Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Pesquisar este blog

Reuniões fajutas

Osasco, SP - Dia Nacional do CM / 2016 


 

 
Alexandre Martins, cm.

Há grupos de leigos católicos que são formados com todo o tipo de gente e sem nenhum critério de seleção. Suas reuniões são feitas ajuntando cadeiras numa sala com qualquer quantidade de gente. Isso não é o tradicional nas Congregações Marianas e nem sua forma de agir. Não fazemos “reuniões fajutas”, ou seja, “reunir por reunir”, uma reunião sem um sentido prático.
Embora seja citados nos Evangelhos o numero de dois para a Presença do Senhor, isso não se aplica a reuniões de qualquer grupo e nem constitui o início de qualquer obra. O número mínimo1 para a consideração de um novo instituto religioso é de três pessoas (em referência à Santíssima Trindade, modelo perfeito de uma comunidade). E em outras associações o número mínimo varia.
Nas Congregações Marianas iniciaram a sua gloriosa história como um pequeno grupo de seis jovens. O numero minimo que possa ser considerado para a fundação de uma nova Congregação Mariana é de quatro pessoas. O motivo veremos abaixo. Mas, numa reunião comum, a experiencia indica a necessidade de ao menos três pessoas.
O assunto de “numero mínimo” nunca foi tão mencionado no passado talvez porque o espirito missionário tenha sido mais forte antigamente do que em nossos dias. Talvez porque os grupos e a pertença a eles eram mais valorizados do que hoje em dia. Era comum que algumas pessoas se interessarem em se agrupar sempre que uma nova iniciativa fosse começada. O que se chama “gregariedade” era mais patente nos velhos tempos do que hoje.
Mas os grupos bons sempre começam pequenos: “Ao querer de primeira mão brecar todos os vícios, se corria o risco de endurecer os corações que se desejava curar. Da massa se escolheu um pequeno núcleo cujo exemplo pudesse influir nos demais. Era uma seleção, condicionada à situação e não demasiado rígida para começar. Mas não se admitia à Congregação os que não renunciavam ao concubinato, ao jogo às conversas desonestas e outras coisas comuns entre os soldados.”2
Nossa experiencia e a tradição das Congregações Marianas indica portanto que um par de pessoas possa ser usado numa recitação do terço ou do Pequeno Oficio, mas não para uma reunião oficial de uma Congregação Mariana.
Ainda mais: uma correta reunião de Congregação Mariana supõe um numero maior de presentes.
Se contarmos com a presença de uma Diretoria minima3 – a saber, presidente, secretario, tesoureiro e instrutor - teremos portanto quatro pessoas.
Adicionando4 os antigamente chamados “oficiais menores” - a saber, porta-bandeira, leitor, sacristão e bibliotecário - teremos mais quatro membros.
Portanto, sem contarmos com prováveis ouvintes, aspirantes, candidatos e outros Congregados que não tenham cargos na Diretoria, teremos o numero minimo de oito pessoas numa reunião comum sem contarmos com o sacerdote (de presença não obrigatória em todas as reuniões).
Nossa experiência nos diz que quando mais presenças numa reunião motiva psicologicamente todos só membros da Congregação Mariana e faz com que tenham cada vez mais animo em lutar pelo Reino de Cristo sobre a Terra.
Façamos das reuniões em nossa Congregações Marianas momentos verdadeiros de crescimento espiritual, cultural, catequético e fraternal. Cuidemos com o mesmo carinho das orações recitadas ardorosamente em conjunto, da promoção da Cultura cristã, do estudo e conhecimento profundo do Catecismo e da Doutrina Católica em todos os seus aspectos relativos à vida cotidiana dos Congregados presentes e, mais ainda, do “sentido de família” que uma Congregação Mariana autêntica deve ter.
Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!

***



 _________________________________________
1 - Código de Direito Canônico, can. 115 §2

2- pe. Emile Villaret, SJ em “Cuatro Siglos de Apostolado Seglar”, pág, 50

3- Regras Comuns das CCMM, artigos 53,55,57 e 58 – Regra da Vidas das CCMM do Brasil, artigo 58

4- Regras Comuns das CCMM, artigos 59 a 63 - – Regra da Vidas das CCMM do Brasil, artigo 64

A Devoção à Virgem na Congregação Mariana


tradução por Alexandre Martins, cm, do Original espanhol*






A devoção à Virgem na Congregação também envolve a imitação das suas virtudes em grau extremamente elevado. Ela é o Modelo e Mestra de santidade. Devemos copiar sua vida em todos os detalhes, refletir especialmente em nós sua pureza imaculada. Nesta escola de Maria é onde se aprende e se consegue a imitação de Jesus, a perfeição cristã.
Por isso o lema da Congregação: "A Jesus por Maria".
Em Maria devemos colocar toda a nossa confiança. "A Mãe de Deus é a minha mãe!" - disse s. Estanislau Kostka, o jovem Congregado mariano.
Incessantemente nos dirigimos a ela: através do Rosario (sem o qual não existe um Congregado); pelo Angelus, pelo uso da Medalha... É necessário, finalmente, nos encorajarmos uns aos outros para amar e servir com piedade filial, primeiramente entre nós mesmos. Com o exemplo e com palavras.
Devemos nos empenhar que a Virgem seja de todos conhecida e amada. Que todos experimentemr como é doce servi-La e quão é eficaz a sua proteção - nosso tesouro e seguro penhor da nossa salvação.
Mas, em última análise, a conclusão desta maneira prática e eficaz para viver na devoção Congregação à Santíssima Virgem, é a práticar a inteira, completa e perpétua Consagração à mesma Virgem Mãe, Lhe oferecendo em tributo a própria vida e prometendo-Lhe viver sempre entregue ao seu amor e serviço.
"A consagração à Mãe de Deus na Congregação Mariana é um dom total de si, para a vida e para a eternidade", diz o papa Pio XII, outro grande Congregado mariano.
Dar-se alguém a outro é entregar-se, dedicar-se de bom grado a satisfazer seus gostos e desejos. Não somente não fazer coisas que a desagradam, mas cumprir especialmente o que ela mais gosta. E o que mais gosta Maria? Não seria que seu Filho seja cada vez mais glorificado em intensidade (nossa própria santidade) e extensão (a salvação e santificação dos outros)?
Assim o papa Pio XII acrescentou: "Dom real, o que é verificado na intensidade da vida cristã e da vida apostólica."
O ato de consagração, não é um voto religioso ou apenas um juramento; não é uma simples cerimônia litúrgica ou uma promessa qualquer para agradar a Virgem; nem uma bela oração de "fórmula pura ou sentimental." É efetivamente uma doação baseada na palavra de honra pessoal dada livremente por quem deseja chegar a Jesus por intermédio de Maria, servindo-A, fazendo a Sua vontade, adaptando nossa vida com a vida e as virtudes dela.
Esta doação é universal, total: corpo e alma, coisas, bens e ocupações ... Todo eu, tudo o que faço, nunca poderia ser usado contra a aprovação Dela; seria como um sacrilégio; é Dela para Ela; e só se pode dedicar de acordo com os seus desejos, para a Sua glória e, consequentemente, do seu Filho divino.
Longe da ideia de uma rendição passiva e aniquiladora; se trata de uma entrega ativa e alegre, santificadora... Um sério compromisso de viver como coisa e posse de Maria.
Finalmente, é uma doação oficial e pública: "na Congregação", perante a Hierarquia, que recebe a Consagração e os companheiros Congregados já consagrados.
Não obriga sob o pecado, mas não seria embaraçoso para falar sobre pecado quando a medida é o amor e a generosidade?
Em vez disso, possui certos efeitos jurídicos perpétuos: a perseverança do Congregado o separa da multidão frívola e inconseqüente e o marca com um "caráter" espiritual, o "signum Mariae".
Com ele adquire uma forma de novo estado de vida que é uma nova maneira de ser e de agir, uma vez que nos faz "Ministros de Maria".
Ao se consagrar você dá inteiramente a Maria. Ah! Mas ela dá-lhe mais do que você pode esperar e imaginar. Em troca de sua fidelidade, que é o maior bem para você. Ela dá-lhe seu amor materno, sua protecção da Rainha, sua intercessão de Onipotência suplicante, a graça de seu Divino Filho que tudo pode e vale mais do que o mundo!

