disciplina no código Bushidôiv. Antes a morte do que faltar ao compromisso assumido com quem quer que fosse, quanto mais ao Shogun !v
Como analogia contemporânea podemos comparar o congregado mariano com o antigo guerreiro samurai. Da mesma forma que a vida do samurai se baseava na honra também a vida do congregado também se baseia numa honra. Porém numa honra maior, mais transcedental, baseada no orgulho de pertencer a uma grei santa.
Nos cum prole pia, benedicat Virgo Maria ! – como os da prole santa, bendigamos a Virgem Maria – era a jaculatória muito em voga entre os congregados brasileiros do início do século XX. Significava que se sentiam pertencentes a uma linhagem sagrada – uma prole santa – os filhos de Maria, assim como o próprio Jesus Cristo. Quanta honra de ser irmão do mesmo Mestre e Salvador ! Quanto gosto de ter como mesma Mãe pura Aquela do nosso Redentor !
O samurai feudal arriscava a própria vida pelo código do Bushidô. Muitas vezes praticava o ritual do Sepukkuvi quando acreditava ter falhado com a obediência a esse código, sacrificando sua própria vida que mereceria somente este fim honroso para não permanecer vivo como homem sem honra.
O congregado sabe que sacrificando sua própria vida pela Fé ele a recebe em dobrovii. Sabe que o quanto dedica para os demais, pela Igreja, pelos que dele necessitam, está em acordo com a Doutrina Evangélicaviii.
Na concepção pagã zen-budista do samurai, seu erro merecia a morte. Para o cristão, como o é o congregado, o erro arrependido é coberto pelo único sacrifício capaz de apagar todos os erros: o sacrifício de Cristo na Cruzix. Não precisa o congregado sacrificar sua vida. Cristo já sacrificou a sua por todos.
E para isto Cristo pede fidelidadex. E fiel é o congregado. Fiel à sua palavra dada. Fiel à sua Consagração, filha desta palavra.
Palavra esta dada não aos oficiais da Congregação, não ao sacerdote, nem mesmo à Igreja. Mas uma palavra dada diretamente à Virgem Maria. Àquela mesmaque disse “sim” ao chamado de Deus. Sua Consagração não é um compromisso com a Congregação Mariana como uma instituição, mas à Congregação Mariana como “Escola de Maria”.
Toda a sua vida na Congregação e na Igreja deriva desta palavra, deste compromisso assumido com a Virgem.
Se é fiel aos seus deveres na Congregação, isto reflete seu compromisso com a Virgem. Se é solícito em ajudar os demais congregados é porque o sentido de maternidade de Maria o faz ver nos demais seus irmãos, não somente “irmãos de fita”, mas irmãos de uma mesma Mãe puríssima.
As mulheres sempre tiveram dificuldade de relacionar esta palavra proferida com a atitude do cavaleiro medieval, quanto mais do samurai.
Embora as mulheres fossem oficialmente aceitas nas Congregações Marianas a partir de 1745, o sentido de vassalagem sempre perdurou, por vezes substituído por um sentido de ser uma “filha de Maria “.xi
Mas, comparativamente, não são as mulheres fiéis ao compromisso com suas mães terrenas ? Como deixarão de o ser mais fiéis ainda com a sua Mãe celeste?
Não se vê freqüentemente a jovem preocupada com chegar em casa fora do horário acertado com sua mãe e quanto isto a angustia? Não é a mulher sempre a mais fiel e a que mais se lembra no que disse no altar no seu casamento? Como pode a mesma jovem descumprir o que prometeu com sua Mãe Celeste ? Como pode a mulher esquecer o que prometeu naquele altar perante sua Senhora?
Vários são os congregados que permanecem fiéis à Igreja mesmo não participando mais de uma Congregação. Sua palavra dada á Virgem Maria os fez vislumbrar o quão santa é esta atitude de unidade eclesial. Mesmo não freqüentando uma Congregação Mariana por motivos válidos ainda assim entenderam que são filhos desta Mãe bendita que tem neles seus servos. A vivência desta palavra os fez amadurecer na Fé.
Isto é o essencial na vida do congregado mariano: a vivência de seu juramento.
Com esta vivência, tudo se completa.
Sem esta vivência, são apenas “palavras ao vento”.


___________________________________________
i - Ato de Consagração Perpétua do Congregado Mariano atribuído a s. Francisco de Sales, in "Manual-Devocionário do Cogregado Mariano, ed. Loyola, São Paulo, SP, 1981, pág. 106
ii - ibid.
iii - O primeiro pensamento do novo soldado de Cristo foi o de ir para a Terra Santa e viver em oração, penitência e contemplação nos lugares em que se operou nossa Redenção. Em Montserrat, fez uma confissão geral de sua vida e depôs a espada no altar da Virgem. Viveu depois algum tempo em Manresa, onde recebeu grandes favores místicos e escreveu seus famosos "Exercícios Espirituais". (conf. Saint Ignace de Loyola, Autobiographie, Éditions du Seuil, 1962, p. 43. Esta autobiografia foi relatada ao Pe. Luís Gonçalves da Câmara pelo próprio Santo.)
iv - código de ética do guerreiro samurai
v - governador feudal
vi - ritual de suicídio segundo a tradição samurai no século XII, chamado vulgarmente de “harakiri”
vii - Mt
viii - Mt
ix - CIC
x - Mt
xi - breve “Quo Tibi”