***




*- artigo do Congregado Alfonso de Jesus Marin Gonzalez, inspirado no documento "Princípios básicos para a formação da congregados" retirado do Boletim das Congregações Marianas de Madrid, março-abril de 1948.

A Confissão do Congregado


Alexandre Martins, cm.


A recepção dos Sacramentos pelos Congregados marianos não é diferente dos demais católicos, apenas deve o Congregado ser mais dedicado e fiel do que os demais. O que não é pouca coisa.
Em 1563 o jesuíta Pe. João Leunis reunia os melhores alunos do Colégio Romano da Companhia de Jesus para os exercícios de piedade na primeira Congregação Mariana. Desde 1541 existiam confrarias de leigos que continham em suas regras o dever de se reformar a si mesmo diariamente, dando bom exemplo e procurando a edificação do próximo, confessando e comungando cada 15 dias, visitando e servindo aos pobres nos hospitais e assistindo reuniões no colégio. Desde 1470, as Confrarias do Rosário criadas pelos dominicanos regulavam para seus membros a confissão semanal e comunhão mensal além dos dias de Festa litúrgicas da Virgem e de Jesus. Fomentava-se a oração, em especial o terço, e o mínimo de meditação diária, uso do cilício e até a flagelação em público ou em particular e a reunião semanal. Ao mesmo tempo, a vida pública dos membros era cuidadosamente regulada. Não era novidade para os Congregados marianos a rigidez de uma Regra, mas para eles se revestia de um caráter mais incisivo.
O Sacramento da Penitência - ou simplesmente, “a Confissão” - é um momento em que o Congregado mariano deve ver como uma nova oportunidade de emenda de vida e/ou de aprimoramento da vida em busca da santidade. E tem a sua própria História para dar testemunho. Como diz a Regra 21:
“É recomendável que cada Congregado Mariano tenha um confessor certo e "a ele manifeste, com toda sinceridade, o estado de sua consciência e por ele se deixe guiar e dirigir em tudo que respeita à vida espiritual", e se aproxime frequentemente da Confissão Sacramental e, ao menos uma vez ao ano, por ocasião do Retiro Espiritual, faça a Confissão Geral.” 1

A frequência à Confissão

Há sacerdotes que indicam a Confissão somente pela Páscoa, ou , quando muito, apenas uma vez ao mês. Mas isso não se aplica aos Congregados. Para um bom Congregado mariano a frequência deve ser semanal. E isso, claro, se não há consciência de pecado mortal. Neste caso, deve-se procurar o sacerdote o quanto antes. Não se trata de - como dizem alguns, com suposto zelo - “tratar o sacramento como lata de lixo” ou de usar do sacramento coo algo sem critério. O congregado vê nessa procura frequente uma forma de ficar o menor tempo possível em pecado mortal.
Como nos lembra o pe. Américo Maia, SJ:
“A imaginação, potência errante (vagabunda), por excelência, deve ser dominada. Importância considerável é a gravidade incalculável de um ato como a confissão. Ser Congregado é saber confessar-se. Da imaginação dominada ao espírito de análise aplicado ao conhecimento de si mesmo, é uma linha diretriz que quer fazer do devoto "um homem interior". Num processo de transformação que modifica o homem radicalmente, o corpo tem seu lugar: atos de penitência e mortificação física, procissões e a romaria, em especial. Pureza pessoal em relação aos outros e nos outros. 'O mal que ameaça a Cidade de Deus, após o pecado original, é a sexualidade compreendida como o sinal da presença demoníaca no homem. A alma pertence a Deus mas o corpo ao demônio. Então, a vida cristã reduz-se a uma única palavra de ordem: a fuga do pecado e uma guarda feroz da castidade. "2

Sabe ele que o pecado mortal tem esse nome porque mata a vida da Graça em nossa alma. Não é à toa que a cor dos paramentos no Sacramento da Penitência é a mesma que nas Exéquias... O Congregado, portanto, não deseja andar pelo mundo como um morto, como um zumbi. Um verdadeiro filho de Maria não pode dar desgosto a sua amantíssima Mãe.
O critério para essa frequência à Penitência se dá pela ação do Exame de Consciência diário. É nesse momento que as faltas pessoais se tornam relevantes e os pecados mortais aparecem como caroços indigestos num mingau. Se vê então a necessidade de Confissão sacramental.

Os tipos de padre

A busca de um sacerdote piedoso pode ser difícil em alguns lugares, por vários motivos. Mas deve-se sempre compreender os três tipos básicos de sacerdotes para confissão:
a) O sacerdote que atende uma confissão apenas pelo fato de ser sacerdote. Neste caso, qualquer um pode ser procurado pelo Congregado, em qualquer, lugar, a qualquer hora.
b) O sacerdote que é o confessor do Congregado. É aquele escolhido pelo Congregado para receber sua Confissão frequente. Essa escolha se dá por uma certa afinidade ou compreensão entre ambos. As Regras da Congregação indicam um “confessor fixo”: é este o caso.
      1. O Diretor Espiritual. Não se engane: o Diretor Espiritual é um sacerdote com vocação específica para isso. E nem todos a possuem. Devemos pedir a Deus que nos coloque no caminho um sacerdote “douto e santo” - como s. Teresa D'Ávila indicou como características de um real Diretor espiritual.

Como confessar

Conseguido o sacerdote, deve o Congregado, lembrando a citada Regra 21, se confessar “como Congregado”. Algumas atitudes são uteis para demonstrar ao sacerdote, caso esta não nos conheça, com quem está lidando, para que a Confissão possa ter mais fruto. Muitos sacerdotes nada sabem da existência dos Congregados e muitos não acreditam que sejamos diferentes dos demais devotos marianos. Lembre-se que um Congregado mariano é o católico que sabe como se confessar.
Primeiramente, avise que é um Congregado mariano e frequenta assiduamente as reuniões da Congregação: Logo, ao se apresentar ao confessor, diga-lhe: "Abençoa-me ó padre, porque pequei". O sacerdote lhe responde: "O Senhor esteja no seu coração e nos seus lábios para que possa confessar os seus pecados" Logo depois dirás: "Faz ... (semanas, meses, anos) que não me confesso". Alguns acrescentam (e é um excelente hábito) a qual associação pertencem: "Faço parte da Renovação Carismática, pertenço ao Movimento dos Focolares, aos Catecúmenos, sou escoteiro, pertenço à Congregação Mariana, à Irmandade do Sagrado Coração de Jesus...". Agora acuse todos os seus pecados, sem precipitação, sem medo, de maneira que se faça entender. É inútil enganar o sacerdote: não se pode enganar a Deus. 3
Segundo, confesse seus pecados dos mais graves aos menores, usando a lista mental que foi descoberta em seu Exame de Consciência.
Terceiro, acuse também alguma falta do caráter pessoal ou de temperamento.
Escute com atenção as admoestações do sacerdote e cumpra o mais rápido possível a Penitência dada. Para um soldado, ordem dada é ordem cumprida. Para um Congregado, soldado de Maria, a penitência deve ser cumprida ainda com amor e disposição. Lembre-se que “arrepender-se é próprio dos santos”.4

Frequência dos santos

Na História da Congregações marianas existem vários relatos da Confissão frequente. São esses fatos, vividos por santos Congregados, que devemos imitar e com os quais refutaremos as criticas daqueles que nos criticam por nos confessarmos “a toda hora”, de sermos “Puritanos”, de “abusar do Sacramento”, etc.
São Luiz de Gonzaga, padroeiro da Juventude, Congregado mariano em Reims, confessava-se todos os dias antes da Missa e Comunhão diárias.
São Vicente de Paula, Congregado na Itália, confessava-se duas vezes por semana.
São Felipe Néri, Congregado italiano, confessava-se um dia sim e outro não, e o mesmo queria que fizessem os seus religiosos.
Os Congregados marianos S. Vicente Ferrer, S. Carlos Borromeu, S. André Avelino e muitos outros se confessavam diariamente.
São Leonardo de Porto Maurício, o infatigável apóstolo italiano e fundador de várias Congregações Marianas, depois de ter tido o belo hábito de se confessar diariamente com constância, chegando aos quarenta e dois anos, pensou em duplicar a dose e escreveu no seu regulamento particular: "De agora em diante confessar-me-ei duas vezes por dia, para aumentar a graça que espero tornar maior com uma única confissão do que com muitas boas obras, de qualquer espécie".

Conclusão

A vida sacramental é uma das bases do bom Congregado mariano. E é essa frequência piedosa a eles que deram exemplo a outros católicos, influenciando positivamente a vida da Igreja. Se quisermos reformas no laicato e, até mesmo, no Clero, esse é o caminho mais eficaz.
Como nos ensina s. Teresa de Calcutá, Congregada mariana missionária:
A confissão é um ato magnífico, um ato de grande amor. Só aí podemos entregar-nos enquanto pecadores, portadores de pecado, e só da confissão podemos sair como pecadores perdoados, sem pecado. A confissão nunca é mais do que humildade em ação. Dantes chamávamos-lhe penitência mas trata-se na verdade de um sacramento de amor, do sacramento do perdão. Quando se abre uma brecha entre mim e Cristo, quando o meu amor faz uma fissura, qualquer coisa pode vir preencher essa falha. A confissão é esse momento em que eu permito a Cristo suprimir de mim tudo o que divide, tudo o que destrói. A realidade dos meus pecados deve vir primeiro. Quase todos nós corremos o perigo de nos esquecermos de que somos pecadores e de que nos devemos apresentar à confissão como tais. Devemos dirigir-nos a Deus para Lhe dizer quão pesarosos estamos de tudo o que possamos ter feito que O tenha magoado. O confessionário não é um local para conversas banais ou para tagarelices. Aí preside um único tema – os meus pecados, o meu arrependimento, como vencer as minhas tentações, como praticar a virtude, como crescer no amor a Deus.”5

Nossa Senhora dos Penitentes, rogai por nós!
 


***

_______________________________________________
1- veja também as Regras Comuns das Congregações Marianas 36, 37 e 39.
2- Reyn., Geneviève. "Convents de Femmes (La Vie des Religieuses Cloitrées dans la Fran. das XVII et XVIII siécles). Fayard, Paris, 1987, pág. 125. citado por pe. Pedro Américo Maia, SJ, in “História das congregações Marianas no Brasil”, Edições Loyola, São Paulo , SP, 1992.
3- pe. Eugenio Maria Pirovano,FDJ in “Exame de Consciência: Preparação para o Sacramento da Penitência”, Ed. Loyola, 5ª edição, 2005, pág 11
4- “Pecar é comum a todos os homens, mas arrepender-se é próprio dos Santos”. s. Ambrósio de Milão in “Apologia David ad Theodosium Augustum”, II 5-6
5- in "Não há maior amor" (a partir da trad. de Il n'y a pas de plus grand amour, Lattès 1997, pág. 116)

O Lobo Solitário




Alexandre Martins, cm.

Há bons católicos que, por não encontrarem algum grupo aonde se sintam à vontade, trilham um caminho solitário e sem nenhuma forma de atitude comunitária.
Em geral são jovens inteligentes. Ou, que tem uma inteligencia ou esperteza acima da média dos jovens do seu bairro ou paróquia dos arredores. Devido à isso, se sentem como “um peixe fora d'água”, como um lobo fora da matilha. A decorrência natural é que procurem um grupo “à sua altura” ou, se forem sinceros, acima de sua capacidade.
Alguns se tornam então “caçadores de experiências” e todos os famosos grupos têm sua “visita questionadeira”, como se esses jovens fossem inquisidores ou fiscais do Vaticano. Mas, ao invés de condenar ou reclamar dos grupos ao Bispo, esses jovens apenas os consideram inaptos à sua própria sede de “algo maior” e os abandonam. Esse abandono reflete mais uma soberba do que resistência ao carisma: “alguns não andam diante de Mim com simplicidade, mas, curiosos ou arrogantes, pretendem saber meus segredos... estes, pos sua soberba e curiosidade, não raro caem em grandes tentações e pecados, porque Me afasto deles”.1
Depois de um sem-número de tentativas e experiências mais ou menos frustrantes, optam por se tornarem independentes. Alerta o pe. Meschler, SJ: “o alimento em demasia sobrecarrega o estômago; o demasiado saber envaidece o espírito. Não pode haver estudo nem saber autônomos. Aprendamos primeiramente o necessário, depois o útil e finalmente o agradável.” 2
A Internet atual favorece essa postura, pois a formação religiosa que antes era conseguida em palestras e aconselhamento espiritual nos movimentos e associações eclesiais agora é obtida com uma visita a um sítio de catequese ou a um vídeo do pe. Paulo Ricardo. Com isso, depois de alguns dias (ou noites ) lendo e relendo artigos de grandes escritores católicos e resenhas de livros clássicos esses jovens possuem um título autoimposto de “apologeta cristão”.
Se essas pessoas são estudiosos a ponto de, com pouca idade, já obterem um mestrado em alguma área acadêmica, mais os qualifica a terem o gosto e paciência necessários para o estudo. A diferença entre uma universidade e a catequese paroquial - ou a apologética digital – é que na catequese quase não há um antagonista à altura. São como professores de História em uma escola de subúrbio: os alunos tem pouca leitura do assunto e quase nenhuma predisposição a um debate, ocasionalmente proporciona uma postura de “iluminado” ao professor que vocifera opiniões pessoais como se fossem verdadeira doutrina.
Nos alerta s. Josemaria Escrivá que “a luta contra a soberba deve ser constante, porque, como já se disse graficamente, essa paixão morre um dia depois de a pessoa morrer. É a altivez do fariseu, a quem Deus reluta em justificar por encontrar nele uma barreira de auto-suficiência. É a arrogância que leva a desprezar os demais homens, a dominá-los, a maltratá-los: porque onde houver soberba, aí haverá também ofensa e desonra.” 3
Tal atitude não só impede que os corações ementes se elevem da simples intelectualidade mas, pior, transforma os que estudam em pessoa restritamente intelectuais e legalistas.
São Inácio de Loyola em apenas uma frase dá a direção correta: “Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas sentir e saborear internamente todas as coisas” .4
De nada adianta o grande conhecimento – seja Escritura, patrística ou outros – sem uma vida de piedade sincera e pura. Por isso vemos tantos jovens arrogantes, prepotentes, os “corretores do Papa” como são chamados jocosamente por aqueles que acham deprimente suas atitudes. “As maneiras arrogantes, os ares de jactância é que mais das vezes contribuem para a infecundidade das obras.”5
O que fazer se estamos neste caminho?
Procurar uma vida de oração, piedade e caridade à altura ao menos do conhecimento adquirido. Assim perceberemos que tudo o que possamos aprender, comparada à magnitude de Deus é “como palha”, no dizer de s. Tomás de Aquino6. Exerceremos então nossa humildade, o nosso conhecimento do lugar que realmente ocupamos na Igreja e no Mundo.
Os verdadeiros operários apostólicos confiam muito mais nos seus próprios sacrifícios e nas suas orações do que no exercício da sua própria atividade”, nos ensina o Abade Chautard.7
O Papa congregado mariano, são Pio X, admoesta que “sem a vida interior hão de faltar as forças para aguentar com perseverança os aborrecimentos que qualquer apostolado acarreta, a frieza e o escasso concurso dos próprios homens de bem, as calúnias dos adversários, e às vezes até os ciúmes dos amigos, dos companheiros de armas...Só uma virtude paciente, fortalecida no bem e ao mesmo tempo suave e delicada é capaz de remover ou diminuir essas dificuldades”.8
O que fazer com outros “lobos solitários”?
Entender que, se forem pessoas sinceras e retas de intenção, podem não ter o caráter associativo, serem pessoas reclusas por sua própria personalidade e não porque uma associação não esteja “à sua altura”. Grandes intelectuais foram Congregados marianos, como o professor Anísio Teixeira, o poeta Mário de Andrade... Se esses jovens não tiverem essa vocação para estar em grupo, de nada adianta. Outro Congregado mariano, o papa Bento XVI nos lembra “uma característica dos santos: cultivam a amizade, porque ela é uma das manifestações mais nobres do coração humano, e contém em si algo de divino, , como o próprio Tomás explicou em algumas quaestiones da Summa Theologiae, onde escreve: "A caridade é principalmente a amizade do homem com Deus, e com os seres que Lhe pertencem" (II, q. 23, a.1).9
Rezemos por esses solitários e sempre os questionemos quando, em sua louca vaidade, questionarem até o Sagrado Magistério. Os heresiarcas começaram assim e espalharam seus erros muitas vezes por não haver quem os criticassem dentro da Igreja.
Aos sinceros, mostremos que todos nós, intelectuais ou não, somos Igreja.