Maria e os Guaranis


Alexandre Martins, cm (org)


O Paraguai é a terra dos Guaranis onde os Jesuítas fundaram a “República dos Santos” no século XVII.
Durante 150 anos que estiveram os Jesuítas presentes, os índios viveram na dignidade cristã, trabalhando 30 horas semanais, segundo uma organização comunitária e igualitária impensável para a época. Suas inúmeras comemorações festivas davam lugar ao culto sagrado, à música e ao esporte.
Esse cristianismo nascera sob a insígnia de Maria, pois a primeira fundação se referia a “Loretto”, isto é, à santa casa de Nazaré da Galiléia, aonde a tradição afirma que viveu a Sagrada Família.
O dia em uma Missão guarani se iniciava com a oração do Ângelus e findava com a do Rosário. As Congregações Marianas (à época, chamadas Congregação do Rosário e Congregação do Escapulário) se reuniam aos Domingos, após o meio-dia. Nos dias de festa, organizavam-se procissões pelas ruas embelezadas com flores e plumas multicores de pássaros, e seguiam até a igreja, guarnecida de ouro e perfumada com incenso.
Em 1767, os jesuítas foram expulsos de toda a América Latina por conta das maquinações políticas da época. Alguns reis europeus não gostavam da independência que os indígenas tinham nas Américas e visavam o domínio e a ganância dessas terras. Pressionado por calúnias, pela bula Dominus ac Redemptor (21 de julho de 1773), o Papa Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus.
Todos os sacerdotes deixaram as Missões. Uma parte dos Guaranis foi escravizada e parte dispersou-se pela floresta, mas levava consigo as imagens de Jesus e de Maria, companheiros do exílio e da agonia.
Os Guaranis somam 65% da população atual do Paraguai, que soube guardar a espiritualidade mariana.

Oração à Virgem das Missões

Ave Maria! Teu servidor te saúda em nome dos anjos e patriarcas, dos profetas, dos mártires, dos confessores, das virgens e dos castos; e eu te saúdo por todos os Santos gloriosos!
Ave Maria! Trago-te as saudações de todos cristãos, justos e pecadores. Os justos te saúdam porque és digna de ser saudada e porque és, para eles, a esperança de vida eterna; os pecadores, porque pedem o teu perdão e vivem na esperança de que teus olhos misericordiosos se voltarão para teu Filho, para pedir-Lhe que tenha piedade e misericórdia, ao lembrar-se da dolorosa Paixão que sofreu para a salvação dos homens e o perdão de seus pecados e culpas.
Ave Maria! Trago-te as saudações dos Sarracenos, Judeus, Gregos, Mongóis, Tártaros, Búlgaros, dos húngaros da Humgria menor, dos Nestorianos, Russos, Georgianos. Eles te saúdam por mim, pois deles sou o procurador. Na saudação que estou a dirigir-te, cedo-lhes um lugar para que teu Filho se disponha a lembrar-se deles, e para que tu possas obter d´Ele o envio de mensageiros que os encaminhem ao conhecimento e ao amor dedicado a ti e a teu Filho. De tal forma que eles possam obter a salvação e que, neste mundo, saibam e queiram vos servir, saibam vos honrar, com todo ânimo, vontade e poder, a ti e a teu Filho.1



O fascinante rosto de Nossa Senhora de Itati, na Argentina



Em 1615, dois missionários espanhóis, Irmão Alonso de Buenaventura e Irmão Luis de Bolanos, chegaram em Itati, pequena aldeia às margens do rio Paraná, onde fundaram uma Missão. 
 
Levavam consigo uma estátua da Virgem Santa e para ela construíram pequeno oratório, montado com seixos do rio.
Porém, alguns dias depois, o oratório foi saqueado pelos índios e a efígie de Maria desapareceu. Dias mais tarde, duas crianças Guaranis, quando, numa piroga, desciam o rio Paraná, perceberam a estátua, entre as águas, sobre uma pedra do rio. Ela se apresentava bem mais bela do que antes, cingida por radiante luz. Avisaram aos sacerdotes da Missão; toda a aldeia veio, em procissão, acolher a Virgem, milagrosamente reencontrada.
Um santuário verdadeiro foi erigido para Nossa Senhora de Itati e, pouco tempo depois, aconteceu um prodígio, que se repetiu inúmeras vezes, envolvendo a efígie de Nossa Senhora: eram transformações em seu rosto. A primeira ocorreu no Sábado Santo, em 1624.
Padre Gamarra, que oficiava naquele dia, dera o seu testemunho: o rosto da Virgem recebera um esplendor jamais visto até aquele dia, enquanto o Sacerdote entoava a antífona do "Regina Coeli". O Padre chamou os indígenas da aldeia e todos sentiram o mesmo encantamento: esta manifestação se estendeu até a primeira quinta-feira após a Páscoa, ocasião em que a face da imagem retomou o seu estado habitual. As transformações fascinantes do rosto da Virgem de Itati foram presenciadas por, pelo menos, sessenta pessoas, sendo confirmadas por testemunhos e consignadas nos Anais do Santuário.
A Virgem de Itati foi coroada no dia 16 de julho de 1900, por graça obtida do Papa Leão XIII. Em 1910, Nossa Senhora de Itati foi aclamada como a Santa Padroeira da nova diocese criada, a Diocese de Corrientes. Atualmente, um magnífico santuário se ergue em Itati, nesta pobre região, para onde afluem numerosos peregrinos, muitos chegando de longe, a pé, alguns muito pobres, igualmente, mas ligados de forma filial e singela à Mãezinha do Céu. A festa de Nossa Senhora de Itati é celebrada no dia 9 de julho.