***



1- Jesus a alma devota, in “Imitação de Cristo”, Tomás de Kempis, livro III, capítulo 4.
2- in “A Vida Espiritual reduzida a Três Princípios”, ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 1950, pág. 88
3- in “É Cristo que passa”, ed. Quadrante, Sâo Paulo, SP, 1977, pág. 7
4- da Anotação 2 dos Exercícios aplicada aos salmos.
5- Jean Baptiste Chautard, in “A Alma de Todo Apostolado”, pág. 94
6- “Em Dezembro de 1273 ele chamou o seu amigo e secretário Reginaldo para lhe comunicar a decisão de interromper todos os trabalhos porque, durante a celebração da Missa, tinha compreendido, a seguir a uma revelação sobrenatural, que tudo aquilo que tinha escrito até então era apenas "um monte de palha". É um episódio misterioso, que nos ajuda a compreender não só a humildade pessoal de Tomás, mas também o facto de que tudo o que conseguimos pensar e dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente ultrapassado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada plenamente no Paraíso. “ (Bento XVI)
7- Jean Baptiste Chautard, in “A Alma de Todo Apostolado”, pág. 82
8- Alocução aos Bispos italianos em 11 de junho de 1905)
9- in Audiência Geral na Praça de São Pedro, Roma, 2 de Junho de 2010.

A Pastoral do “Não Julgar”



Alexandre Martins, cm.

É comum irmos a alguma Missa dominical e ficarmos espantados com a postura inconveniente de algumas pessoas que se portam como estivessem em sua própria casa: de chinelos e bermuda, tomando água no cantil, usando o tablet para jogar, etc. Outras conversam animadamente como se estivessem em alguma festa, dando gargalhadas. É comum também nos perguntarmos do por quê não serem essas pessoas corrigidas pelos agentes de pastoral, ministros ou outros.
Bem, após o Concílio Vaticano II houve, no Brasil, uma tendência de “abrir as portas para todos” na Igreja. Isso, na prática, era chamar qualquer um a participar daquela “festa que era considerada a Liturgia e à qual todos deveriam ser convocados. Usava-se muito o texto do Evangelho segundo Mateus1 para justificar essa atitude. Como era uma época de relativismo religioso, procurava-se aceitar qualquer atitude do outro que aparecia, não o corrigindo, mas acreditando que seus atos eram “ puros” e que seus erros seriam “expressão particular de sua fé”.
Os Congregados marianos sofreram com essa atitude, e outras associações piedosas também.
Ora, eram justamente as associações pias, por meio de seus membros, agiam como que reguladoras dos excessos do povo: eram as Filhas de Maria que corrigiam as roupas das jovens moças e os Congregados que sugeriam a postura adequada dos rapazes. Em decorrência, cada um dos fiéis, por sua vez, orientava ou até mesmo criticava atitudes do povo nas celebrações, em especial os que eram “visitantes de ocasião”. “A Congregação é um corpo vivo: nenhum de seus membros deve estar inerte”, diz o pe. Villaret, SJ. 2
Após o Sagrado Concílio, os sacerdotes, segundo seu próprio pensamento, tomaram uma atitude diferente: proibiram que se fizesse qualquer tipo de censurar a quem quer que seja. O efeito prático foi que qualquer ia com qualquer roupa à igreja, e as atitudes litúrgicas do lugar sagrado foram abandonadas por quase todos. Num efeito decorrente, a famosa “defesa da Igreja” feita por várias associações, em especial os Congregados, foi abandonada quase por completo.
Surgiu o que se pode chamar de “pastoral do não julgar”, isto é, se a Igreja sem pre foi referencia de um lugar onde o correto era ensinado – mesmo contra as modas do Mundo – a partir daquele momento se tornara o ambiente das paroquias apenas mais um local com o tantos outros, pois o “não julguemos para não sermos julgados” era repetido à exaustão. Pior foi que esta atitude justamente veio em uma época aonde os costumes foram se degradando rapidamente, pois foi a época da masculinização da mulher, da androgenia, da pílula anticoncepcional como forma de liberdade sexual, do divórcio legalizado...
Por isso, hoje, as associações de fiéis não tem tanto vigor em corrigir seus membros nos costumes e muito menos manifestar-se publicamente em defesa da Igreja perante os ataques da Sociedade. São os frutos de épocas de mordaça imposta, infelizmente, por setores do Clero.
Por isso não há mais nenhuma pessoa reclamando ou corrigindo alguém que fala ao celular na Missa, ninguém retirando educadamente as crianças dos corredores laterais para qu enão corram ou seja a apatia se firmou e todo o tipo de distrações acometem o fiel nas Missas de Domingo sem que ninguém venha a intervir. “A partir dos anos da reforma litúrgica depois do Concílio Vaticano II, por um mal-entendido no sentido de criatividade e de adaptação, não se têm faltado os abusos, dos quais muitos têm sido causa de mal-estar”3
A solução está em uma atitude de zelo pelo espaço sagrado4 – usando uma denominação conciliar – que como sagrado deve ser preservado das modas do mundo, os sacerdotes podem e devem inculcara nos membros das associações e pastorais uma atitude de vigilância neste sentido de zelo pelo local e, mais ainda, de consideração e respeito pelos fieis que são frequentadores do local, se devemos respeitar o visitante com suas “esquisitices”, mais ainda devemos respeitar o frequentador assíduo que se sente incomodado com a atitude inconveniente do visitante.
A Liturgia cativa o meu corpo inteiro. Por meio de um conjunto de cerimônias, de inclinações, de símbolos, de cantos, de textos que se dirigem aos olhos, aos puvidos, à sensibilidade, à imaginação, à inteligência, ao coração, ela me orienta todo para Deus, ela me recorda que tudo em mim - olhos, língua, mente, sensibilidade, vigor físico e mental – se deve referir a Deus.”, nos recorda o Abade5 de Sept-Fons.

Lembremos que a maioria dos visitantes são pessoas que erram sem o saber e que, se não os corrigirmos, continuarão errando, e muitos deles começaram a frequentar a Igreja para justamente isso: serem corrigidos pela Verdade.
Que a Virgem Maria nos ensine a bem orientar os pecadores; Ela que, como Mãe, orientou Aquele sem pecado.


***

 
 _____________________________________________
1- “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós.” (Mt 7, 1)
2- citado em “Cuatro Siglos de Apostolado Seglar”, pág, 45.
3- Instrução Redemptionis Sacramentum sobre alguns aspectos que se deve observar e evitar acerca da S. Eucaristia, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 25 de março do 2004, §30
4- “O espaço celebrativo, por si, torna-se espaço sagrado. Deve, por isso, expressar a fé e a cultura: tornar presente o mistério da salvação no contexto concreto, situando-o no aqui e no agora. O espaço celebrativo deve conduzir à experiência do Mistério de Deus, em comunidade.” (Pastoral Litúrgica da Arquidiocese de Florianópolis/SC)
5- Jean Baptiste Chautard, in “A Alma de Todo Apostolado”, pág. 163

Círculos e Quadrados



Alexandre Martins, cm.

Após o Sagrado Concilio Vaticano II, vozes que pareciam quietas - e, portanto, contentes com a situação da Igreja - se levantaram de uma hora para outra.
Foi a vez da “revolução interna” na Igreja, em especial na atividade pastoral. Incentivados primeiramente por religiosos, grupos de leigos foram formados quase sem nenhum critério, sem nenhuma preparação prévia, amparados pelo pensamento da “atualização” da Igreja. Os anos 1960 e 1970 eram tempos de novidades sociais, como a mini-saia, o funk, o divorcio institucionalizado, a abolição da gravata, etc. Era natural para todos que o que era feito até então fosse modificado para se adaptado aos “novos tempos”.
“meu amigo JC”
Com essa brecha aberta na tradição do apostolado leigo católico, religiosos viram a oportunidade de aparecer na Igreja, alguns com boas intenções de propagandear sua ordem religiosa, outros apenas para promoção pessoal. Várias formas de espiritualidades surgiram, atitudes de apostolado com cara nova, publicações feitas sem a aprovação eclesiástica necessária e várias outras novidades. Claro que algumas novas espiritualidades estavam influenciadas por elementos do paganismo (que renascia na época dos hippies) algumas publicações tinham claramente uma visão marxista do Mundo e atitudes de apostolados com característica de sindicalismo operário.
É após o Sagrado Concílio que aparecem nas paróquias os “encontros de leigos”, isto é, finais de semana onde se reúnem pessoa para pensarem em Deus de uma forma descontraída. Nada de reuniões ao pé do altar usando velas acesas: as reuniões (ou “partilhas” como se fazia questão de dizer) eram feitas em salões arejados, usando cadeiras de plásticos ou sentados no chão. As roupas eram as mais descontraídas possíveis, pois segundo eles Cristo era um operário e não fazia sentido usar paletó ou vestido em encontros assim. E por aí vai...
Claro que essa mentalidade era somente de uso nas paróquias – locais aonde os religiosos e seminaristas influenciados por uma visão hippie da Igreja eram os agentes da mudança dita “conciliar”. Em contrapartida, outras associações não quiseram aderir à nova moda de pastoral e pouco se modificaram, como o Opus Dei, por exemplo.
No olho do furacão circular
Mas as Congregações Marianas do Brasil estavam em sua absoluta maioria em paroquias e , portanto, vulneráveis a essas mudanças pastorais.
É importante lembrar que na época os jesuítas deixaram aquela famosa assistência espiritual que proporcionaram à Congregações em décadas passada. Os bispos por sua vez acreditavam que eram os jesuítas que ainda assistiam as Congregações Marianas e os sacerdotes queriam algo novo, que não lembrasse nada de antes do Concílio.
Foi o momento propicio para a descaracterização geral das Congregações Marianas.
As reuniões comuns – aquelas chamadas de “ordinárias”, de formação semanal – foram “atualizadas” como era a moda da época: cadeiras em circulo, roupas descontraídas, sem altar ou coisa semelhante. A reunião da Congregação deixou de ter o seu “clima” especial para ser, à primeira vista, apenas mais uma reunião de grupo.
Mas por que do circulo? Porque esta e não outra forma de organização das cadeiras?
No pensamento da época – comunitário e igualitário - ser diferente era ser contra a comunidade. Era estar fora do padrão social jovem, fora da socialidade, em uma palavra: ser egoísta.
Esse é o significado de uma organização em circulo: não há alguém superior, pois todos são iguais. As ideias de Paulo Freire, idolo das pedagogas brasileiras eram cada vez mais utilizadas nas escolas da época e a formação tradicional de cadeira em fila perante a mesa do professor era abandonada sempre que fosse possível. E como nas reuniões de leigos católicos o clima era de descontração, não demorou para que todas as reuniões seguissem o modelo de circulo.
Mas, se isso pode ser usado em alguns locais nas Congregações Mariana surge como algo que deforma em dez de formar o Congregado mariano. A organização das Congregações é militar, é uma herança dos jesuítas, seus criadores e desenvolvedores - santo Inácio de Loyola era um ex-militar que fez a sua ordem religiosa organizada como um exercito; daí o nome de Companhia de Jesus, ou seja, um “batalhão de Jesus. “...tudo que vossas Congregações Marianas tem realizado como um grande exército de bondade nos vastos horizontes do bem para socorrer as almas redimidas pelo Sangue de Jesus Cristo”.1
Organização de quartel
Em uma organização militar existem dois princípios que norteiam seu dia-a-dia: a disciplina e a hierarquia. E nas Congregações Marianas disciplinadas por excelência, a obediência a uma hierarquia não se demonstra somente à obediência ao pároco, mas há uma hierarquia na própria Congregação.
Em cada Congregação existe uma diretoria, escolhida pelos Congregados,.entre si para o governo de todos. Com raríssimas exceções são escolhidos somente Congregados mariano que proferiram sua Consagração perpetua. E um dos diretores tem uma função especial: é o instrutor dos novatos. Ora, um instrutor em uma organização miliar equivale a um professor. Um professor necessariamente deve saber mais que o aluno. Evidente, não? E, se ele sabe mais então tem certa superioridade perante o aluno, ou seja, é diferente por saber mais. Em uma organização militar o instrutor não é contestado, pois todos sabem que o cargo foi dado a ele por ser alguem com competência para essa função. Isso é “Obedecer à Hierarquia”. Por outro lado, não se escolhe um instrutor entre novatos mas entre antigos. Ora, se há hierarquia em uma reunião de formação da Congregação Mariana então o método “circulo é correto de ser usado? A resposta é não para a maioria das vezes.
Os modelos tradicionais de reunião
A experiência nos mostrou que uma Congregação Mariana usa basicamente três modelos de organização em suas reuniões.
O modelo 1 é o modelo clássico, ou o “modelo em quadrado”. A Congregação se agrupa em cadeiras em fila de frente para a mesa dos diretores e esta por sua vez na frente ou mesmo detrás de um altar ou imagem da Virgem Maria.
Essa forma remete às antigas reuniões das Congregações em frente aos altares das igrejas. Na mesa de diretoria é clássico o modelo do presidente ao centro ladeado pelo sacerdote e pelo secretario. Nota-se o sentido de “escola” nessa arrumação, lembrando a todos que a Congregação Mariana é a “escola de Maria”. Em sedes antigas vemos pequenos auditórios aonde eram realizados as reuniões de Congregados. O modelo 1 era o usado.
O modelo 2 em uma mesa grande, como é costume em reuniões de empresas. É uma forma útil para Congregações de pequeno numero de membros. Era usado em reuniões chamadas de “parlatórios” ou “conversas”, em torno de uma mesa grande aonde o sacerdote proferia as palestras da cabeceira, ladeado pelo presidente e pelo secretario.
O terceiro modelo “em circulo” é o mais recente, o já falado, mais indicado para reuniões de apostolado da Congregação, aonde cada Congregado tem sua contribuição a dar em forma de relatório aos demais. Não é uma reunião de formação mas uma troca de ideias entre todos. É usado em grupos anexos ou seções das Congregações Marianas.
O clima favorece a formação
Em conclusão, torna-se evidente que as Congregações Marianas sempre proporcionaram aos que delas participavam um certo clima propicio em suas reuniões e atividades. Esse clima, que só existe nas Congregações, favorece a formação do cristão em um “cavaleiro da Virgem”, isto é, em alguém disposto a lutar, individual ou em grupo, pelos interesses da Santa Igreja e pela expansão do Reino de Cristo, e uma das formas de estabelecer este clima é a arrumação da assembleia dos Congregados.
No fundo, as necessidades espirituais e temporais do individuo, das famílias, da Sociedade, são sempre as mesmas. E as mesmas obras de sempre são sempre atuais. E nada mais a fazer do que saber adaptar-se às condições e circunstancias de tempos e lugares” - pe. Emile Vilaret, SJ




***




1- papa Pio XII, discurso aos Congregados

O Poder Jesuíta



Alexandre Martins, cm.