Os guaranis são um povo que soube manter a Fé católica pois estavam sempre firmados na sua fé na Mãe do Redentor.

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1- Raymond Lulle, Le Livre d´Ave Maria (O livro da Ave-Maria) Extraído em Marie, julho-agosto de 1953

Regras fundamentais das honras conferidas a Maria



Alexandre Martins, cm.


Jacques Benigne Bossuet nasceu em uma família de magistrados em 1627, em Dijon, França.
Recebeu educação num colégio jesuíta, aonde ingressou nas Congregações Marianas.
Destinado à vida religiosa, recebeu tonsura aos 10 anos, conforme costume da época. Aos quinze foi para Paris estudar teologia no College de Navarre, onde presenciou os motins da Fronde (um levante de amotinados contra o absolutismo real). Em 1652 foi ordenado presbítero e recebeu seu doutorado em Teologia. Seu pai obteve-lhe a indicação para cônego na Mogúncia (Metz) onde ficou popular como orador em controvérsia com os protestantes. Dividiu o tempo entre Metz e Paris até 1659 e a partir de 1660 raramente deixava a capital. Lá, pregou os sermões da Quaresma em dois famosos conventos, dos franciscanos mínimos e dos carmelitas, e em 1662 foi chamado a pregar para o rei Luís XIV.
Ficaram famosas suas orações fúnebres, principalmente nos funerais de Henrietta Maria de France, rainha da Inglaterra e de sua filha Henrietta Anne da Inglaterra, cunhada de Louis XIV; da princesa Anne de Gonzague, do chanceler Michel Le Tellier, e o do grande Condé .
Foi designado bispo de Condom (1669), no sudoeste da França, mas, escolhido para tutor do Delfim - o filho mais velho do rei - renunciou ao bispado e ingressou à Corte, onde teve a oportunidade de aperfeiçoar seus conhecimentos e integrar-se na política. Eleito para a Academia Francesa, foi também nomeado Conselheiro do Rei. Foi designado bispo de Meaux em 1681, deixando a Corte. Manteve amizade com o Delfim e o Rei. Foi um bispo dedicado, pregando e ocupando-se de organizações de caridade, poucas vezes deixando sua diocese. Promoveu uma assembleia geral do Clero francês em 1681, cujo documento final redigiu e na qual ficou definido que o papa era autoridade em matéria religiosa somente.
Se envolveu também em outras questões como o Jansenismo1 e o Quietismo2, esta pregada pelo arcebispo de Cambrai, Francois Fenelon, condenada por Roma em 1699. Contra Fenelon escreveu Instruction sur les etats d'oraison (1697) e Relation sur le quietisme (1698). Também atacou violentamente o teatro francês como “imoral” no seu Maximes et reflexions sur la comedie (1694).
Seu livro “Política tirada das Santas Escrituras” (1708) valeu-lhe a reputação de “teórico do Absolutismo”3 . Nessa obra ele desenvolve a doutrina do Direito Divino segundo a qual qualquer governo formado legalmente expressa a vontade de Deus é sagrado, e qualquer rebelião contra ele é criminosa. Em contrapartida, o Soberano deve governar seus súditos como um pai, à imagem de Deus, sem se deixar afetar pelo poder. Escreveu também “Exposição da Fé Católica”, “História das Variações das Igrejas Protestantes” e “Discurso sobre a História universal”.
Bossuet faleceu em Paris em 12 de abril de 1704. É famosa sua frase:
A Igreja (é uma) cidade edificada para os pobres; é a cidade dos pobres. Os ricos (são) somente tolerados...”