A Companhia de Jesus teve um grande poder politico, cultural e eclesial nos séculos XVI e XVII em todo o Mundo.
Nos séculos que se seguiram varias organizações da Igreja desejaram ter a mesma influência social e política que os seguidores de s. Inácio de Loyola. Até grupos que não eram católicos ambicionaram esse poder.
Tal desejo é compreensível quando vemos, por exemplo, a biografia do pe. José de Anchieta. Qual fundador de um grupo que não gostaria de haver entre os seus uma pessoa com a laboriosidade que ele tinha? Anchieta era poeta, escritor, filólogo, sacerdote, confessor, missionário e até fundador de cidades! Outros jesuítas como Ticho Brahe eram até amigos pessoais de imperadores...!
A influencia jesuíta no Mundo foi tão grande e permanente que só pode ser comparada à Ordem do Templo, os cavaleiros templários. Até hoje ambas nos dão ecos de suas obras.
Associações eclesiais das mais variadas ambicionaram ter ao menos essa influência na Sociedade que os jesuítas tiveram até meados do século XX, tais como o Opus Dei, o Sodalício de Vida Cristã, os Legionários de Cristo, etc. E, ao largo de suas próprias espiritualidades e carisma, quiseram viver de certo modo o jeito militar que a Companhia de Jesus promovia nos seus membros.
Contudo, o “poder jesuíta” no fundo se baseava no que era uma experiência mística pessoal do fundador. Essa tal experiência foi a base de toda a Companhia, foi o alicerce e o cimento que une os tijolos para fazer o edifício do poderoso “exército de Inácio”. Ou seja, da experiência de Inácio de Loyola na gruta em Manresa surgiam os Exercícios Espirituais.
Todos os jesuítas começavam o caminho inaciano a partir dos Exercícios que levam o nome de seu criador. Uns, ainda jovens, faziam o retiro por devoção ou indicação e bem depois, sem pressa, Deus suscitava a vocação sacerdotal em seus corações e, naturalmente, a maioria absoluta deles ingressava na Companhia. Outros, por sua vez, impressionados com a laboriosidade e piedade profunda e prática dos jesuítas, queriam saber de onde partia tanto amor à Igreja e participavam dos retiros. Assim, imergiam na fonte verdadeira do “sentir com a Igreja” de s. Inácio. De posse de uma certa “Maturidade” espiritual e humana, estavam então estruturados para serem os apóstolos espetaculares que o Mundo conheceu.
Com os formidáveis frutos que os jesuítas deram ao Mundo não é de se espantar que outros fundadores quisessem o mesmo para suas obras. Todas as idéias foram criadas para tentar ter o “poder” jesuíta e muitas sem sucesso.
Mas o “segredo do poder” jesuíta reside justamente nos Exercícios Espirituais – fruto da experiencia de Inácio e fundamento da Companhia – e não nas práticas que foram desenvolvidas pelos jesuítas com o passar dos séculos. Não foram as grandes igrejas jesuítas, projetadas para centenas de pessoas, que faziam a grandeza da Companhia e nem tão pouco a organização militar que enviava missionários aos mais distantes confins da Terra, numa obediência conhecida como “obediência de morto”. Foi, sim, a profunda consciência de si próprio, de nossa amorosa dependência de Deus, que fez do jesuíta um apóstolo tão ardoroso e fiel.
De nada adiantam atitudes exteriores se não forem fruto de um coração piedoso ou ao menos serem essas exterioridades um condicionamento, uma preparação para um interior modificado.
Nisto se resume a ruína de tantas associações que quiseram o “poder jesuíta”: não buscam na raiz da Companhia de Jesus o seu fundamento, mas miraram apenas nos seus frutos. São essas associações como um arvore que quer ser frondosa e cheia de flores e frutos mas sendo plantada em uma terra rasa ou estéril. Então, essa planta, por mais que tenha adubo e podas, não terá o mesmo desenvolvimento daquela plantada em terra boa e abundante. Quanto mais podas mais a fará morrer. Por isso tantos grupos e associações terminam e fecham, pois buscam o exterior, o que é visível aos olhos e não ao fundamento, ao espiritual, àquilo que somente o coração e o intelecto bem formado irão apreciar.
Se desejarmos imitar os jesuítas então devemos ir à sua fonte: os Exercícios Espirituais de s. Inácio de Loyola. Neles aprenderemos o que levou Inácio e seus amigos aos altares, neles entenderemos a razão das Congregações Marianas. Neles veremos que a Igreja e sua mensagem de Salvação são atuais todos os séculos.
Salve, Virgem da Anunciação!

A devoção mariana do Papa Pio XII



Antonio Gaspari*
(tradução e adaptação de Alexandre Martins, cm.)