Os extratos a seguir são parte de sua obra La dévotion à la Sainte Vierge (A devoção à Virgem Santíssima):
A regra fundamental das honras que conferimos à Virgem Santíssima e aos espíritos bem-aventurados, é que devemos atribuí-las, inteiramente a Deus e à nossa salvação eterna. Pois, se ela não fosse atribuída a Deus, seria, então, um ato puramente humano, e não um ato religioso; e nós sabemos que os santos, vivendo plenos de Deus e de Sua eterna glória, não recebem cumprimentos puramente humanos.
Assim, toda a nossa devoção à Santíssima Virgem é inútil e supersticiosa, se ela não nos conduzir a Deus, para que possamos possuí-Lo para sempre e usufruir a Herança celeste.
Nós adoramos um só Deus, todo-poderoso, criador e dispensador de todas as coisas, em nome do qual fomos consagrados pelo santo Batismo...
Nós veneramos os santos e a bem-aventurada Virgem Maria, não por meio de um culto de servidão e de sujeição; pois somos submissos somente a Deus, nas regras da religião. "Nós honramos os santos - diz Santo Ambrósio - com veneração de caridade e de sociedade fraternas."
E reverenciamos, neles, os milagres saídos das mãos do Altíssimo, a comunicação de sua graça, a efusão de sua glória, e a santa e gloriosa dependência pela qual os santos permanecem eternamente sujeitos a este primeiro Ser, a quem levaremos todo o nosso culto, como único princípio de todo o nosso bem, e fim único de todos os nossos desejos.
Não sejamos como aqueles que pretendem diminuir a glória de Deus e de Jesus Cristo, quando dedicam altos sentimentos à Virgem Santíssima e aos santos.
Mas eis uma outra regra do Cristianismo, que peço, graveis em vossa memória. O cristão deve imitar todo o seu objeto de veneração: tudo o que é objeto de nosso culto, deve ser modelo para a nossa vida.
Quando celebramos os santos, será que é para aumentar a sua glória? Eles já estão plenos, realizados e felizes; o fato de os celebrarmos nos incita a seguir o seu exemplo. Assim, em proporção ao respeito que temos por eles, e isto, por amor a Deus, nós nos engajamos a imitá-los.
Este é o desígnio da Igreja, nas festas celebradas em honra aos santos, intenção declarada, por meio desta bela oração: "Ó Senhora, dai-nos a graça de imitar aqueles que veneramos..." Eis, então, a tradição e a doutrina constante da Igreja católica, que considera que a parte mais essencial do mérito dos santos é a de saber aproveitar seus bons exemplos.
Se não tentarmos nos adaptar à paciência dos mártires, nós os celebraremos em vão. É necessário que sejamos penitentes e mortificados como os santos confessores, quando celebramos a solenidade dos santos confessores; é necessário que sejamos humildes, pudicos e modestos como as virgens, quando veneramos as virgens, mas principalmente quando veneramos a Virgem das virgens.
Ó filhos de Deus, vós que desejais, em toda felicidade, ser adotados pela Mãe do nosso Salvador, sede fiéis imitadores dela, se quereis estar entre os seus devotos.
Recitai, diariamente, o admirável cântico da Virgem Santíssima, que se inicia com estes termos: "Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador." Ao recitarmos este cântico, estaremos copiando a sua piedade - diz, de forma primorosa, Santo Ambrósio: "Que a alma de Maria esteja em todos nós para glorificarmos o Senhor; que o espírito de Maria esteja em todos nós, para nossa alegria e regozijo em Deus."
Nós admiramos, a cada dia, a sua pureza virginal que a tornou tão maravilhosamente fecunda, que ela concebeu o Verbo de Deus em suas entranhas. "Sabei, diz o mesmo Pai, que toda alma casta e pudica que conserva sua pureza e inocência, concebe a Sabedoria eterna em si, e que está plena de Deus e de sua Graça, assim como Maria." 

 

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1 - heresia que surgiu na França e Bélgica, no século XVII e se desenvolveu no século XVIII. Tem esse nome porque seguia as ideias do Bispo Jansênio. Para o Jansenismo, os homens já nasciam predestinados ao céu ou ao inferno, nada podendo mudar esse destino. Deus então era cruel e injusto, pois que já criava alguns para irem ao inferno. Para o jansenismo, no fundo, o homem não teria livre arbítrio, não teria liberdade: estava destinado a fazer o que lhe acontecia na vida.
2 - heresia do século XVII, criada pelo padre espanhol Miguel de Molinos. Segundo ela, se alcança Deus através da oração contemplativa e da passividade da alma. Assim ficaria reduzida toda responsabilidade moral. Foi condenada pelo Papa Inocêncio XI.
3 - teoria política em que uma pessoa ( um monarca) deve obter um poder absoluto, independente de outro órgão - judicial, legislativo, religioso ou eleitoral. 
 

A Virgem Maria segundo o Islamismo

Alexandre Martins, cm.





O Alcorão1 não é muito explícito sobre a Virgem Mãe de Deus. Entretanto, a tradição muçulmana proclama, com unanimidade, o extraordinário privilégio de Maria e de seu Filho: o fato de ambos terem sido preservados de qualquer contato com Satanás no momento do nascimento.
A versão mais divulgada deste célebre hadîth2:
Todos os filhos recém-nascidos de Adão são tocados por Satã, menos o Filho de Maria e sua Mãe; quando acontece tal contato, a criança dá o seu primeiro grito”.

Maria, mãe de Jesus, é assim referenciada no Corão (Sura 3:42):
Recorda-te de quando os anjos disseram "Ó Maria, é certo que Allah te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade!
Allah manifesta Sua suprema vontade através de infinitas e magníficas formas. Através do milagre da vida, da sofisticação da consciência, da imensidão do espaço, da incomensurabilidade do tempo,...
Dentre as majestosas expressões de Seus atos, Allah criou Adão (as) por Sua vontade, sem pai nem mãe, criou Eva a partir de Adão (as), porém sem mãe e criou Jesus (as) a partir de Maria (as), porém sem pai. Quando Allah deseja criar, Ele manifesta o comando "Seja" e aquilo que é comandado aparece de imediato.

Todos os comentários reproduzem este primeiro hadîth, que está entre as mais sólidas tradições do Islã, visto que está incluído nas duas antologias que usufruem de autoridade máxima: a de Boukhari e a de Mouslime.
Sempre que esse privilégio de Jesus e de Maria recebeu ataques de pensadores muçulmanos sobre a sua existência ou sobre o seu significado, os representantes da ortodoxia islâmica o defenderam vigorosamente.
Referindo-se a Maria, o sentido que os pensadores muçulmanos dão ao privilégio recebido por ela, apenas se referem que “Maria foi preservada de qualquer mácula”:3 diz o Corão:
E (Deus propõe o exemplo para aqueles que creem) de Maria, a filha de Heli, que guardou sua castidade; então sopramos nela Nosso Espírito (ou seja, Gabriel), e ela acreditou nas palavras de seu Senhor e Seus Livros e foi devotadamente obediente.” (66:12)

Al-Alousi resume o ensinamento habitual. Ou seja:
  • Deus purificou Maria de todas as máculas comuns às mulheres (períodos como a menstruação, a sequência do parto etc.); “Maria, filha de Imran, que preservou sua castidade, e nela infundimos nosso Espírito e ela confirmou a verdade das palavras de seu Senhor e de Suas Revelações e se contou entre os servos virtuosos.”4
  • purificou-a, da incredulidade, dando-lhe fé inabalável,
  • preservou-a da indocilidade, concedendo-lhe a virtude inalterável da obediência;
  • livrou-a dos defeitos inerentes à alma e ao caráter dos seres humanos.

E mais - conclui Al-Alousi - o mais correto é tomar a palavra “purificação” no sentido mais vasto e admitir que Deus concedeu a Maria o privilégio de ser pura e isenta de todas as máculas, no sentido próprio e no sentido figurado, as manchas do coração, dos sentimentos e as da carne; deste modo, ela esteve pronta para receber a completa “profusão do Espírito” .
O minimalismo do sobrenatural sobre Maria é compensado pelo esplendor do que é maravilhoso e arrebatador, sob uma forma concreta e, igualmente, extraordinária e cândida. Assim, para Maria, por vontade expressa de Alah (Deus na concepção islâmica), uma espécie de cortina houve entre ela e Satanás no momento do seu nascimento:
Hannah chamou a sua filha de Maria (Mariam, em árabe) e invocou a Deus que a protegesse e à sua criança de Satanás: “E eu a chamei de Maria (Mariam), e a entrego e à sua descendência à Tua proteção, contra o maldito Satanás.” (Sura 3:36) 

 