Da Mariologia do Papa Pio XII, bem como outros temas do pontificado e os ensinamentos de seu magistério, falamos terça-feira em um congresso de estudo por ocasião do 70 aniversário da "Summi pontificatus". O encontro, promovido pelo Comitê Papa Pacelli e a revista "Cultura & Libri" teve lugar na Basílica de São Lourenço Extra Muros, em Roma.
O Professor Stefano De Fiores proferiu uma palestra - "Pio XII e mariologia" - e diversos especialistas discutiram outros temas, como a encíclica "Mediator Dei" sobre a Sagrada Liturgia, Pio XII e a Segunda Guerra Mundial, a Questão dos Judeus, a Eclesiologia e Bioética neste Papa, e assim por diante. Os textos completos dos palestrantes serão publicados em uma edição especial da revista "Cultura & Libri". No final do evento, foi exibido o filme "Pastor Angelicus" feito em 1942 pela Produzione Cinematografica Católica, de Romolo Marcellini.
Sobre a Mariologia do Papa Pio XII, padre Stefano De Fiores, da Sociedade de Maria (Montfortinos) explica que com o pontificado de Pio XII (1939-1958), a Igreja Católica vive a era de ouro do movimento mariano pós-tridentino, dedicado a promover o culto de Maria e a doutrina mariológica.
A veneração especial pela Mãe de Jesus atinge o máximo impacto na primeira metade do século XX, a tal ponto que São João XXIII a ela se referiu como “a Era de Maria”.
A devoção de Pio XII a Maria era fervorosa e sua mariologia muito rica. Em 13 de Dezembro de 1894, aos 18 anos de idade, Eugenio Pacelli ingressou na Congregação Mariana dos jesuítas em Roma. Cinco anos depois, em 3 de Abril de 1899, ele escolheu para celebrar sua primeira missa na Capela Borghese de Santa Maria Maior. Ele foi sagrado bispo no mesmo dia em que a Virgem apareceu aos três pastorinhos em Fátima (13 de maio de 1917), e confiou a Ela seu pontificado. O professor De Fiores confirmou que "satisfeito com a visão da dança do Sol, Pio XII expirou em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958 com o rosário na mão."
A devoção do pontífice também se expressou através de uma série de eventos oficiais (Roschini lista 400 documentos) que procuram promover a presença de Maria na vida e no pensamento da Igreja. Os eventos relevantes do magistério mariano de Pio XII são muito numerosos. Em primeiro lugar, na famosa encíclica "Mystici Corporis Chirsti" (de 29 de junho de 1943), o Papa mostra o lugar da Virgem no Corpo Místico de Cristo, apresentando-a como "alma socia Christi", isto é, Mãe associada o Filho em toda a sua obra redentora. Pouco conhecida, mas de grande importância é a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria (em 31 de outubro de 1942), que Pio XII fez a pedido do episcopado português no 25º aniversário das aparições da Virgem em Fátima. Durante a guerra, o Papa invocou Maria como "refúgio da raça humana" e confiou à sua proteção maternal o mundo inteiro. Pio XII reiterou este ato de confiança na Mãe de Jesus consagrando a Rússia (em 1952) e Espanha (em 1954). Como continuação destes gestos, Pio XII estabeleceu na Igreja universal a festa do Imaculado Coração de Maria (em 4 de Março de 1944). A Pio XII se deve a promulgação do primeiro Ano Mariano da história, em 1954, para marcar o centenário da definição do dogma da Imaculada Conceição. Foi solenemente inaugurado pelo Papa em 8 de Dezembro de 1953, na igreja de Santa Maria Maior e celebrada com fervor religioso por todas as dioceses do mundo. É famosa a oração composta pelo próprio Papa: "Dominado pelo brilho de sua beleza celestial ...".
O Ano mariano, rico em iniciativas espirituais, culturais, sociais e de caridade, foi solenemente concluído pelo Papa na Basílica de São Pedro em 1 de novembro de 1954 com a coroação do ícone de Maria Salus Populi Romani e a instituição da Festa Litúrgica de Maria Rainha. Esta festa foi justificada teologicamente na encíclica "Ad Caeli Reginam" (de 11 de outubro de 1954) demonstrando fundamentos bíblicos e eclesiais para sua legitimidade.
Pio XII amava a popular oração do rosário, que ele descreveu como "o compêndio de todo o Evangelho", uma expressão que retomou Paulo VI, em "Marialis Cultus" (nº 42), mas também como “uma meditação sobre os mistérios do Senhor”, “sacrifício da tarde”, “coroa de rosas”, “hino de louvor”, “oração da família”, “promessa segura de favores celestiais”, “penhor de salvação” e de “esperança para curar os males que afligem o nosso tempo”.
O padre De Fiores disse a agência Zenit que "Pio XII permanecerá na história da fé católica, sobretudo, pela definição dogmática da Assunção de Maria em corpo e alma para o céu."
Seguindo o exemplo de Pio IX para o dogma da Imaculada Conceição, com a encíclica "Deiparae Virginis" (de 1 de maio de 1946), ele consulta a todos os bispos católicos se eles consideraram oportuna a definição da Assunção (haviam 8.036.393 assinaturas a favor). Recebida resposta afirmativa, o Papa, em 1 de Novembro de 1950, na presença e na comunhão com o colégio de cardeais, 700 bispos e com a multidão comum a grandes eventos eclesiais, pronunciou a fórmula que a define:
"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".

Foi um evento memorável na história da Igreja, que o próprio Pio XII interpretou com estas palavras: "Como abalado pela batida de seus corações e comoçãoa de seus lábios, vibram as pedras desta Basílica patriarcal e junto delas parecem gritar com tremores arcanos os inúmeros templos antigos, levantadas em todos os lugares em honra da Assunção".





(*) estudo do Congresso dos 70 anos da "Summi Pontificatus", ROMA, 27 de outubro de 2009 - Para obter informações sobre a conferência: www.comitatopapapacelli.org - Antonio Gaspari, traduzido do original italiano por Patricia Navas.




É verdade que há um rosário satânico ou maçônico da Nova Era?




Pe. Luis Santamaria
tradução e adpatação do espanhol por Alexandre Martins, cm.


Alguns anos ouvimos vozes levantadas contra a disseminação e uso de rosários muito populares por seu preço baixo que são satanistas, maçônicos ou da Nova Era. Os críticos destes rosários apontam para um número de suas características físicas que os levam a essa conclusão.
Rosários que estão no centro da controvérsia são fabricados em plástico e em quantidades industriais, o que os torna muito econômico e ideal para presentear santuários marianos, reuniões de jovens, etc. Existem diferentes tipos - como veremos ao analisar seu simbolismo - e destacam-se pela sua simplicidade. Um dos pré-Jornada Mundial da Juventude (JMJ - Madrid 2011) que chamou a atenção foi a e notícia da embalagem de sete toneladas de rosários fabricados por uma empresa do Equador, pronto a ser incluido na mochila dos peregrinos.
Eles são rosários também têm muita aceitação nos países pobres, obviamente, e que são empregados por várias instituições católicas no seu apostolado de difundir esta importante forma de oração e devoção. Muitas paróquias, grupos, sacerdotes os distribuem, tanto o rosário sozinho quanto com algum material simples que explica a sua utilização. Eles têm sido amplamente utilizados em época recente como complemento no vestuário, privando-o de seu uso religioso e o popularizando como mero adorno (inclusive promovido por gente famosa).

Há elementos satânicos ou maçônicos?


Como não há provas documentais ou de outra forma para endossar a propagação destes rosários por sociedades secretas, seitas ou outro qualquer obscuro interesse anti-católico, a maioria dos argumentos contra a sua utilização e distribuição são baseados na simbologia que existem neles. E, certamente, temos um discurso muito fraco, com base na imprecisão do simbolismo e iconografia, o que distorce a interpretação de sinais e símbolos. Vamos olhar para cada um dos elementos presentes todos eles na cruz do rosário embora mais ou menos visível dependendo da versão da referida questão:

- A cobra atrás do corpo de Jesus crucificado. Sem dúvida este é o elemento mais controverso. Porque na iconografia cristã, e em grande parte fora dele, este réptil simboliza o Diabo e tudo relacionado com as forças do Mal. Há, por exemplo, a serpente na história da queda original de Adão e Eva. Por esse motivo, segundo se diz, estaria clara a intenção satânica.
No entanto, há também uma importante referência bíblica da serpente que se refere ao próprio Cristo, justamente sobre o texto do Gênesis, já que a tradição cristã, desde São Paulo Apóstolo, comparou a figura de Adão com Jesus, e a Árvore do conhecimento do Bem e do Mal com a árvore da Cruz. A isto se soma a passagem no livro do Êxodo, aonde Moisés, por orientação de Deus, confecciona uma serpente feita em bronze e a posiciona no topo de um mastro, para que todos feridos por serpentes ao a olhares sejam salvos da morte. O próprio Jesus se refere à sua pessoa e à sua paixão naquele texto, de modo que a serpente também pode representar Cristo, especialmente no momento da crucificação. Na História da Arte há evidências deste uso, especialmente no Oriente, onde encontramos báculos episcopais com a serpente, ou duas cobras frente a frente, o que pode ser entendido como Cristo e Satanás, ou como um sinal da prudência e da sabedoria que deve ser características de um pastor1.

- O sol ou sóis (um em cada extremidade da cruz). Os críticos destes rosários indicam que estamos claramente perante um símbolo maçônico ou mesmo “Illuminati”, e que teria suas raízes nos cultos pagãos ao Sol.
No entanto, sabemos bem do uso do simbolismo solar para referir-se a Jesus Cristo e também é comprovado nas Escrituras onde Zacarias em seu Cântico2 refere-se ao Messias esperado como "o Sol nascente". Então, a tradição cristã viu no Astro Rei um sinal de Cristo ressuscitado e que por isso as igrejas se "orientam" (voltadas para o Oriente), como grande parte das liturgias cristãs, onde as pessoas, lideradas pelo ministro que preside à assembleia, louva a Deus voltado para o Leste, o lugar onde todos os dias o sol nasce.