O Corão apresenta apenas três traços, ligeiramente delineados, sobre esses períodos da vida de Maria: infância e juventude.
Como resposta ao voto e à oração da esposa de Imrâne, Maria foi agraciada por Deus e a escolhida de Deus: “E seu Senhor a acolheu, dando-lhe agradável abrigo e a fez florescer e crescer de forma afável...” (Corão 3/34). O Corão declara que foi Zacarias quem se ocupou dela. (3/37). Enfim, “cada vez que Zacarias entrava no santuário onde Maria se encontrava, descobria nela um manancial de recursos”; e lhe diz: ‘de onde lhe vem isso?’ - E ela responde: ‘Isso me vem de Deus, que provê com fartura o que é necessário ao seu escolhido” (3/36). Unindo-se ao zelo de Zacarias por Maria, existe um outra mensagem do Corão: “E tu não estavas no meio deles quando tiravam a sorte para saber quem cuidaria de Maria?” (3/39) Os relatos reunidos pelos comentaristas sobre esses textos do Corão dividem-se em vários sentidos.
Maria teria sido levada ao Templo logo após o nascimento. Zacarias, seu tio, passou a cuidar dela. Ele foi designado por sorteio; visto que, os outros o contestaram, inicialmente pelo direito que Zacarias requeria, em nome do parentesco com a criança... Zacarias manteve a pequena menina encerrada no santuário - ou em sua casa, ou ainda num oratório pessoal munido de sete portas. Maria não precisou contar com uma ama de leite como as outras crianças, pois ela viveu de alimentos celestes. que deixava Zacarias deveras maravilhado. Conforme o exposto, Maria teve, por privilégio, o uso da razão e da palavra desde a mais tenra idade.
Verificando outros conceitos, encontra-se um relato que supõe que a mãe de Maria tivesse morrido logo após o nascimento da filha. O tio da criança, Zacarias, passou a cuidar dela sem qualquer contestação e sem recorrer a recursos ou sorteio. A criancinha cresceu com o tio. Quando mocinha, foi admitida para “servir” no Templo. Nesta época, viu-se beneficiada pelos prodígios que provocaram a admiração de Zacarias.
O recurso à sorte só aconteceu bem mais tarde, após um tempo de penúria, durante o qual Zacarias, já muito idoso, não tinha mais forças para vencer as dificuldades materiais e assegurar o necessário para a subsistência de Maria. Era imprescindível encontrar alguém que a amparasse. O acaso designou um carpinteiro chamado Jourayj. Um texto antigo declara que Jourayj era um monge (râhib) e igualmente carpinteiro - velha indicação que insinua a pureza dos costumes do novo tutor de Maria e que ninguém foi capaz de notar.
Jourayj exercia sua profissão e provia as necessidades de Maria, abastecendo a casa do pouco que ele conseguia encontrar naqueles tempos difíceis; porém, o pouco que trazia, era milagrosamente aumentado e melhorado, para grande espanto de Zacarias. O prodígio dos alimentos celestes ─ os tais “proventos” que o Corão registra claramente e que, consequentemente, toda a tradição muçulmana proclama com fervor ─ consistia, seja em frutos do Paraíso; seja no fato de que, na casa onde habitava Maria, o tio encontrava os frutos do verão durante o inverno e vice-versa; seja, na multiplicação e na melhoria ou aprimoramento da magra e parca alimentação que o tutor de Maria lhe trazia nos tempos de penúria e escassez.
Não se sabe, de forma precisa, se esse prodígio aconteceu quando Maria era criança ou quando já era moça. Para a maior parte dos exegetas, entretanto, a segunda hipótese parece a mais provável, visto que a resposta de Maria à pergunta de Zacarias “isso vem do Senhor; o Senhor supre com fartura a necessidade do seu escolhido”(3/36), avivara a fé de Zacarias e reanimara nele a esperança de, um dia, receber a graça milagrosa de vir a ter um filho; admite-se que João Batista fosse três meses mais velho que Jesus Cristo.
O Corão5 a anunciação a Maria é assim relatada:
E quando os anjos disseram: Ó Maria, verdadeiramente Allah te anuncia o Seu Verbo, seu nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, honrado neste mundo e no outro, e estará entre os próximos a Allah..Falará aos homens no berço e na maturidade, e estará entre os virtuosos. Ela perguntou: Ó meu Senhor, como poderei ter um filho se nenhum homem jamais me tocou? Ele disse: Assim será, Allah cria o que deseja. Quando decreta algo, Ele apenas diz: "Seja!" e é. Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e eu não perdi a castidade? Ele disse: Assim será, pois teu Senhor disse: Isto é fácil para Mim, e desejamos fazê-lo um sinal para os homens e uma Misericórdia: Este é um assunto assim decretado.

Alguns estudiosos islâmicos entendem tal nobreza na Virgem Maria que consideram sua alma de natureza profética, uma vez que, em diversas passagens do Corão, há indicações de que o Anjo Gabriel lhe dirigiu a palavra. Isto seria prova suficiente de seu caráter profético, uma vez que o Anjo Gabriel só desce para manifestar-se a profetas.
Dentre as religiões reveladas, os muçulmanos consideram o cristianismo a mais próxima, uma vez que, tal como os cristãos, honram e amamos Jesus e sua abençoada mãe, a Virgem Maria:
E lembra-lhes, Muhammad, de quando os anjos disseram, ‘Ó Maria! Por certo Deus te escolheu e te purificou, e te escolheu sobre todas as outras mulheres dos mundos. Ó Maria! Sê devota a teu Senhor e prostra-te e curva-te com os que se curvam (em oração).” (Sura 3:42-43)



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1- Alcorão ou Corão (em árabe قُرْآن, transl. al-qur’ān, "a recitação") é o livro sagrado do Islã. Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad). A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado. Há duas variantes para o nome do livro usadas comumente: "Corão" e "Alcorão".
2- (árabe) transmissão oral da notícia de um ditado, de um ato, de um fato.
3- J-M. Abd-El-Jadil,in “Maria e o Islã, p. 17, Ed. Beauchesne, 1950
4- Sura 66:12
5- Sura 3:45-48 e Sura 3:45-48


Pedro Jorge Frassati - O Santo Congregado alpinista


Alexandre Martins, cm.




 

Dos vários santos e beatos que as Congregações Marianas deram à Igreja, um que mais se aproxima do jovem atual talvez seja o jovem Pedro Frassati.
Esse jovem italiano típico da primeira metade do século XX ainda é atual para o jovem do século XXI: era descontraído, atlético, piedoso e sincero.
Pedro Jorge Frassati nasceu em Turim na Itália em 6 de Abril de 1901. Fé e caridade, as verdadeiras forças motivadoras de sua existência, o tornaram ativo e diligente nas redondezas onde ele viveu, em sua família e escola, na universidade e na sociedade; elas o transformaram em um jovem alegre e apóstolo entusiasta de Cristo, um seguidor apaixonado de sua mensagem e caridade.
Era filho do bem-sucedido empresário Alfredo Frassati, fundador do jornal “La Stampa”, ainda existente em Turim. Alfredo trabalhou de seu modo até atingir o sucesso, numa época de guerras e dificuldades. Alfredo também era embaixador da Alemanha e tinha grande influência política. Não era um homem muito religioso, e o resultado do seu sucesso conquistou uma boa posição na sociedade.
Em 1902 nasceu Luciana, a única irmã de “Dodo” (apelido familiar de Pedro) e desde a infância eram muito bons amigos. Quando começou a escola, veio parecer que ele, ao contrário da irmã, tinha algumas dificuldades em redação. O curioso é que muitas das suas mensagens vieram a nós em cartas escritas por aqueles que viviam com ele. Quando reprovou um ano, foi mandado para uma escola particular dirigida por padres jesuítas, onde ele pôde completar dois anos escolares em um.
Lá, ingressou na Congregação Mariana do colégio, em um momento de grande alegria para ele. “Era o mais bem-vestido e mais alegre de todos” disse um sacerdote na ocasião “afirmava que estar bem-vestido era uma homenagem à Virgem Maria em momento tão digno”. O aprendizado na Congregação o sustentou para todas suas atividades, tanto sociais quanto espirituais.
Mesmo os estudos não sendo fáceis para ele, decidiu ir para a universidade para estudar Engenharia de Minas, para poder ajudar os mineiros que precisavam de cuidados com suas saúdes, que tinham longas e duras jornadas de trabalho, geralmente mal remunerada, sendo mais uma oportunidade de ajudar os que precisavam de mais ajuda que outros. Isto, é claro, foi uma fonte de desgosto para seu pai, que via e esperava de seu único filho ser seu sucessor na direção do jornal. Com lágrima nos olhos, mas determinado, Pedro Frassati decidiu sacrificar seus planos pessoais para satisfazer seu pai.
O segredo de seu zelo apostólico e sua devoção deve ser buscado na jornada espiritual e ascética em que ele viajava; em oração, em adoração perseverante, mesmo à noite, diante do Santíssimo Sacramento, em sua sede pela Palavra de Deus, buscada em textos bíblicos; na aceitação pacífica das dificuldades da vida e da vida familiar; na castidade vivida como uma disciplina alegre e inflexível; em seu amor diário ao silêncio e no quotidiano da vida.
Certamente, olhando de forma superficial, o estilo de vida de Frassati, estilo de um jovem moderno e cheio de vida, não nos apresenta nada fora do ordinário. Esta, entretanto, é a originalidade de sua virtude que nos convida a refletir a respeito e nos motiva a imitá-lo.
Nele, a fé e os acontecimentos diários são harmoniosamente fundidos, fazendo com que a aderência ao Evangelho seja traduzida em amor e cuidados com os pobres e necessitados num crescer contínuo, até nos últimos dias da doença que o levou à morte, tal como um seu predecessor, o jovem Luiz de Gonzaga, um Congregado como ele, também jovem (faleceu aos 21 anos) e que infectou-se de tifo durante sua caridade com os doentes. 
 