- Os pentágonos com que termina cada haste da cruz também são controversos, uma vez que o pentágono, especialmente o pentagrama ou a estrela ou cinco pontas são símbolos comumente usados em magia, ocultismo e até mesmo o satanismo. Algo semelhante acontece com o número 5.
No entanto, este número é também tradicionalmente associado com a Cruz, como foram Cinco as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo (mãos, pés e lado). E isso não só é refletida na piedade popular (pense, por exemplo, na oração de São Francisco Xavier para as Cinco Chagas, que identifica cada uma das feridas da crucificação), mas também no simbolismo. Sem ir mais longe, e ver uma representação que está fora do âmbito da religião, o escudo de Portugal é composto por cinco escudos representam os cinco reinos árabes conquistados pelo Rei Afonso Henriques. E estes cinco escudos, por sua vez, estão inscritos mais cinco, simbolizando as Chagas de Cristo.

- A ausência da sigla INRI é, ao menos, mais um argumento curioso. Os críticos apontam que, privando a cruz do titulo, se está ignorando o homem pregado nela, que deixaria se ser Jesus. Nós sabemos que “INRI” é nada mais do que as iniciais latinas da condenação por Pilatos, de acordo com o Evangelho de João: "Iesus Rex Nazarevs Ivdaeorvm (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus)", vide Jo 19, 22.
No entanto, muitas outras cruzes não têm o titulo e, portanto, não são anti-cristãs. Por vezes, como no presente caso certamente para simplificar, dado seu tamanho pequeno. Além disso, tenho a certeza de que, se existisse o “INRI”, detratores destes rosários iriam interpretar a partir de sua versão maçônica, como têm feito com símbolos anteriores. Sim, porque a Maçonaria tem relê o rótulo da cruz desta forma: INRI = Igne Renovatur Natura Integra (“toda a natureza é renovada pelo fogo”) esvaziando-a de sua referência cristológica, o que também tem feito alguns grupos gnósticos. Isto é, para os críticos, se não existe o “INRI”, a cruz é má. E se tivesse, seria também.

Além disso, alguns acreditam ver demônios nas extremidades da cruz em algumas versões destes rosários, mas nada claramente. Eles também podem ser anjos (e não diabinhos, porque o que mais pode ver é que eles são crianças), como há em muitas outras cruzes, e confundir as linhas atrás de suas cabeças com chifres, e muitas outras possibilidades. Em alguns se vêem rosas nas extremidades da cruz, elementos que têm claramente a sua interpretação esotérica (as seitas Rosacruzes, por exemplo), mas eles são completamente normais em um objeto chamado precisamente "rosário" e está vinculado com esta flor .
Tudo isso me faz lembrar de documentos enviados periodicamente por e-mail aos bispos e sacerdotes de todo o mundo afirmando, entre outras coisas, que o papa Bento XVI usou uma mitra satânica. Em certa ocasião, também ouvi na televisão que alguns afirmaram que o famoso arquiteto e Servo de Deus Antonio Gaudí era um maçom... porque usava cruzes usadas em seus edifícios! Quem quiser ver fantasmas, os vê. Só precisa torcer um pouco os símbolos

Alimentando uma polêmica


Uma simples pesquisa na Internet mostra toda esta leitura distorcida do rosário e uma infinidade de avisos, pedindo sua destruição e várias outras medidas. Vídeos postados no Youtube nos avisar que estamos diante de rosários perigosos ou, pelo menos, suspeitos, porque "não são o que parecem." Alguns de seus detratores fazem referências vagas a exorcistas que têm alertado para o mal destes rosários (quem são eles? Quem os revelou isto? Se foi Satanás ... como é que você sabe que ele não mentiu, como é natural nele?) e até mesmo videntes que receberam "mensagens do Senhor" sobre eles (qual vidente? alguém confiável?).
Eles também observam que outra prova de sua maldade é sua venda em lojas de Nova Era, lojas esotéricas. É verdade, e podemos vê-los nesses estabelecimentos. Mesmo seus fabricantes anunciam que cada cor tem suas qualidades especiais e mágicas, certificando-se de que o cliente sempre compre mais de um. Mas devemos ter em mente que nestas lojas imagens religiosas de Cristo também são vendidas, bem como da Virgem Maria e dos santos, associados frequentemente em cultos sincréticos com divindades africanas. E não por isso são imagens satânicas, maçônicas ou de Nova Era. Simplesmente comerciantes do oculto as aproveitam para o seu negócio, colocando-os ao lado de baralhos de Tarô, budas e bruxinhas.
Outros chegam a propor como um argumento contrário de que existe uma banda de rock satânico que oferece rosários luminosos para os fãs. Podemos dizer o mesmo que no parágrafo anterior. Mas, ainda críticos dizem que "rosários plásticos são provavelmente ideia de uma organização sinistra". Provavelmente? Claro, porque a evidência que eles fornecem não são nada conclusivo, como estamos vendo.

Um pouco de bom senso ... e fé


O sacerdote inglês Gareth Leyshon, doutor em Astrofísica e crítico da New Age, ao abordar esta questão, indicou que o perigo destes rosários para a Fé seria dado, no caso, por alguma destas três razões: a) por ter uma imagem clara de uma interpretação pagã ou de Nova Era; b) para usar as imagens ambíguas com um propósito anti-cristão claro; c) por ter feito algum ritual oculto com elas.
Sua resposta para a primeira razão é negativa, porque o crucifixo tem símbolos que são totalmente explicáveis pela tradição cristã. Assim, diz ele, é provável que alguém se importou muito para ver certos símbolos no rosário e divulgou através da Internet. Mas, "se esta é a única razão pela qual há preocupação com os rosários, então não há razão para se preocupar".
Como para o segundo e o terceiro, apenas os fabricantes sabem. No caso de muitos crentes, é completamente descartada a má intenção. Além disso, é normalmente desenhos mais antigos que continuam a reproduzir depois de muitos anos sem problemas, já que se trata de confeccionar rosários baratos para a distribuição em massa. Isto foi revelado em um programa de uma emissora de televisão católica italiana, que entrevistou um fabricante destes rosários, que inclusive desconhecia essa controvérsia e, é claro, não tinha nada de intenções anticristãs.
Por que precisamos de um pouco de bom senso e, sobretudo, o sentido de Fé, que vai ligado ao bom senso. De modo que cada Rosário é rezado com esses objetos colocados sob suspeita não é uma oração que se aproxima de Deus e da Virgem Maria, mas o próprio Satanás, é algo que não faz sentido na Fé Cristã. Isso me lembra do romantismo de lendas, como a "Cruz do Diabo", de Gustavo Adolfo Bécquer, que conta como as orações dirigidas a uma certa cruz maldita não as recebia Deus, mas o diabo. Como literatura é uma história interessante, mas segundo a Fé não é bem assim.
E se eu estiver errado e alguém prova no futuro que sim, estes rosários foram espalhados pelas organizações do mal que querem destruir a fé em Cristo? Pois me uno ao que diz padre Leyshon: "Não tenha medo! E lembre-se: cada vez que você rezar o rosário, você pediu a Deus para livrá-lo do mal seis vezes, e você invocou a proteção de Mãe de Deus 53 vezes ".
O diabólico não será, de fato, convocar a destruir rosários, a desconfiar deles e lançar dúvidas sobre a utilidade e a eficácia da oração simples e confiante em Deus?


Fonte: Infocatolica.com



1- “Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.” Mateus 10,16
2- “ Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou; e fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos, para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança e o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias. Serás profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor para aplainar e preparar os seus caminhos, anunciando ao seu povo a salvação, que está na remissão de seus pecados; pela bondade e compaixão de nosso Deus, que sobre nós fará brilhar o Sol nascente, para iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e para dirigir os nossos passos, guiando-os no caminho da paz”. Lucas 1, 68-75