Seu amor pela beleza e as artes, sua paixão por esportes e montanhas, sua atenção aos problemas da sociedade não inibiram seu relacionamento constante com o Absoluto. Não por menos o beato João Paulo II se apressou a beatificá-lo, pois o Papa também Congregado mariano era um desportista e montanhista como Pedro Frassati. Na região dos alpes italianos, Jorge Frassati veio a se apaixonar pela grandeza das montanhas que o rodeava, e encontrou grande prazer em fazer longas caminhadas e em escalar os altos picos, e nesta atividade, ele encontrou o domínio de si mesmo que é necessário para a verdadeira caridade. Sendo amigo por natureza, ele freqüentemente trazia em suas longas excursões muitos amigos, tanto homens quando mulheres, e fundou um grupo que era chamado satiricamente de “Os Sinistros” (“I Tipi Loschi”).
Ele cumpriu sua vocação como leigo cristão em muito envolvimento político e associativo numa sociedade em crescimento, uma sociedade que era indiferente e às vezes até mesmo hostil à Igreja. Enquanto crescia com o tempo e a desordem política que ascendeu na Europa se transformou na Primeira Guerra Mundial, o interesse de Pedro Frassati pelas questões políticas de sua nação cresceu fortemente. Ele registrou-se no PPP (Partido Popolare Italiano – Partido do Povo Italiano) em oposição à visão política de seu pai. Entretanto, seguindo a campanha de Alfredo Frassati, opôs-se ao envolvimento da Itália no conflito armado. Ele não admitia ser um simples observador: muitas fotos o mostram envolvido em reuniões e marchas políticas. Ele defenderia suas opiniões mas principalmente os direitos de todas as pessoas. Quando alguns fascistas dos “Camisas Pretas”1 tentaram apedrejar a casa de seus pais, ele a defendeu com seus próprios punhos e expulsou os intrusos. Quando o presidente estadunidense Wilson propôs a idéia da Liga das Nações, ele foi até a praça com uma bandeira, gritando “Viva, Wilson!”.
Neste espírito, Pedro Jorge obteve sucesso dando novos impulsos a vários movimentos Católicos, aos quais ele se uniu entusiasticamente, mas especialmente à Ação Católica, bem como à Federação de Estudantes Universitários Católicos Italianos, no qual ele encontrou o verdadeiro ginásio de seu treinamento Cristão e os campos corretos de seu apostolado.
A Ação Católica, criada pelo Papa Pio XI, foi a gênese de todas as Pastorais existentes na Igreja atual. Ainda existe na Europa e, no Brasil, o Clero a transformou em um sem-número de iniciativas particulares com nomes variados. Seu mote sempre foi a transformação cristã da Sociedade. O mesmo que as Congregações Marianas, mas sem o compromisso particular destas.
Na Ação Católica ele alegre e orgulhosamente viveu sua vocação Cristã e se esforçou para amar Jesus e vê-Lo em seus irmãos e irmãs que ele encontrava em seu caminho, ou naqueles que ele buscava em seus lares de sofrimento, marginalização e isolamento, para ajudá-los a sentir o calor de sua solidariedade humana e o conforto sobrenatural da fé em Cristo. Sua aptidão natural para liderança, seu entusiasmo e sua sincera preocupação com seus companheiros foram um exemplo e um caminho que eles deveriam seguir e alguns de seus amigos também o ajudaram nos trabalhos de caridade que ele conduziu, sem fanfarra e sempre espontâneo, por ter visto no sofrimento a imagem de Jesus Cristo. É sabido que numa ocasião, no frio do inverno, ele deu seu único casaco a um homem que não tinha um. Ele economizava todo o dinheiro que tinha e, mesmo que tivesse que andar muito, ia à alguma favela de sua cidade, e dava o que ele tinha para aqueles que estavam em maiores necessidades. Tudo isto era feito com seu bom humor natural, porque Pedro nunca entendeu caridade como uma obrigação, mas sempre como uma escolha pura e espontânea feita pelo amor a Deus.
Pedro não pode continuar para dirigir o jornal de seu pai, pois repentinamente ficou muito doente e morreu de poliomielite em aos 4 de julho de 1925, em dor profunda, mas sem se queixar. Uma vida que foi extraordinariamente completa com frutos espirituais, partindo para sua “pátria verdadeira e cantando louvores à Deus”.
Foi apenas após sua morte que seus pais compreenderam a coragem e a generosidade de seu filho, pois o nome de Pedro Jorge Frassati atravessou rapidamente através das comunidades pobres e milhares de pessoas se reuniram no seu funeral para dar seu último adeus para este simples homem que sempre deu uma mão a elas quando mais precisaram e, acima de tudo, as deu também, esperança.
Em 1990, milhares de jovens de todas as partes do mundo se reuniram na Praça de São Pedro para ver a cerimônia de beatificação deste homem exemplar, o qual foi chamado de Homem das Bem-Aventuranças pelo papa João Paulo II:
Ele deixou este mundo muito jovem, mas fez uma marca em todo o nosso século, e não apenas em nosso século. Ele deixou este mundo, mas no poder da Páscoa de seu Batismo, ele pode dizer a todos, especialmente às gerações jovens de hoje e amanhã: ‘Você me verá, porque eu vivo e você viverá’ (Jo14,19).Estas palavras foram ditas por Jesus Cristo quando ele deixou seus Apóstolos antes de passar por sua Paixão. Gosto de pensar nelas como se estivessem se formando nos lábios de nosso próprio novo Abençoado como um convite persuasivo para viver de Cristo e em Cristo. Este convite ainda é válido, é válido hoje também, especialmente para os jovens de hoje, válido para todos. É um convite válido que Pedro Jorge Frassati nos deixou.2



Oração ao Beato Pedro Jorge Frassati – I


Ó Pai, Tu deste ao jovem Pedro Jorge Frassati a jóia de encontrar Cristo e de viver a sua Fé com coerência ao serviço dos pobres e doentes. Pela sua intercessão, concede-nos também a nós sermos como ele puros, santos e de beatitude evangélica e imitar a sua generosidade para difundir na sociedade o Espírito do Evangelho. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Oração ao Beato Pedro Jorge Frassati - II

Ó Deus misericordioso, que entre as insídias do mundo, com a vossa graça, vos dignastes conservar o Beato Pedro Jorge Frassati, puro de coração e ardente em caridade, ouvi, nós vos suplicamos, as nossas preces e, se estiver nos vossos desígnios, que ele seja glorificado pela igreja, mostrai a vossa vontade concedendo-nos a graça que vos pedimos ( ... ) por sua intercessão, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, Amém !



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1- A Milícia Voluntária para a Segurança Nacional foi um grupo paramilitar da Itália fascista que posteriormente foi uma organização militar. Devido a cor de seu uniforme, seus membros ficaram conhecidos como camisas negras (em italiano: Camicie nere). Sua atividade está enquadrada a partir do período entre-guerras até o fim da Segunda Guerra Mundial. Os camisas negras foram organizados por Benito Mussolini como uma violenta ferramenta militar do seu movimento político. Os fundadores foram intelectuais nacionalistas, ex-oficiais militares, membros especiais dos Arditi e jovens latifundiários que se opunham aos sindicatos de trabalhadores e camponeses do meio rural. Seus métodos tornaram-se cada vez mais violentos a medida que o poder de Mussolini aumentava e usaram da violência, intimidação e assassinatos contra opositores políticos e sociais. Entre seus componentes, muito heterogêneo, incluíam os criminosos e oportunistas em busca da fortuna fácil.

2- homilia do Papa João Paulo II na ocasião da Beatificação de Pedro Jorge Frassati.